

 Busca-se um milionrio
  One ticket to Texas
  Jan Hudson
  Cherokee Pete 1

   O milionrio texano Kyle Rutledge queria que Irish Ellison, que tinha viajado ao Texas com o propsito de encontrar marido, amasse-o por si mesmo e no por sua
fortuna.






















   Prlogo

   -Nem o sonhe, amigo! -Irish Ellison fechou de repente a porta principal e se dirigiu com passo decidido  sala, onde suas companheiras estavam sentadas olhando
a televiso-. Ditosos homens -grunhiu ao tempo que se tirava os sapatos de salto e se deixava cair no sof, ao lado da Olivia.
   -Parece que tem problemas com o ajudante do senador -disse Oliva lhe oferecendo um pacote de pipocas de milho.
   -Exato -Irish colocou a mo no pacote e se levou a boca um punhado de pipocas-.  um imbecil.
   -O que passou? -perguntou Kim-. Gavin parece um menino muito agradvel. Acreditava que iam a srio.
   -Eu tambm o pensava... at que lhe ocorreu me pedir um emprstimo. Podem acredit-lo? Esse porco me leva a um par de festas importantes, convida-me para jantar 
grtis em stios luxuosos, e logo se atreve a me pedir dinheiro emprestado.
   -No falar a srio? -perguntou Kim com os olhos muito abertos depois dos grossos cristais de seus culos.
   -Totalmente a srio. Pelo visto, dbito no sei quanto dinheiro em conceito de penso alimentcia.
   -No sabia que Gavin tinha estado casado -comentou Olivia.
   -Nem eu -Irish colocou os ps em cima da mesinha de caf-. Inteirei-me esta noite. Ao parecer, esteve casado duas vezes e tem quatro filhos. por que sempre me 
confuso com nomes que outras rechaam? Voc  a psicloga, Olivia. Qual  meu problema?
   Olivia, que era a maior e a mais judiciosa das trs, arqueou as sobrancelhas e olhou a seu amiga. Irish possua umas pernas esbeltas e um corpo que qualquer mulher 
desejaria para si, alm de uma larga juba com reflexos entre loiros e acobreados.
   -Ainda no estou licenciada -respondeu ao fim Olivia-. Entretanto, no creio que o problema esteja em ti, Irish.  esta cidade. Em Washington h um punhado de 
solteiras atrativas que competem por caar aos homens que h disponveis. Se est interessada em fazer amizades masculinas, escolheste um mau stio.
   -No estou aqui por gosto. O trabalho escasseava em Nova Iorque e minha tia Katie me deixou em herana esta casa. Talvez deveramos nos mudar a Alaska. Tenho 
entendido que ali os homens andam se desesperados por encontrar casal.
   Olivia e Kim se guardaram de mencionar a outra razo pela qual Irish tinha deixado Nova Iorque.
   -Pois no me interessa muito me jogar noivo -reps Olivia-. J passei por isso e sei o que .
   Irish se voltou para o televisor, em cuja tela se via a imagem imponente da Marilyn Monroe.
   -Como se intitula o filme? -perguntou.
   -Como casar-se com um milionrio -respondeu Kim.
   -Isso quisesse eu, me casar com um milionrio. Minha me estava acostumada dizer que resulta mais fcil apaixonar-se por um rico que de um pobre -cerrou os olhos 
e se inclinou para frente, adotando a pose de uma jovem Lauren Bacall-. Mas, onde h milionrios bonitos, solteiros e dispostos a cercar uma relao sria?
   -No Texas.
   Irish e Oliva olharam a Kim, quem, com seus vinte anos, era a mais jovem do grupo.
   -No Texas? -perguntaram ao unssono.
   -Exato. Minha chefa  milionria e oriunda do Texas.
   -Mas sua chefa  uma mulher. Deputada-a Hellen Ou'Hara, acaso te esqueceu?
   -Sei, mas tem irmos e primos jovens que esto solteiros e podres de massa.
   -Seguro que so gordos, calvos e baixinhos.
   Kim esboou uma sorrisinho zombadora.
   -Justamente o contrrio. Os que eu tive ocasio de conhecer, ao menos, so muito bonitos. E muito altos. Querem que lhe pea emprestadas ao Hellen um par de fotografias? 
Trarei-lhes isso para que os dem uma olhada.
   -No me interessa, obrigado -respondeu Olivia.
   Irish se incorporou rapidamente.
   -Pois a mim sim. Em fevereiro farei trinta anos. eu adoraria celebrar meu aniversrio instalada comodamente em uma luxuosa manso de Dallas. J me fartei de vender 
cosmticos no Macy'S. Qual dos irmos  o mais bonito e o mais rico?
   Kim meneou a cabea.
   -No sei. Jackson, provavelmente. Mas no vive em Dallas. Embora Hellen tambm tem um par de primos que...
   -No se fale mais. Como posso conhecer tal Jackson?
   -No estar falando a srio -atravessou Olivia com expresso horrorizada-. No pode considerar a idia de te casar com algum te apoiando unicamente no tamanho 
de sua conta corrente.
   -E por que no?
   -No lhe d importncia ao amor? -perguntou Kim-.  paixo?
   -Creio que o amor est muito valorizado. Alm disso, o dinheiro me resulta tremendamente sexy -Irish cravou o olhar na tela do televisor durante uns segundos. 
Logo se voltou para suas companheiras e, com um brilho travesso nos olhos, comentou-: Tm que me ajudar a riscar um plano.
   
   
   Captulo Um
   
   Quando Irish Ellison viu que a grade estava fechada com uma cadeia e um cadeado, seu nimo se afundou igual aos saltos de suas botas novas na terra branda.
   "Deve cruzar a grade e avanar um quilmetro, mais ou menos", tinha-lhe explicado a secretria do Hellen Ou'Hara. Mas, como diabos ia cruzar um grade fechada 
com cadeado?
   Completamente abatida, Irish voltou para a Mercedes que tinha alugado duas horas antes no aeroporto de Dallas. As coisas no estavam saindo como ela tinha planejado. 
gastou-se o dinheiro que ficava em roupa provocadora e, para pagar o bilhete de avio e o aluguel do carro, no tinha tido mais remedeio que lhe pedir um emprstimo 
a um amigo. A comida e o alojamento no Ninho do Crow, que assim se chamava o imvel onde Jackson Crow estava acostumado a retirar-se a jogar golfe, seriam-lhe amavelmente 
oferecidos pelo irmo do Hellen.
   Ou isso tinha assegurado a secretria.
   O estmago comeou a lhe grunhir. J era a hora do almoo.
   teria se desviado do caminho correto?
   No tinha mais remedeio que voltar sobre seus passos e procurar um telefone. Murmurando entre dentes e manobrando com esforo, enfiou pelo estreito atalho em 
direo  estrada principal. No havia nenhuma s casa  vista. A paisagem aparecia dominado por amplas zonas de bosque e campos de erva salpicados de enormes mquinas 
que pareciam gafanhoto gigantes.
   Ao chegar ao cruzamento da estrada, Irish entrou nos estacionamentos de um pitoresco edifcio de madeira. Sobre a porta principal havia um rtulo que rezava: 
"Feitoria e Museu ndio".  esquerda do edifcio se viam quatro tipis ndios feitos de estuque ou cimento e pintados de cores grites. Enrugando o nariz, Irish desembarcou 
do Mercedes e entrou na feitoria.
   No interior no se via nem uma alma, exceo feita de quatro figuras de madeira tocadas com chapus emplumados.
   -Ol? H algum? -chamou.
   S lhe respondeu a voz do silncio.
   Depois de entrar uns quantos passos no escuro local, distinguiu uma srie de estantes repletas de artigos e um comprido mostrador de madeira. Em um dos extremos 
havia duas mesas, com seus correspondentes sela, situadas perto de uma estufa de butano. O espao restante estava ocupado por artigos de toda classe, desde cadeiras 
de montar a pitorescos lembranas, passando por cestas cheias de batatas frescas.
   -H algum? -repetiu.
   Durante uns segundos reinou um silncio sepulcral, quebrado unicamente por uma espcie de estranho repico similar a um som longnquo de castanholas.
   um pouco assustada, Irish saiu da feitoria e fechou a porta com supremo cuidado.
   Permaneceu um momento no alpendre, perguntando-se o que devia fazer a seguir. De repente, chamou-lhe a ateno um rudo agudo. Parecia o rugido de uma motocicleta 
e procedia de uma cabana de madeira situada a uns quantos metros da feitoria.
   dirigiu-se para ali, caminhando quase nas pontas dos ps sobre a terra branda para evitar que as botas lhe danificassem ainda mais. Quando se aproximou e apareceu 
interior da cabana, o corao quase lhe saiu do peito. Dentro havia um homem. Mas no se tratava de um homem qualquer. S levava postos uns nos cubra, botas e um 
chapu. Era muito alto, e os msculos de seus braos e seus ombros se flexionavam e se contraam enquanto manipulava uma pequena serra mecnica.
   Irish jamais se havia sentido to afetada pela imagem de um homem. Exalava masculinidade por cada poro de sua pele e parecia rodeado de um aura to potente e 
deslumbrante como a projetada por um pster de non. Irish no pde a no ser olh-lo, boquiaberta. Tinha o plo do torso salpicado de bolinhas de p de serra, e 
umas reluzentes gotas de suor o umedeciam o musculoso abdmen. Incrivelmente atrativo, possua uma mandbula bem perfilada e um nariz perfeito.
   De repente, olhou-a, e o surpreendente azul de seus olhos deixou ao Irish sem respirao.
   -Maldita seja! -exclamou ao cortar uma das orelhas do enorme urso de madeira que estava esculpindo. Apagou a serra mecnica e a deixou a um lado.
   -OH, Meu deus, sinto-o muito -apressou-se a dizer Irish, apurada pelo que acabava de ocorrer-. Por minha culpa danificou seu... escultura.
   -Meu "escultura"? -repetiu ele com uma voz sexy e profunda.
   Ela notou que as bochechas lhe ardiam.
   -Refiro-me ao urso -disse assinalando com mo quase tremente a figura de madeira.
   Ele esboou um deslumbrante sorriso. Logo se colocou bem o chapu e deu uns tapinhas na cabea do urso.
   -Tranqila, no se preocupe -respondeu-. Poremo-lhe de nome Vince.
   -Vince? -repetiu Irish quase hipnotizada.
   -Sim, Vince -disse ele, olhando-a fixamente-. Do Vincent. Vincent Vo Gogh.
   -Vo Gogh? -perguntou Irish desconcertada. Seu crebro no atinava a se localizar o dado.
   -J sabe, o pintor que se cortou a orelha.
   -Ah, claro -disse ela sentindo-se como uma perfeita estpida-. Referia-se ao pintor -voltou a lhe olhar o peito. Notou que, de repente, os mamilos lhe endureciam.
   Depois de tir-los luvas, ele agarrou uma toalha que tinha pendurada na parede e comeou a sec-la pele suarenta.
   -O que posso fazer por voc? -perguntou enquanto se limpava o p de serra do peito e enxugava um gotinha de suor que lhe descia para o umbigo.
   -Por mim? -enquanto observava seus dedos, compridos e fortes, ao Irish lhe passaram pela cabea milhares de coisas que adoraria que aquele homem lhe fizesse.
   -Posso ajud-la em algo? -reps ele com uma risinho sufocada.
   -me ajudar? N... pois sim.  voc o dono da feitoria?
   -No. O dono  Pete, meu av. Eu me chamo Kyle -soltou a toalha e ficou uma camisa com gestos apressados-. Kyle Rutledge.
   -Eu sou Irish. Irish Ellison.
   Ele esteve a ponto de dizer "sei", mas conseguiu reprimir-se. Irish tinha posado como modelo para algumas revista e Kyle recordava que, durante seu perodo de 
prticas em Califrnia, muitas mulheres lhe tinham levado uma fotografia do Irish Ellison para que as dotasse de seu nariz ou de seus mas do rosto perfeitos.
   -Encantado de conhec-la, senhorita Ellison -disse tocando o chapu em sinal de cortesia-. No que posso lhe ajudar?
   -Seria to amvel de me dizer se esse for o caminho que leva a Ninho do Crow? -perguntou ela assinalando para a estrada.
   -Pois sim, senhorita. Esse .
   -V. Temia que me dissesse isso. Ver, estou agendada com o senhor Jackson Crow, mas encontrei a grade fechada.
   "Maldio!", exclamou Kyle para seu si mesmo. Tinha diante a uma das mulheres mais atrativas do mundo, e sua primo j lhe tinha adiantado. Como de costume, Jackson 
era um bastardo com sorte.
   -Jackson saiu.
   -Que saiu? -disse Irish com tom alarmado. Seus enormes olhos verdes se abriram de par em par.
   -Temo-me que sim.
   -Mas... mas estvamos citados. Devia passar uns dias em seu imvel para escrever um artigo sobre o estilo de vida dos milionrios jovens.
   -No conhece o Jackson?
   Irish negou com a cabea.
   -No, nunca nos vimos.
   Kyle pareceu relaxar-se. O sorriso voltou a aflorar a seu rosto.
   -Decidiu ir-se a Dallas com seus amiges para ver a partida que disputam os Cowboys no domingo. Creio que estaro de volta na segunda-feira.
   -Mas se hoje  sexta-feira.
   -Sim, comearam a farra com certa antecipao.
   -Deveria me haver reunido com ele faz um par de horas. Mas meu avio saiu com atraso, e logo tive problemas com a agncia que me alugou o carro.
   Ao ver quo decepcionada parecia Irish, Kyle sentiu umas vontades tremendas de sair em busca de sua primo com uma tocha na mo.
   -Eu no me preocuparia muito -comentou ao fim-. Jackson estar de volta na segunda-feira. Se se encontrar o bastante sbrio para viajar, naturalmente.
   -Se se encontrar sbrio?  que bebe muito?
   Kyle teve que morder o lbio inferior para no rir. Sua primo tinha todas as mulheres que desejava. Mas a esta a tinha visto ele antes.
   -Sim, uma barbaridade. Esse homem  um autntico bbado.
   "Espero que me perdoe, primo", pensou .
   de repente se ouviu o som ensurdecedor de um disparo e Kyle se estremeceu, temendo por um momento que o cu queria castig-lo por ter mentido com semelhante desfaratez.
   Irish tambm deu um salto.
   -O que foi isso? -perguntou assustada.
   -Nada, meu av. Est em cama com o quadril rota, e cada vez que necessita algo dispara com sua pistola pela janela.
   -No seria melhor que tocasse uma campainha?
   Kyle sorriu.
   -Voc no conhece meu av. me acompanhe  loja. Veremos o que quer. Logo nos ocuparemos de seu problema. J quase  hora de almoar. Tem fome?
   -Estou esfomeada.
   -Gosta do Chile?
   -Com feijes?
   -No diga disparates, senhorita. Estamos no Texas. S a um ianque lhe ocorreria danificar um prato do Chile lhe acrescentando feijes.  voc do norte?
   Irish se ps-se a rir, e o som sensual de sua risada fez que Kyle concebesse pensamentos lascivos.
   -Vivo em Washington -respondeu ela-, embora nasci em Ohio. Tambm passei vrios anos em Nova Iorque.
   -Em Nova Iorque? -perguntou Kyle com uma careta exagerada de desgosto-. E gostava de viver ali?
   Irish se encolheu de ombros.
   -Durante um tempo, sim. Mas ao final acabei me cansando.
   -Isso mesmo aconteceu comigo em Califrnia. Com o tempo, descobri que Texas  o nico stio onde me sinto verdadeiramente a gosto.
   Uma vez que tiveram entrado no armazm, Kyle convidou ao Irish a que se sentasse em uma das mesas.
   -Jogarei-lhe uma olhada a meu av. Em uns minutos estarei de volta com o Chile.
   Enquanto Kyle se afastava e subia as escadas que conduziam  planta de acima, Irish se fixou em suas largas pernas. Cus, que homem. Jamais tinha conhecido a 
ningum com to atrativo sexual. E, como tinha podido comprovar pelo pouco que tinham falado, resultava um verdadeiro prazer estar a seu lado.
   Deixou escapar um suspiro. Kyle possua todo aquilo que qualquer mulher podia desejar.
   Tudo... salvo dinheiro.
   "Se for mais fcil apaixonar-se por um rico, mame, por que sempre me sinto atrada por homens que no tm onde cair mortos?"
   Era uma lstima que Kyle Rutledge gostasse tanto. Sobre tudo naquelas circunstncias precisas.
   Irish voltou a suspirar. No podia permitir o luxo de perder a cabea por aquele homem. Tinha planos que levar a cabo. proposto-se caar a um milionrio.
   E se Jackson Crow adoecia de certos defeitos..., enfim, uma mulher no podia o ter tudo na vida.
   
   Captulo Dois
   
   Umas repentinas gotas de suor lhe brotaram por cima do lbio superior. Irish procurou no pensar nisso e se introduziu na boca outra colherada do Chile. Ao fim 
e ao cabo, estava comendo grtis. Tendo em conta que ficavam menos de vinte dlares no moedeiro, no podia permitir o luxo de ser delicada.
   -Est muito picante para seu gosto? -perguntou-lhe Kyle.
   -No, o que vai. Est muito bom -respondeu ela, e se bebeu de um puxo meio copo de ch gelado.
   Depois de engolir outro par de colheradas, lhe saltaram as lgrimas. Apurou ansiosamente o copo de ch e olhou de soslaio ao Kyle, quem a contemplava com o cenho 
franzido.
   -No faz falta que minta por educao -disse ele-. Parece-lhe muito picante. Sinto muito. A meu av gosta do Chile assim, e creio que eis acabado me acostumando. 
Mas lhe prepararei outra coisa. Gosta de perritos quentes? So minha especialidade.
   Irish sorriu aliviada. No gostava de absolutamente acabar o prato do Chile, mas seguia tendo fome.
   -Os perritos quentes me voltam louca -brincou.
   -Prefere-o com mostarda ou com maionese? 
   -Com mostarda, por favor.
   -Volto em um momento.
   Irish o observou enquanto tomava um po-doce de po e um pote de mostarda de um dos suportes. Demorou uns segundos em retornar com um estupendo sanduche de salsicha 
acompanhado de rangentes batatas.
   -Obrigado -disse ela-. Tem um aspecto magnfico.
   -No  uma delcia culinria, mas lhe servir para matar a fome. Alma Jane est acostumado a ocupar-se da cozinha, mas se h posto doente. Espero que volte amanh. 
Como cozinheiro deixo muito que desejar.
   -me passa o mesmo -disse Irish-. Pelo general, Olivia se encarrega de fazer a comida em casa.
   -Quem  Olivia?
   -Uma das garotas que compartilham casa comigo em Washington.
   -Vive voc com outras garotas? -perguntou Kyle enquanto lhe servia mais ch.
   -Assim  -entre bocado e bocado, Irish lhe falou da Kim e Olivia.
   -Quanto tempo faz que  voc jornalista? -inquiriu ele.
   -Jornalista? No sou jornalista. por que o pergunta?
   -Disse que ia escrever um artigo sobre o Jackson e seus colegas. Pensei que seria para algum peridico.
   -Cus, no.  para a revista Esprit.
   -Colabora com o Esprit? O mais normal seria que algum com seu fsico trabalhasse para uma revista como modelo, e no como articulista.
   -Agradeo-lhe o completo. Sim, em alguma ocasio trabalhei de modelo -esboou um cndido sorriso-. Mas no sou colaboradora fixa da revista. O artigo  um trabalho 
de encargo.
   Kyle assinalou o prato do Chile ao meio comer, e disse:
   -Importa-lhe?
   -Absolutamente -respondeu Irish. Aquele homem devia ter o aparelho digestivo revestido de chumbo. Era incrvel que pudesse deglutir um segundo prato daquele comida 
to forte.
   -eu adoro o Chile -comentou ele-. E por que j no trabalha como modelo?
   Irish titubeou um instante antes de responder.
   -J sou muito major.
   -Bobagens.  voc preciosa e est no melhor da vida.
   -J quase tenho trinta anos.
   Ele soltou uma gargalhada e disse:
   -Uma garotinha.
   -Talvez a voc o parea, mas as modelos so cada vez mais jovens. Alm disso... j me tinha fartado de viver em Nova Iorque.
   -Agora a compreendo. As taxas de violncia se dispararam nessa cidade. Aqui, em troca, o episdio criminal mais recente se produziu quando Newt Irwin se embebedou 
Y... Irish?
   Ela deu um coice.
   -Sim?
   -de repente, ps-se muito nervosa. Tenho dito algo mau?
   -No, absolutamente -mentiu Irish, procurando mostrar-se educada-. O que me contava do Luke?
   -Do Newt. embebedou-se e roubou uma das cabras do Henry McKenzie.
   -Para que?
   -Para fazer um andaime. Mas, ao dia seguinte, a me do Newt encontrou  cabra atada em seu jardim. estava-se comendo as margaridas, assim que a boa mulher avisou 
ao xerife. Henry recuperou a cabra, mas Newt teve que passar trs dias entre grades.
   -por que? depois de tudo, Henry recuperou o animal. Surpreende-me que pusesse uma denncia.
   -No foi Henry, a no ser a me do Newt. O xerife est casado com sua prima, e a senhora Irwin estava muito orgulhosa de suas margaridas.
   Irish se ps-se a rir. Mas se interrompeu de repente, sobressaltada, para ouvir um tiro na planta de acima.
   -Outra vez o av -disse Kyle com resignao-. Oitenta e quatro anos e ainda tem vontades de dar guerra. Em seguida volto. Enquanto, procure alguma sobremesa que 
goste.
   Irish assim o fez. Estava jogando uma olhada ao sortido de doces e barras de chocolate, quando um carro se deteve diante da loja. Ao cabo de uns instantes entrou 
um casal maior vestido com chamativos chandals. Ele luzia uma calva incipiente e levava a jaqueta do moletom muito rodeada sobre a bojuda barriga. Ela, por sua parte, 
era magra como um aspargo. Tinha o cabelo tingido de negro e os dedos abarrotados de anis de diamantes.
   -Olhe, Edgard. No te parece um stio encantador? -logo, dirigindo-se ao Irish, explicou-: Dirigimo-nos para a costa. E me alegra ter escolhido este caminho. 
As vistas so realmente bonitas. Enfim, queramos comprar algo para picar durante a viagem Y... Edgard! Olhe. So talhas ndias. A tamanho real! No crie que ficariam 
perfeitas colocadas junto  piscina de casa? E fixa lhe no preo. Se for uma ganga.
   -Mmm -murmurou Edgard, sem retirar a vista das barras de chocolate que estava inspecionando. 
   Irish esboou um radiante sorriso e disse: 
   -Sim, so umas talhas magnficas. O escultor tem um enorme talento. Viu quo animais h fora? As guias so fantsticas. E tambm temos um urso ao que deveriam 
jogar uma olhada. Chamamo-lo Vence. Se tiverem a bondade de me acompanhar, o ensinarei com muito prazer.
   
   
   Quando Kyle baixou, depois de haver-se ocupado de seu av, encontrou ao Irish na porta, despedindo com a mo a um carro que se afastava.
   -Sinto ter demorado tanto. Meu av necessitava sua medicina. Quem vai nesse carro?
   -Corrie e Edgard.
   -O que queriam? Perguntar por onde se vai a Dallas?
   -No, entraram para comprar um pouco de comida. Vendi-lhes uma caixa de garrafas de refrescos, dois pacotes de barras de chocolate, trs bolsas de amendoins, 
um par de braos de cigano, dois ndios de madeira e uma guia. Ah, e tambm a Vence. pagaram com cheques de viagem e lhes dei a mudana com dinheiro da caixa registradora. 
Espero que no te importe.
   -me importar? vendeste mais em vinte minutos que eu em uma semana. Assim que se levaram a Vence?
   -Sim.     
   -Mas se lhe falta uma orelha.
   -Isso o dota de maior atrativo.  uma talha muito original.
   Kyle soltou uma risinho e meneou a cabea.
   -Espero que, ao menos, tenha-lhes feito um desconto.
   -Absolutamente. No sabia exatamente quanto valia o urso, pois no tinha o preo posto, mas lhes cobrei por ele cinqenta dlares mais da quantidade que marcavam 
as etiquetas dos ndios. 
   -Est brincando?
   -No, falo muito a srio. Mas no tem por que preocupar-se. Podem permitir-lhe Alm disso, Corrie est entusiasmada com sua piscina nova e, sinceramente, creio 
que as talhas sero um adorno perfeito para seu jardim. Assim tero uma desculpa para dar uma festa quando voltarem de viagem. Essas figuras de madeira constituem 
um esplndido tema de conversao. Expliquei-lhes como tinham sido esculpidas. Kyle teve que esforar-se para no prorromper em gargalhadas.
   -Seguro que sabe como foram esculpidas? -perguntou.
   Irish fez um gesto com a mo para subtrair importncia ao detalhe.
   -Esculpiste-as com uma serra mecnica. Ensinei-lhes a oficina onde trabalha e improvisei como facilmente pude. J te tenho dito que Corrie estava entusiasmada. 
   -E Edgard?
   -Edgard no falou muito, mas pareceu fascinado com a cascavel que h no terrrio. Inclusive quis compr-la, mas imaginei que a serpente no estava  venda. De 
todos os modos, tampouco tivesse sabido que quantidade lhe cobrar por ela. 
   Kyle se ps-se a rir.
   -Me alegro de que no tenha vendido ao Sam. A meu av tivesse dado um ataque.  uma das peas fundamentais de seu pequeno museu.
   Irish se estremeceu ligeiramente. 
   -E me alegra no ter tido que tirar esse inseto do terrrio. Por certo, ainda no tomei a sobremesa. Quer compartilhar comigo um pacote de barras de chocolate?
   -Claro, ser um prazer -Kyle se sentia cada vez mais cativado pelo Irish. No s era uma mulher muito belo, mas tambm alm disso resultava um verdadeiro prazer 
estar a seu lado. Seu aspecto divertido, franco e singelo era a anttese da personalidade afetada que estavam acostumados a ter as mulheres de Hollywood-. Enquanto 
voc procura as barras de chocolate, eu me ocuparei de fazer o caf. Como voc gosta? 
   -Sozinho, por favor.
   Ao cabo de poucos minutos, os dois se achavam sentados  mesa diante de caminhos taas de caf. 
   - instantneo -particularizou Kyle-. Espero que no te importe.
   -Parece-me perfeito.
   Comeram as barras de chocolate em silncio. Quando teve engolido o ltimo bocado, Irish se chupou os dedos e exalou um suspiro de satisfao.
   -eu adoro as guloseimas. Sobre tudo o chocolate. Tive que me privar dos doces durante anos. No sente saudades que tenha engordado uns quantos quilogramas desde 
que fui de Nova Iorque.
   -Pois os dissimula muito bem. Eu te vejo bastante magra.
   -Obrigado -respondeu ela com um sorriso-. Gosta de outra barra de chocolate?
   -Se insistir...
   Sem perda de tempo, Irish tirou outro par de barras de chocolate do pacote. Deu- uma ao Kyle e devorou a outra rapidamente. depois de chup-los dedos novamente, 
elevou a taa e tomou um sorvo de caf. de repente, franziu o cenho e olhou ao Kyle com ar pensativo.
   -Algum problema? -perguntou ele.
   -Pois sim. No posso voltar para Nova Iorque at que tenha entrevistado ao Jackson Crow. Se retornar na segunda-feira, terei que passar aqui o fim de semana. 
E no tenho nenhum stio onde ficar. Tinha planejado me hospedar no Ninho do Crow, mas... -enrugou ainda mais a frente-. Esses tipis da fora so, n, habitveis?
   Kyle deixou escapar uma risinho sufocada.
   -Creio que estaria mais cmoda em algum hotel do Jacksonville ou do Tyler.
   -Temo-me que no me posso permitir isso com os olhos afligidos, Irish passou a ponta da lngua pelo bordo da taa. Kyle se sentia incapaz de deixar de olh-la 
e, enquanto a observava, quase hipnotizado, sua imaginao se disparou-. Ver, tenho..., n, pouco dinheiro. Esperava que esses tipis fossem baratos.
   -Os tipis? Baratos? Claro, so muito baratos -Kyle esteve a ponto de levantar-se e saltar de alegria. No desejava absolutamente que Irish partisse-.  mais, 
a comisso que te corresponde pela venda que tem feito ao Corrie e Edgard cobrir o preo do alojamento e a comida.
   -A comisso? -perguntou ela com os olhos muito abertos.
   -Claro. E se, alm disso, necessita um pouco de dinheiro... Bom, far-me falta algum que me ajude at que Alma Jane volte.
   -Qual ser meu trabalho?
   -Ocupar-te da loja enquanto eu trabalho com a serra. Ou, melhor ainda, o que te parece lhe ler a um velho com ms pulgas? Ao Pete adora ler, mas a vista lhe 
cansa em seguida. No posso te pagar muito, mas...
   -Aceito. Mas s at que Jackson retorne.
   -De acordo. Trato feito -Kyle no pde dissimular o amplo sorriso que lhe cruzou o rosto. perguntou-se se poderia convencer ao Jackson para que ficasse em Dallas 
uns quantos dias mais.
   -Estupendo -reps Irish com evidente alvio-. Se tiver a amabilidade de me dar a chave, instalarei-me sem perda de tempo.
   
   Irish estacionou o Mercedes frente  entrada do tipi nmero dois e descarregou a bagagem. Depois de abrir a porta, jogou uma precavida olhada ao interior.
   O conjunto resultava bastante rstico. O mobilirio era feito de troncos e sobre a cama se estendia uma desbotada manta a ndia. A cmoda tinha aspecto de ter 
conhecido sua poca de maior esplendor durante a II Guerra Mundial. Em um rinco havia uma cadeira de balano de madeira estofada em pele de vaca e as paredes estavam 
adornadas com dois leos emoldurados em tosca madeira. A gente mostrava a um chefe ndio, e o outro um cavalo pintalgado em um fundo desrtico de tons avermelhados.
   "Lar, doce lar", pensou Irish ao tempo que exalava um suspiro e introduzia a bagagem na cabana.
   Revisou a cama e as fechaduras.
   Os lenis estavam um pouco rgidos, mas cheiravam a limpo. Surpreendeu-lhe comprovar que o colcho era muito liso e confortvel. Os acessrios do quarto de banho 
eram velhos, mas estavam imaculados. E, o mais importante de tudo, a cabana tinha fechaduras fortes e seguras.
   depois de pendurar a roupa e desfazer o resto da bagagem, Irish se tirou o traje e ficou umas calas jeans, uma camiseta branca e uma jaqueta de cambraia. Seus 
ps doloridos agradeceram a mudana das botas de salto alto por um par de cmodas sapatilhas de esporte. Depois de se arrumar rapidamente o cabelo e retocar a maquiagem, 
sentiu-se preparada para conhecer ancio Pete.
   Na oficina se ouviu o zumbido de uma serra, e Irish imaginou que Kyle se teria posto a trabalhar de novo em uma de suas talhas. Entrou na loja e, antes de subir 
as escadas, duvidou uns instantes. Talvez o ancio se achasse dormindo, em cujo caso no desejava incomod-lo.
   Ouviu o som de um televisor aceso, procedente de uma habitao situada frente ao patamar da escada. A porta estava aberta, de modo que Irish decidiu jogar uma 
olhada. Enquanto cruzava o corredor, fixou-se no enorme quadro que decorava a parede. Era uma cpia excelente de um Remington.
   Muito mais agradvel, certamente, que o ndio e o pony pintalgado que adornavam sua cabana. apareceu  habitao e viu que se tratava de uma espaosa biblioteca. 
 frente havia uma enorme chamin de pedra flanqueada por duas poltronas com tapearia de couro. O conjunto se completava com uma mesinha de caf e vrias poltronas 
de orelhas. Vrias estantes lotadas de livros ocupavam, quase em sua totalidade, o espao disponvel das paredes. Irish passeou a vista pelas volumosas prateleiras 
at que, de repente, viu uma cama situada no extremo mais afastado da habitao, junto a uma janela. Um par de olhos negros a observavam com soma ateno.
   -Ol -disse ela com um sorriso-. Sou Irish Ellison. Posso passar?
   -De todos os modos, j entrou. Aproxime-se para que a veja bem. Estes velhos olhos j no so o que eram. H dito que se chama Irish? Um nome muito curioso...
   -Minha me era aficionada aos nomes pitorescos -respondeu Irish enquanto cruzava a estadia.
   O ancio luzia uma larga juba cinza. Tinha a pele dos mas do rosto muito enrugada, mas seus olhos ainda conservavam o brilho da vitalidade. Apertou um boto 
do mando a distncia que tinha na mo e o televisor ficou sem som.
   -Sou Pete Beamon, mas todos me chamam Cherokee Pete. Sou meio cherokee por parte de minha me. E minha esposa era irlandesa. Tinha o cabelo da cor do mel e os 
olhos azuis. Sim, era uma mulher muito bela, igual a voc. Em novembro far quarenta e trs anos que faleceu. Era professora. De fato, ela me ensinou a ler. Comeamos 
a colecionar todos estes livros faz quase cinqenta anos. Venha e sinta-se -assinalou uma cadeira que havia ao lado da cama-. Me diga, o que faz uma garota bonita 
como voc por estes arredores?
   -No quero lhe interromper... -Irish olhou para o lugar onde estava a televiso e ficou estupefata. Em lugar de um televisor, havia seis telas alinhadas na parede. 
Duas estavam apagadas, mas as demais mostravam o interior da loja e os terrenos circundantes-. Mas se forem...
   -Monitores de vigilncia, sim. A estes velhos olhos lhes escapam poucas coisas. Gosta de meu neto?
   Irish se esclareceu garganta e tentou no titubear.
   -Bom, ...  muito atrativo. Mas no estou interessada.
   Pete soltou uma risinho rouca.
   -Pois me pareceu o contrrio. Eu gosto de voc, Irish Ellison. Farei-lhe um proposio. Case-se com meu neto, e lhe darei um milho de dlares.
   
   
   Captulo Trs
   
   Irish riu para ouvir a brincadeira do ancio.
   -No me tente. Seu neto  um homem muito bonito. Tantas vontades tem de desfazer-se dele?
   -Quero ter bisnetos antes de ir ao outro bairro. Nenhum de meus netos se casou ainda. Gesso no me parece muito normal. Por certo, Kyle me h dito que voc vai 
ler para mim.
   -Se estiver de acordo...
   -Pois claro que estou de acordo. Que seja velho no significa que no desfrute com a companhia de uma moa e formosa.
   -O que gosta que leoa?
   Pete lhe aconteceu o livro que tinha ao lado, na cama.
   -Eu gostaria de ouvir o resto. Estava a ponto de acab-lo quando me cansou a vista. Necessito uns culos novos, mas me tenho quebrado o quadril e, de momento, 
no poderei ir ao oculista. Kyle me h dito que me levar dentro de um par de semanas.
   Irish jogou uma olhada  volumosa novela.
   -V,  o ltimo do John Grisham. Gosta como escritor?
   -Quando estou de humor para ler esse tipo de literatura, sim. Meus netos sabem que sou aficionado  leitura, assim que me do de presente livros sempre que podem. 
A pgina pela que fiquei est assinalada.
   Irish abriu o livro e ficou a ler os ltimos captulos.
   
   Enquanto Irish lhe lia ao ancio, Kyle permaneceu na porta escutando sua preciosa voz. John Grisham jamais lhe tinha parecido to excitante. Nem to sexy.
   No emprestou ateno s palavras nem ao argumento, a no ser ao tom do Irish, que alagou seus sentidos como se de mel morno se tratasse. Quando chegava a algum 
fragmento de dilogo, a moa trocava a modulao da voz para adaptar-se ao personagem de volta. A seguir voltava a retomar o ritmo lento e cadencioso da narrao.
   Transcorridos uns minutos, Irish fez uma pausa e disse:
   -Fim.
   Pete soltou uma gargalhada de satisfao.
   -um milho de dlares! -exclamou-. No, melhor que sejam dois.
   Ela se ps-se a rir e Kyle entrou apressadamente na habitao, temeroso de que seu av estendesse um cheque sem pensar-lhe duas vezes. Pete era extremamente generoso 
com a gente que lhe caa bem.
   -Vejo que tm feito bons miolos -disse.
   - claro que sim -reps Pete-. Esta mulher  uma artista. Nem a melhor atriz de Nova Iorque lhe tivesse dado tanta vida  novela.
   -Sim, eis estado escutando -disse Kyle-. Tem muito talento. No te expuseste alguma vez te dedicar  interpretao?
   -Ao princpio, sim -respondeu Irish-. Fiz dois cursos de arte dramtica. Mas ao deixar a universidade me derrubei por completo na carreira de modelo.
   - modelo? -perguntou Pete-. Kyle me havia dito que te dedicava a escrever.
   -Sim. Faz tempo que deixei a passarela.
   -E saa nas revistas, igual a Cindy Crawford e essa tal Claudia como se chamo?
   -Naturalmente, embora jamais cheguei to alto. Como  que conhece a Cindy e a Claudia?
   O ancio pestanejou e disse:
   -J te tenho dito que eu gosto de muito ler. de vez em quando olho alguma que outra revista em que aparecem garotas bonitas. Sabe? Agora que caio, creio que vi 
fotografias tuas em alguma parte.
   -Disso far um par de anos. Gosta de ler outra novela?
   -Agora mesmo, no. Creio que dormirei a sesta. Ou talvez vejo o programa de fofocas que do por televiso. Enquanto, Kyle e voc podem lhes conhecer melhor. J 
sabe a que me refiro -acrescentou ao tempo que dirigia ao Irish um eloqente olhar.
   -Ser melhor que se tire essa idia da cabea -respondeu ela entre risadas.
   Minutos mais tarde, enquanto baixavam as escadas, Kyle perguntou:
   -O que  o que trama agora meu av? No te ter feito alguma proposio indecente, verdade?
   -No. S estvamos brincando. Ofereceu-me um milho de dlares em troca de que me casasse contigo.
   -meu deus!
   -Tranqilo. No me tomei isso a srio. Imagino que com o que cobra de penso no poderia cumprir sua promessa. Embora se fosse rico talvez me tivesse exposto 
atentamente aceitar a oferta.
   Kyle quase deu um tropees. 
   -Srio? 
   Irish sorriu.
   -Seguro que no sou a primeira mulher que te diz que  um homem muito atrativo. Com dois milhes de dlares resultaria quase irresistvel. 
   Ele titubeou novamente. 
   -O dinheiro te interessa muito? 
   -Bom, o verde  minha cor favorita. Como j te tenho dito,  um homem atrativo em muitos aspectos, mas est a salvo de mim. No queria te ofender, mas tenho planejado 
me casar com um rico. 
   Kyle notou que em sua cabea se disparavam toda classe de alarmes. 
   -Fala a srio? 
   -Totalmente.
   -E o que me diz do amor? 
   -No me conformo com qualquer homem endinheirado, certamente. Pretendo encontrar a algum de quem me possa apaixonar. Dormir a perna solta, sem preocupaes, 
gera um afeto considervel no seio do casal.
   Falava com um tom desenvolto e provocador, mas Kyle acreditou perceber em sua voz uma preocupao subjacente que guiava sua atitude. Estaria relacionado com as 
cicatrizes que tinha em um lado da cara? tratava-se de umas marcas leves, quase imperceptveis. S um profissional que tivesse ocasio de observar as de perto, como 
ele, poderia as detectar debaixo da esmerado maquiagem.
   Sentiu o impulso de lhe perguntar a respeito, mas naquele momento no seria oportuno. assim, soltou uma risinho tmida e disse:
   -Brindo por isso. Importa-te ficar ao cuidado do armazm um momento? Tenho que consultar algumas costure com meu av.
   -Claro, no h problema.
   Kyle se voltou e subiu rapidamente as escadas.
   -O que faz aqui? -perguntou-lhe Pete quando o viu entrar na habitao-. por que no est cortejando ao Irish? Essa garota eu gosto, filho. Eu gosto muitssimo. 
Seria uma esposa perfeita para ti. Teriam uns filhos preciosos.
   -No crie que est precipitando as coisas?
   -Absolutamente. Soube que sua av era minha meia laranja assim que lhe pus a vista em cima.
   -Mas eu no sou como voc -respondeu Kyle-. Necessito algo mais de tempo. Alm disso, h um problema.
   -Um problema?
   Kyle se sentou junto  cama e exalou um profundo suspiro.
   -Parece ser que Irish deseja casar-se com um homem rico.
   Pete prorrompeu em gargalhadas.
   -No vejo onde est a pega. Alm dos dez que te dava, quantos milhes tinha na conta a ltima vez que consultou o saldo?
   -Essa no  a questo. Ver, interessa-me muito Irish, mas no desejo me casar com uma mulher que me valore s por meu dinheiro.
   Pete fez um gesto negativo com a cabea.
   -Compreendo-te. Assim pensa lhe mentir?
   -No. Quer dizer, sim -Kyle se tirou o chapu e se passou os dedos pelo cabelo-. Diabos, no sei o que fazer. Mas no quero me apaixonar por uma caado-tes. por 
agora, prefiro que no se inteire de que tenho dinheiro, ou de que sou...
   -De que  cirurgio plstico.
   -Exato. Tampouco deve saber que Jackson  teu neto e minha primo.
   -E isso por que?
   Kyle fez uma careta zombadora.
   -me tentarei arrumar isso para que Jackson e seu grupo fiquem em Dallas um par de dias mais. Quero ver se posso ganhar o afeto do Irish antes de que esses ricachones 
voltem e a tentem com seu dinheiro.
   -No crie que suspeitar quando vir os poos petrolferos que repartiu pela propriedade?
   -Se mencionar o tema, direi-lhe que pertencem ao Jackson ou a algum outro magnata. No saber em nenhum momento que estes terrenos so teus. Far-me o favor de 
guardar o segredo?
   -Manterei a boca bem fechada -Pete fez uma piscada a seu neto e acrescentou-: D-me a sensao de que Irish te chegou muito dentro.
   -Reconheo que me resulta fascinante como mulher.
   O ancio deixou escapar uma sonora gargalhada.
   -"Fascinante", claro. Boa forma de dizer que pe a cem! Sou velho, mas ainda recordo o que  isso. Enfim, lhe jogue um olhada ao assado que colocaste no forno 
e baixa de uma vez a cortej-la.
   Kyle decidiu seguir o conselho de seu av.
   Passou com o Irish o resto da tarde no armazm. Enquanto esperavam a que entrassem os clientes, conversaram de todos os temas havidos e por haver, da poltica 
a qual era a cor preferido de cada um. Apesar das diferenas que existiam entre eles, e de que Kyle preferisse o azul e no o verde, como Irish, descobriram que 
tinham muito em comum. De fato, ao contemplar os belos olhos verdes do Irish, Kyle comeou a trocar de opinio sobre seu gosto em matria de cores. O verde comeou 
a lhe resultar fascinante.
   Quando chegou a hora do jantar, subiram  planta superior e Kyle jogou uma olhada ao assado que tinha preparado umas horas antes sob a atenta superviso de seu 
av. Troce a carne com um garfo e logo fez o mesmo com as cenouras, as batatas e as cebolas.
   -me parece que j est bastante feito. Voc o que crie?
   -No sou nenhuma perita, mas eu diria que sim.
   -Muito bem. Gosta de uma salada?
   -Claro. Ajudarei-te a prepar-la.
   depois de trocear a verdura, Irish preparou uma bandeja com o jantar do Pete e foi levar se a ao ancio. Kyle, por sua parte, preparou a mesa da cozinha. Pensou 
em colocar uma vela no centro, mas em seguida desprezou a idia. No desejava precipitar os acontecimentos. depois de rebuscar concienzudamente pela cozinha, encontrou 
uma garrafa de vinho barato e outra do Chardonnay. Colocou a segunda no refrigerador.
   Irish retornou justo quando estava tirando as taas do armrio. Kyle lhe dirigiu um sorriso e se serve um pouco de vinho para prov-lo.
   -Tendo em conta o preo, no est mau -disse-. Crie que ir bem com a comida?
   - obvio. Se houver de ser sincera, os vinhos caros me tm sabor de medicina.
   Acabada o jantar, recolheram juntos a cozinha e logo deixaram ao Pete bem acomodado, vendo um filme do John Wayne.
   -Creio que vai sendo hora de que me retire  cabana -disse Irish com um sorriso-. Obrigado pelo jantar.
   -foi um prazer. Gosta de dar um passeio antes de ir a dormir? 
   -Sim, eu adoraria.
   
   Apesar de que j tinha chegado outubro, a noite ainda era clida e agradvel. O ar os fazia chegar o forte aroma dos pinheiros e a suave fragrncia da erva recm 
atalho. Em meio da crescente escurido comearam para ouvi-los cantos dos grilos e as rs. Irish se tinha fixado no exuberante verdor da vegetao. Nem sequer as 
rvores de folha caduca que se mesclavam com os pinheiros mostravam indcios da chegada do outono. 
   -Quando chega aqui o frio? -perguntou assombrada-.  E quando perdem as rvores as folhas?
   -Bom, at novembro no caem geladas. Aqui o inverno no  igual a em Nova a Inglaterra. A maioria das rvores no perdem a folha at entrado dezembro.
   No se afastaram muito do armazm, pois a escurido que reinava alm das luzes de propano era absoluta. Enquanto passeavam, Irish comentou:
   -Vejo que comeaste a esculpir outro urso -entrou na zona da oficina, onde o aroma de p de serra e a madeira impregnava o ar. Passou os polegares pelas toscas 
orelhas de um urso de madeira to alto como ela-. Senti-me to mal quando por minha culpa danificou o outro, que foi um verdadeiro alvio que Corrie o comprasse.
   -No tinha por que te sentir mau. Foi um simples acidente.
   -J isto te dedicava em Califrnia? A esculpir ursos?
   -No. Fazia outra... classe de esculturas.
   -Como? Com argila?
   Kyle improvisou uma resposta imprecisa, e Irish compreendeu que no lhe agradava falar de sua estadia na costa oeste. Entendia-o perfeitamente. Ela tampouco se 
sentia muito cmoda falando do ltimo par de anos que passou em Nova Iorque.
   Kyle entrou na oficina e se colocou a seu lado. Riscou com o polegar uma trajetria ascendente ao longo da orelha do urso, a escassos centmetros da mo do Irish. 
De repente, o espao pareceu diminuir-se, minguar. O aroma do Kyle se mesclou com o aroma da madeira, e sua presena pareceu ocup-lo tudo.
   Irish retirou a mo e tentou retroceder, mas se topou com o brao alargado do urso. Apanhada entre o Kyle e as garras de madeira do animal, elevou o olhar e tentou 
dizer algo ocorrente.
   Mas as palavras lhe esfumaram da mente. Kyle titubeou um momento, e logo comeou a baixar a cabea com lentido.
   -Posso te beijar? -perguntou ao tempo que aproximava seus lbios aos dela. Quando esteve a um par de centmetros escassos, deteve-se.
   Irish notou que o corao lhe pulsava desbocado no peito. Sentir o flego do Kyle sobre sua pele fez que se estremecesse de excitao. Parte dela queria lhe gritar 
que sim com toda a alma. Mas outra parte desejava lhe dar uma bofetada por hav-la posto naquela situao to embaraosa.
   Entretanto, permaneceu muda. Nenhuma s palavra brotou de seus lbios.
   Seguiram naquela posio durante o que pareceu um sculo. O ar em torno deles estava carregado de sensualidade.
   Irish notou que lhe afrouxavam as pernas.
   Sentiu uma espcie de zumbido nos ouvidos.
   "No o faa", sussurrou uma parte racional de sua mente.
   "Vete ao corno", respondeu-lhe sua libido.
   Finalmente, ganhou o "sim".
   umedeceu-se os lbios com a lngua e se disps a percorrer a escassa distncia que a separava do Kyle, quando o som ensurdecedor de um disparo quebrou o silncio 
da noite.
   
   
   Captulo Quatro
   
   O alvoroo comeou quando logo que tinha amanhecido. No exterior se ouviu o som ensurdecedor de uma buzina, e algo se chocou com a parede da cabana com tanta 
fora que os quadros estiveram a ponto de desprender-se de seu stio.
   -Mas, que demnios...? -Irish se incorporou rapidamente na cama. Entre as brumas do sonho ouviu de novo a buzina, assim como fortes vozes.
   Retirou as mantas e se aproximou da janela para jogar uma olhada. Parecia como se se produziu uma invaso de ciganos enquanto ela dormia. Por toda parte havia 
bancas talheres com toldos. Devia haver uns trinta ou quarenta caminhes e carros disseminados pelos terrenos colindantes com o armazm. Seus proprietrios estavam 
descarregando todo tipo de gneros, desde verduras a peas de mobilirio.
   Um reboque de madeira que tinha pintados anncios de algodo doce e pipocas de milho se achava pego  cabana. Ao lado, um homem gritava e fazia assinale com a 
mo em um intento de orientar ao condutor.
   O caminho que atirava do reboque avanou um pouco, mas no demorou para retroceder e dar-se de novo contra a parede.
   Irish saiu to rapidamente como pde.
   -Mas o que fazem? -gritou-. Querem jogar a cabana abaixo?
   O homem deixou de fazer sinais e a olhou boquiaberto. Ao cabo de uns instantes, tirou-se o chapu e agachou o olhar.
   -Peo-lhe perdo, senhorita. Jason tem problemas.
   -Problemas? A que se refere? -No  capaz de estacionar o reboque onde Deus manda.
   A portinhola do caminho se abriu e por ela saiu um menino ruivo que no teria mais de treze ou quatorze anos.
   -No sou capaz, papai.
   -Ter que faz-lo. Sua me no veio.
   -Mas, papai...
   -Fecha o pico e volta a subir no caminho antes de que te d uma surra.
   -Disso nem pensar! -exclamou Irish furiosa ao tempo que caminhava para o veculo com passo decidido-. Onde querem estacionar este traste?
   Uma vez que o homem lhe teve indicado o lugar exato, Irish lhe disse ao menino:
   -Sobe, Jason. Eu te ajudarei.
   E Jason, com os olhos como pratos, assim o fez. Ela ocupou o assento do acompanhante e o orientou pacientemente at que o reboque ficou bem estacionado. Um largo 
sorriso de satisfao aflorou ao rosto do moo.
   Ao baixar do caminho, Irish viu que todos tinham interrompido seu trabalho para observar a cena. S ento se deu conta de que ia descala e vestida unicamente 
com uma camisola de cetim. Uma camisola muito curta.
   Mas no se achar nem por um instante. Ao fim e ao cabo, como modelo estava acostumada a posar bastante ligerita de roupa. Com a cabea bem alta, entrou na cabana 
e fechou dando uma portada.
   Consultou o relgio e soltou um grunhido. Como podia haver gente que se levantasse essas horas to inoportunas? O nico que gostava de era meter-se de novo na 
cama, mas pensou que j no poderia conciliar o sonho, assim optou por dar uma ducha. Tinha dormido pouqussimo. Apesar de que a cama era extremamente confortvel, 
passou-se quase toda a noite dando voltas sem pegar olho.
   E a causa de sua insnia era Kyle Rutledge. Irish logo que podia acreditar que aquele homem lhe tivesse chegado to dentro. Se o ancio Pete no tivesse disparado 
sua pistola naquele momento preciso, Kyle e ela se teriam fundido em um beijo apaixonado... e s Deus sabia como tivessem terminado.
   Kyle lhe resultava muito atrativo, por muito que se repetisse a si mesmo uma e outra vez que no era a partida que andava procurando. Se tivesse alternativa, 
abandonaria aquele lugar para afastar-se da tentao.
   Porque Kyle Rutledge era a tentao personificada. No obstante, dada sua escassez de dinheiro, Irish no tinha mais remedeio que ficar.
   ficou a toda pressa umas calas jeans e um pulver. depois de maquiar-se mnimamente, foi se tomar o caf da manh.
   Se o exterior parecia um formigueiro, o interior do armazm era um autntico caos. As duas mesas disponveis estavam abarrotadas de clientes que tomavam caf 
e engoliam bolos e donuts. Kyle se achava muito atarefado atrs do mostrador.
   -Creio que ir bem um pouco de ajuda -disse-lhe Irish.
   -E tanto. Esqueci que hoje era o terceiro sbado do ms. O dia em que fica o mercadinho, precisamente. Vem gente de toda a zona a vender, comprar e trocar mercadorias. 
   -O que fao?
   -me ajude com a cafeteira. Ah! Tambm ter que trocear uma dzia de frangos para o menu do almoo.
   -Uma dzia?
   -Como mnimo. Tinham que nos haver os servidos cortados, mas chegaram inteiros. Alma Jane me prometeu que viria para fritos, mas antes ter que trocearlos. Sinceramente, 
creio que no tenho diseccionado um s inseto desses em minha vida. 
   -Faz o caf. Eu me porei a cortar o frango. 
   -Saber faz-lo? Acreditava que foi um desastre como cozinheira.
   -No tenho nem idia de cozinhar, mas meu pai era aougueiro. Estava acostumado a lhe ajudar na loja pelas tardes, ao sair do colgio -agarrou um avental branco 
e o ps com gestos decididos-. S se necessita uma faca afiada e um estmago forte. Onde tem as facas?
   
   Enquanto fazia o caf e atendia aos clientes, Kyle esteve observando ao Irish, que dirigia a faca como uma verdadeira profissional.
   -Assombra-me a velocidade com que o faz -disse-lhe.
   -Sim, a mim tambm. Levava anos sem praticar. Suponho que isto  como montar em bicicleta. Nunca se esquece -jogou a ltima parte de frango em uma das bandejas 
e se voltou para olhar ao Kyle-. Tachaaan! Terminado!
   -Estou impressionado -disse ele entre risadas-. Cu, depois de te haver visto dirigir essa faca, eu no gostaria de nada me cruzar contigo em um beco escuro.
   O sorriso do Irish se desvaneceu. De repente, ficou muito plida. Olhou a faca que ainda tinha na mo como se se tratasse de uma serpente de cascavel. Logo o 
soltou como se queimasse e saiu rapidamente pela porta.
   Kyle no tinha idia do que tinha passado, mas deixou o que estava fazendo e correu atrs dela. Encontrou-a sentada no alpendre. Respirava funda e entrecortadamente, 
como se queria conter o pranto.
   -O que te ocorre, Irish?
   Ela meneou a cabea, evitando olh-lo  cara. 
   -me d um minuto -foi tudo o que disse. 
   -Encontra-te mau?
   -No, no  nada. S quero estar sozinha um momento.
   -No penso te deixar reveste nesse estado. 
   -Por favor. Vete, maldita seja! 
   Compreendendo que sua presena no fazia a no ser agit-la ainda mais, Kyle considerou oportuno partir. Mas o comportamento do Irish o encheu de inquietao. 
Talvez lhe tinha revolto o estmago enquanto troceaba os frangos. No deveu deix-la. Maldio! sentia-se como um autntico estpido.
   Mas no teve tempo que perder em preocupaes quando retornou ao armazm. Havia uns quantos clientes esperando que lhes desse a conta.
   Enquanto lhes cobrava, Alma Jane apareceu com uma enorme bandeja de salada.
   -bom dia -disse assentindo levemente com a cabea.
   -bom dia, Alma Jane. Jamais me tinha alegrado tanto de ver algum. Agradeo-te muito que tenha vindo a trabalhar hoje.
   Ela voltou a fazer um gesto de assentimento e perguntou:
   -Est troceado o frango? 
   -Sim, a mesmo o tem.
   Alma Jane ficou umas luvas de borracha e a seguir inspecionou as partes de carne. 
   -Caramba, bom trabalho.
   -No tem que me felicitar a mim, a no ser ao Irish. 
   -Quem  Irish?
   -Olha-a, a chega -respondeu Kyle olhando para a porta.
   - muito bonita.
   -Sim que o  -respondeu ele com um amplo sorriso de satisfao. Irish ainda parecia um pouco decada, mas fez um esforo por pr boa cara ao saudar alma Jane-. 
Est bem? -perguntou-lhe Kyle em voz baixa.
   -Sim -sua direta resposta deixava entrever claramente que no desejava falar do ocorrido-. tomou o caf da manh j Pete?
   Kyle se deu uma palmada na frente. 
   -meu deus, estava to ocupado que me esqueci por completo do av. Espero que no tenha tentado baixar-se da cama. supe-se que deve utilizar o andarilho unicamente 
para ir ao banho. 
   -Levarei-lhe caf e, de passagem, verei que tal est. 
   Irish tomou um par de taas e se foi escada acima.
   Kyle a seguiu com o olhar, visivelmente preocupado.
   -Kyle Rutledge, deixa de suspirar por essa mulher e te ponha a trabalhar em seguida -disse-lhe Alma Jane.
   Kyle riu e lhe deu um beijo na bochecha.
   -Vamos, Alma Jane, sabe perfeitamente que voc  a nica que me faz suspirar.
   -Deixa de tolices, fantasia de diabo lisonjeador. No conseguir me enganar com palabritas doces. Termina de envolver essas batatas com papel de alumnio e as 
coloque no forno.
   -A suas ordens, senhorita.
   
   Irish preparou ovos mexidos e torradas e se sentou a tomar o caf da manh com o Pete.
   -Parece que esta manh h bastante pblico -comentou o ancio ao tempo que lubrificava de gelia uma fatia de po.
   -Sim, bastante -respondeu Irish-. Alma Jane est fritando frango e Kyle se ocupa da caixa registradora -tomou um ltimo bocado de ovos mexidos-. Creio que deveria 
baixar a lhes dar uma mo. Ou quer que lhe leia um momento?
   -No, volta para armazm. J te avisarei se necessitar algo -com uma careta zombadora, deu uns tapinhas quase afetuosos  pistola que descansava na mesinha de 
noite.
   -No seria melhor que usasse uma campainha? 
   -Absolutamente. No se ouviria o suficiente. Alm disso, Kyle est acostumado a utilizar a serra mecnica freqentemente, e esse traste arma muito rudo.
   -Compreendo. Trarei-lhe um pouco de frango para o almoo.
   Irish voltou para armazm e ficou a trabalhar. S se tomou uma pausa para lhe levar ao Pete o almoo prometido. Quando a loja comeou a esvaziar-se de pblico, 
a ltima hora da tarde, Kyle e ela se achavam absolutamente esgotados.
   Kyle serve um par de copos de ch gelado e a convidou a que se sentasse com ele em uma das mesas.
   -vamos descansar um momento -disse-. Creio que aborreci o frango frito e os sanduches de mortadela -sentou-se e colocou os ps em cima de uma cadeira vazia.
   Irish tomou um comprido gole de ch e suspirou aliviada.
   -O mesmo digo. Isto foi pior que a inaugurao das ofertas no departamento de cosmticos.
   -O departamento de cosmticos? 
   -Sim, trabalho vendendo cosmticos especiais em umas lojas de departamentos de Washington. 
   -Especiais em que sentido? 
   -trata-se, sobre tudo, de maquiagem utilizada para dissimular cicatrizes e marcas. Eu o uso habitualmente, v? -voltou ligeiramente a cabea para lhe mostrar 
de perto a bochecha esquerda. 
   -Tem alguma marca?
   -Cicatrizes. Fizeram-me isso com uma faca. Em realidade, ficam poucas. O cirurgio plstico que me operou era excelente.
   Kyle permaneceu em silncio uns instantes. 
   -Deve hav-lo passado muito mal. Quer falar disso?
   Irish respirou fundo.
   -Agora no. Olhe, entra um cliente. No te levante. Eu o atenderei.
   ficou em p como acionada por uma mola e se dirigiu para a caixa registradora. Resultava curioso. Justo quando pensava que tinha superado aquele horrvel episdio 
de sua vida, descobria que, em realidade, o trauma seguia muito enraizado em sua mente. Ao menos j no sofria pesadelos. Os dois anos de terapia tinham resolvido 
esse problema.
   
   Pouco antes de que anoitecesse, quando os vendedores e comerciantes tinham rebaixado j os preos das mercadorias restantes, Irish se tomou um descanso e deu 
um passeio por entre as fileiras de postas e bancas. Fez um sinal com a mo ao Jason, quem se achava atarefado com a mquina do algodo doce, e o moo lhe correspondeu 
com um tmido gesto de saudao.
   No mercadinho se ofertava toda classe de gneros, desde gelia e sobremesas caseiras a antiguidades. Tendo em conta o pouco dinheiro de que dispunha, Irish devia 
contentar-se olhando e pouco mais. No obstante, dado que na cabana no havia televiso, decidiu comprar trs novelillas de segunda mo pelo mdico preo de vinte 
e cinco centavos.
   Quando acabou de fazer a compra, viu que Jason estava parado detrs dela com um cartucho de algodo doce na mo.
   O ofereceu e disse:
   -Tenha, senhorita.  para voc.
   Irish esboou um sorriso radiante.
   -Obrigado,  um cu. eu adoro o algodo doce.
   O moo ficou avermelhado como um tomate. Sem pronunciar palavra, deu-se a volta e se afastou a tudo correr.
   Irish ouviu que algum ria e voltou a cabea. Kyle estava a seu lado.
   -Creio que tem outro admirador -disse. 
   -Outro?
   -Alm de mim e de todos os meninos adolescentes que h por estes contornos.
   Um menino pequeno se aproximou deles dando tropees e se abraou  perna do Irish. Ela aconteceu com Kyle o algodo doce e tomou em braos ao pequen.
   -Ol, precioso.  uma macacada, sabia?
   O menino se levou um dedo  boca e sorriu, mostrando seus dientecillos de beb.
   -Parece ser que no s lhes rouba o corao aos adolescentes -brincou Kyle.
   -Onde est sua mame, tesouro? -perguntou Irish ao menino.
   -Mame -respondeu o pirralho, lhe rodeando fortemente o pescoo com seus bracitos.
   Irish esteve a ponto de derreter-se como a manteiga. Nunca tinha reparado em quo adorveis podiam chegar a ser os meninos. Deu-lhe uns tapinhas nas costas enquanto 
o pirralho se aferrava a ela como se fora um macaco pequeno.
   -Crie que se perdeu?
   -Seguro que a me andar perto -respondeu Kyle-. Procuremo-la. Traz, deixa que o eu leve.
   Mas ao pirralho no pareceu lhe gostar da idia. agarrou-se ao pescoo do Irish como se sua vida dependesse disso.
   -Mame, mame -chiou quando Kyle tentou tom-lo em braos.
   -Seja tesouro,  seja -tranqilizou-o Irish lhe dando uns tapinhas suaves nas costas-. Ser melhor que me deixe isso . Total, pesa muito pouquinho. Quem est aos 
cuidados da loja?
   -Jenny, uma vizinha que vive ao outro lado da estrada. Est acostumado a me ajudar de vez em quando. Esta manh foi impossvel porque teve que ir ao Tyler. Pelo 
visto, um conhecido de sua parquia est no hospital.
   Os comerciantes j estavam comeando a empacotar suas mercadorias enquanto Irish e Kyle percorriam o mercadinho perguntando a todo mundo. A ningum lhe tinha 
perdido um menino.
   Finalmente, retornaram ao armazm. Kyle relevou ao Jenny e fechou a caixa.  luz mortia do crepsculo viram, do alpendre, como os caminhes e as caravanas se 
foram partindo pouco a pouco. Os ltimos em partir foram Jason e seu pai. Irish os despediu com a mo.
   -Adeus -disse o menino em seus braos, imitando o sinal de despedida.
   -Creio que temos um problema -disse Irish. 
   -Sei. Ter que avisar ao xerife. 
   -Boa idia. Mas, antes, h fraldas na loja?
   -Parece-me que sim. Dos descartveis. 
   -Sabe trocar fraldas? -perguntou Irish. 
   -Est chupado.
   Cinco minutos depois, o pirralho se achava convexo em cima de uma das mesas. Kyle tinha reunido uma caixa de fraldas, talco e toallitas descartveis. Demorou 
escassos minutos em lhe tirar ao menino as gazes empapadas, limp-lo e lhe colocar os fraldas novos.
   -Estou impressionada -confessou Irish. 
   -Bom, estou acostumado a cuidar de meu sobrinho algumas vezes. S tem uns poucos meses, mas o princpio  o mesmo. Terminado, tigre -disse ao tempo que voltava 
a lhe pr as calas ao menino, que em seguida alargou os braos para o Irish.
   Ela tomou em braos e lhe disse com voz suave: 
   -No sou sua mame, carinho. Mas a encontraremos logo, no se preocupe.
   O pirralho comeou a lhe dar palmadas nas bochechas com seu prestativos gordinhas.
   -Bi-bi! -balbuciou ansiosamente-. Bi-bi! 
   -O que querer dizer? -perguntou Irish ao Kyle-. Tem alguma idia?
   -Talvez tem fome.
   -Claro! "Bi-bi" ser "mamadeira". Quer tomar sua mamadeira, tesouro?
   O criou comeou a saltar como louco. 
   -Bi-Bi! Bi-bi! 
   Irish olhou ao Kyle de reojo. 
   -Espero que tambm tenha mamadeiras e leite. 
   -Leite sim, certamente. Mas mamadeiras... No estou seguro. Embora me parece recordar que tnhamos uma caixa de potitos por a. E uma sillita alta. Darei- uma 
volta ao Pete e logo a buscarei.
   Ao cabo de uns minutos, o menino estava comodamente sentado na sillita alta, com um guardanapo colocado no pescoo a modo de babador. Bebeu um pouco de leite 
e o resto o derramou no cho. riu e deu fortes tapinhas na bandeja da cadeira quando Irish tentou lhe dar comida feita a base de frango, ervilhas e cenouras.
   -Creio que no gosta de muito as ervilhas -comentou Kyle quando o menino espurre a terceira colherada de comida.
   -No, mas adora as cenouras. O pirralho engoliu com nsia uma colherada de pur de cenoura e abriu a boca pedindo mais.
   -V, tem bom apetite -disse Kyle ao tempo que lhe limpava as comissuras da boca com um guardanapo de papel-. Ser melhor que chame j ao xerife.
   O pirralho alargou os bracitos para o Irish com a inteno de que tomasse em braos.
   -Como puderam te deixar abandonado, meu tesorito? -tomou ao pequeno e o apertou contra seu peito enquanto Kyle chamava por telefone-. Quando vir? -perguntou-lhe 
quando teve terminado de fazer a chamada.
   -No sei. Pelo visto, surgiu uma emergncia e todo o pessoal de delegacia de polcia estar ocupado nas prximas horas.
   de repente, bateram na porta. Ao abrir, Kyle se encontrou com uma mulher loira e baixa que o olhou com olhos frenticos.
   -Meu filhinho -disse a mulher entre soluos-. Me perdeu meu hiji... Joey! -gritou ao ver o pequen, e se dirigiu rapidamente para onde estavam Irish e o pirralho.
   -Mame! -chiou Joey ao tempo que elevava seus bracitos.
   A mulher tomou em braos e lhe posou uma dzia de beijos na carita.
   -Obrigado, Meu deus, obrigado! -exclamou-. estive a ponto de me voltar louca. Deixei-o dormindo no assento traseiro da caminhonete. Disse a seus irmos que cuidassem 
dele, mas se distraram jogando. S me ausentei uns minutos para ir comprar verduras. Ao retornar, acreditei que seguiria dormido, assim conduzi de volta ao Wills 
Point, sem me dar conta de que se saiu da caminhonete. Joey, meu cielito -cobriu-lhe as bochechas gordinhas de mais beijos.
   Irish e Kyle saram ao alpendre a se despedir da mulher e ao pirralho. Enquanto os viam partir, lhe rodeou a cintura com o brao e lhe apoiou a cabea no ombro.
   -Resulta incrvel o rapidamente que lhe pode tomar carinho a um pirralho -comentou Kyle.
   Irish assentiu com a cabea.
   - um garotinho adorvel.
   -Expuseste-te alguma vez ter filhos? -perguntou Kyle ao tempo que lhe deslizava a mo pelas costas com suavidade.
   Aquela carcia fez que Irish se estremecesse. No obstante, tratou a toda costa de manter a calma.
   -s vezes. Mas o certo  que tampouco sei muito de crios.
   -Seria uma me estupenda -respondeu Kyle, e a seguir lhe deu um beijo na frente.
   Irish sorriu e o olhou aos olhos.
   -Primeiro tenho que encontrar um marido adequado.
   Ele se apoiou no corrimo do alpendre e atraiu ao Irish para si.
   -E o est procurando?
   Os olhos do Kyle brilhavam como duas chamas azuladas  luz difusa do anoitecer. Hipnotizada por seu olhar, Irish elevou o rosto para receber o contato de seus 
lbios.
   -Sim.
   Beijou-a timidamente. Irish se deu conta de que Kyle lhe estava brindando a oportunidade de dar marcha atrs se assim o desejava. Mas seus membros pareciam ter 
perdido a capacidade de mover-se. O aroma masculino que desprendia Kyle, o aura viril que o rodeava... nublavam seus sentidos e empanavam sua razo.
   Tinha uns lbios muito suaves. Quentes. Maravilhosos.
   E muito sexys.
   -Sim -sussurrou de novo. Rodeou-o com os braos e separou ansiosamente os lbios.
   Quando a boca do Kyle se apoderou da sua, a terra pareceu tremer sob seus ps.
   Em cada clula de seu corpo estalou uma salva de foguetes. A pele pareceu lhe chispar, como se recebesse uma descarga eltrica.
   Subitamente aterrada por aquela reao to intensa, Irish tentou retirar-se, mas os joelhos lhe tremeram. Recostou a cabea sobre o peito dele e tentou recuperar 
o flego.
   -meu deus -exclamou, aspirando entrecortadamente uma baforada de ar. No devia permitir que aquilo seguisse adiante. Kyle no era a classe de homem que ela procurava.
   -Que classe de homem procura? -perguntou ele como se lhe tivesse lido o pensamento. Percorreu-lhe as costas com a gema dos dedos at lhe acariciar meigamente 
os glteos.
   -J lhe tenho isso dito. Quero me casar com um homem rico. E eu no gostaria de me atar com algum como voc. Perdoa que seja assim de direta. No  minha inteno 
te ofender.
   -Compreendo.
   Elevou-lhe o queixo com o propsito de beij-la de novo.
   Aquele segundo beijo a alagou de um prazer quase explosivo. No podia permitir que aquilo continuasse! Pararia-lhe os ps. Mas, antes, desfrutaria de uns segundos.
   S uns segundos.
   Quando, finalmente, Kyle retirou os lbios dos seus, Irish exalou um gemido.
   -meu deus -murmurou ele quase sem flego.
   Ela tambm respirava como se acabasse de sofrer um ataque de asma.
   -No  meu tipo, Kyle -disse com firmeza.
   -Sei -respondeu ele. E voltou a beij-la.
   
   Captulo Cinco
   
   Kyle pendurou o telefone da cozinha e amaldioou em voz alta. Onde demnios se teria metido Jackson? Tinha chamado vrias vezes ao hotel de Dallas onde sua primo 
se hospedava, mas no tinha conseguido localiz-lo. Maldio!
   -Algum problema?
   Kyle elevou a vista e viu que Irish se encontrava de p junto  porta. Teria ouvido algo da mensagem que lhe acabava de deixar ao Jackson?
   -por que o pergunta?
   Irish fez uma careta.
   -ouvi como insultava  famlia de algum. E, por sua voz, parecia muito irritado.
   -No, no passa nada. chamei a um amigo, mas no estava em casa. comeu-se o av todo o caf da manh?
   -At o ltimo bocado. Perguntei-lhe se queria que lhe lesse algo, mas preferiu seguir a missa que do por televiso.
   -Seguir a missa? Meu av?
   -Ao menos, isso me h dito. Gostam de uns gofres?
   -Mas quentes, se no ser molstia.
   Irish deixou escapar uma risinho.
   -Pode que seja um desastre como cozinheira, mas sei dirigir uma torradeira.
   Abriu o congelador e tirou um pacote de gofres. Enquanto Irish os torrava, Kyle ps a mesa e serve uns copos de suco de laranja.
   -Formamos uma boa equipe -disse em tom animado.
   Ela no respondeu nada.
   -Sim,  claro que sim. Uma grande equipe. Nossa sincronizao  perfeita. No est de acordo? -perguntou enquanto retirava uma cadeira e a convidava a sentar-se.
   Irish tomou assento, lubrificou os gofres com manteiga e logo os orvalhou com xarope. Titubeou um momento, como se meditasse cuidadosamente as palavras que pensava 
utilizar, e disse:
   -Olhe, Kyle, trabalhamos muito bem juntos, mas... Bom, o beijo que nos demos ontem  noite esteve desconjurado. Nunca deveu acontecer. Creio que nos deixamos 
arrastar pela emoo do momento. Afetou-nos muito o do Joey e sua me. Quero dizer s foi uma resposta lgica e espontnea  experincia to emotiva que acabvamos 
de compartilhar.
   -Voc crie? -Kyle se deu conta de que Irish tentava realmente convencer-se a si mesmo do que dizia. Mas no tinha ouvido nada to falso e falto de convico da 
ltima vez que assistiu a um comcio poltico.
   -Estou segura disso. J te tenho dito que me resulta muito atrativo. Mas no quero que entre ns haja nada.  um homem muito simptico e eu gostaria de te ter 
como amigo. Mas nada mais.
   -Porque desejas te casar com um homem rico?
   -Exato. Talvez te parea egosta, mas assim so as coisas. No quero me andar com circunlquios. O beijo de ontem  noite foi... foi...
   -Uma reao espontnea  emoo do  momento? -Kyle acrescentou xarope a seu gofre sem olh-la aos olhos em nenhum momento.
   -Exato. No significou nada -Irish cortou cuidadosamente uma parte de gofre e o meteu na boca.
   -Compreendo. E se voltasse a acontecer, imagino que seria outro ato espontneo entre amigos.
   -Efetivamente -Irish elevou a cabea de repente-. No! Quero dizer que no voltar a acontecer.
   -Porque s somos amigos.
   -Exatamente.
   -Amigos. E no h nenhuma pingo de qumica sexual entre ns.
   -No.
   Ao Kyle lhe escapou uma gargalhada.
   -A que vem essa risada? -perguntou ela com olhos entrecerrados.
   Ele ficou srio e a olhou com ar inocente.
   -Que risada?
   -Sabe perfeitamente.
   -No me faa conta. Oua, gosta de vir comigo ao Tyler esta tarde? Tenho que recolher umas quantas coisas. Jenny se ocupar da loja e jogar um olho ao av. Podemos 
ficar para jantar em algum restaurante e logo ir ao cinema. Eu convido. O que te parece?
   -Parece-me fantstico. A quanto est Tyler?
   -A uns cinqenta quilmetros. Seguro que passou por ali quando veio de Dallas.
   Acabaram de tomar o caf da manh em silncio, mas Kyle quase podia ouvir os pensamentos do Irish. Resultava evidente que os dois estavam pensando no mesmo. Que 
no havia qumica sexual entre eles? Que risada. O ar parecia eletrizar-se quando os dois se achavam juntos na mesma habitao. Demoraria uns quantos dias mais em 
convencer a de que pareciam o um para o outro.
   Isso sim, antes tinha que localizar ao Jackson e atrasar como fora sua volta.
   
   Irish desejou que Jackson retornasse quanto antes ao Ninho do Crow. Tinha que afastar-se do Kyle Rutledge ou acabaria cometendo alguma tolice. Enquanto ficava 
um pouco de perfume, disse-se que ir ao Tyler com o Kyle era como jogar com fogo. Surpreendeu-lhe muito que o nariz no lhe crescesse uns quantos centmetros quando 
afirmou que entre eles no existia nenhuma qumica sexual. Porque a mentira tinha sido descomunal.
   Satisfeita com a roupa, deliberadamente singela, que tinha escolhido para a ocasio, agarrou a bolsa e saiu a reunir-se com o Kyle.
   Ele a esperava no alpendre. E, pela forma em que a devorou com os olhos ao v-la chegar, Irish compreendeu que seu esforo por resultar pouco atrativa tinha fracassado.
   Kyle lhe sorriu provocativamente.
   -Est muito bonito.
   -Obrigado -quase teve que morder o lbio para no lhe dizer que ele no ficava atrs. Se no estava equivocada, Kyle levava uma camisa e uma cala de desenho 
italiano. Objetos muito caras, indubitavelmente. Com razo no tinha conseguido sair adiante em Califrnia. Deveu haver-se gasto todo o dinheiro em roupa.
   -Jenny acaba de chegar, assim podemos ir quando estiver preparada. 
   -J o estou.
   Acompanhou-a at uma caminhonete azul que tinha estacionada em frente do armazm.
   -Espero que no te importe ir no furgo do av. Tenho que recolher umas mercadorias.
   -Claro que no me importa.  mais, no recordo me haver subido nunca em um furgo.
   -Me tirares o sarro.
   -Absolutamente -ao ver o logotipo pintado na porta do furgo, Irish arqueou uma sobrancelha. Consistia em um crculo em cujo interior aparecia a caricatura de 
um ndio americano, trana e plumas includas-. Com o devido respeito, surpreende-me que Pete leve algo assim desenhado em seu furgo.
   Kyle se ps-se a rir.
   -Bom, que classe de comida gosta de tomar? Eu estou louco por tomar um bom prato chins ou italiano.
   
   De almoo tomaram massa em um luxuoso restaurante italiano, e  volta compraram comida a China para levar. Tiveram tempo para ir ao cinema antes de recolher as 
mercadorias para a loja.
   Irish desejou poder dizer que no o tinha passado bem, mas o certo era que se divertiu muito. Talvez Kyle no lhe servisse como marido potencial, mas era uma 
gozado estar a seu lado. Era um cavalheiro  antigo uso e, ao mesmo tempo, um homem dos noventa. Sabia como agradar a uma mulher e fazer que se divertisse.
   Kyle era considerado, grande conversador... e possua uma espcie de magnetismo quase animal. Era to bonito que as mulheres se voltavam para olh-lo, embora 
ele nem sequer parecia dar-se conta. Estava totalmente concentrado nela, e no tinha mais que lhe roar o brao ou lhe dirigir um daqueles olhares prolongados e 
sexys para que Irish desejasse com toda a alma lhe saltar em cima e comer-lhe a beijos. Era, em definitiva, um homem quase perfeito. Lstima que tambm fora pobre. 
Irish teve que recordar-se a si mesmo uma e outra vez que perseguia uma meta mais ambiciosa. Gesso foi precisamente o que disse ao Kyle aquela noite, quando tentou 
beij-la... pela segunda vez. Ou tinha sido a terceira? Ao princpio a tinha pilhado com o guarda baixo, mas, transcorridos uns minutos, Irish tinha conseguido pensar 
com claridade e lhe tinha parado os ps.
   -Me... vou amanh-disse timidamente. -Que vai?
   -Jackson Crow deveria estar de volta amanh, no te parece? Ao fim e ao cabo, vim para conhec-lo. Pelo da entrevista, claro est -Irish elevou bruscamente os 
ombros-. No faa isso!
   -O que?
   -me morder o pescoo.
   -Estava-te mordendo? -percorreu-lhe a orelha com a ponta da lngua e lhe mordiscou o lbulo-. Voc no gosta? Acreditei que estava ofegando porque voc gostava.
   -No estava ofegando!
   -me pareceu que sim.
   -Pois no. E me tire a lngua da orelha e a mo do peito.
   Lhe massageou o mamilo com o polegar. No demorou nem um instante em ficar duro como uma pedra.
   -Gesso tampouco voc gosta?
   -No, eu no gosto de nada.
   -Que estranho. Pois outra vez estava fazendo esse som que parece um ofego...
   -Precisa te dar uma boa lavagem nos ouvidos. te aparte de mim agora mesmo! 
   -No posso, carinho. 
   -por que no?
   -Porque me tem sujeito com todas suas foras. Irish tratou de retirar os braos. Tentou-o seriamente.
   -Creio que me eis ficado paralisada -sussurrou antes de elevar a cabea para beij-lo nos lbios. Um s beijo, disse-se. S um.
   Quando finalmente se separaram, Irish entrou na cabana, fechou a porta e se apoiou na rugosa parede de madeira. Saboreou a sensao persistente que os lbios 
do Kyle tinham deixado nos seus.
   Lstima que fora pobre.
   Jogou o ferrolho da porta e comprovou todas as janelas para certificar-se de que estavam fechadas.
   
   Ao dia seguinte, Alma Jane anunciou que voltava definitivamente para trabalho. Seguia um pouco pachucha, mas, conforme disse, sua enfermidade se tornou "passvel". 
Kyle se achava na oficina, trabalhando com a serra mecnica em um novo desenho. E Irish, por sua parte, acabava de lhe ler ao Pete um captulo do ltimo livro do 
Warren Buf.
   -Alguma vez tinha ouvido falar deste escritor -confessou-lhe ao ancio-. No lhe aborrecem estes tratados de economia?
   -No. Eu gosto de seguir de perto a obra de Buf.  um homem muito inteligente. dele aprendi A... -interrompeu-se de repente e tossiu um par de vezes.
   -A que aprendeu? 
   -A investir o dinheiro de minha penso. No  que tenha muito, me entenda. V, ouve isso? 
   -O que?
   -N... nada, nada. Quer ficar a ver comigo O preo justo? Cai-me muito bem o apresentador -acendeu a televiso e ps o volume ao mximo.
   -Pete! Est muito alto! -Irish agarrou o mando a distncia e baixou o som. S ento ouviu o rudo caracterstico e inconfundvel de uns rotores. Correu  janela 
para jogar uma olhada.
   - um helicptero. Um helicptero branco e negro. Voa to baixo que quase roa as rvores.
   -Ser estpido! vai se matar o dia menos pensado.
   -Quem vai se matar?
   -Pois... bom, no sei.
   -Olhe! apareceu outro helicptero! Jackson Crow deve ter retornado. Ser melhor que v fazer a bagagem.
   -A fazer a bagagem? Para que? Acreditava que voc gostava de estar aqui conosco. Quem me vai ler se te parte?
   -OH, Pete, sinto-o muito -beijou ao ancio na frente como se fora um menino pequeno-. Deve entender que minha estadia aqui foi simplesmente temporrio. Tenho 
que fazer certo trabalho.
   -Escrever sobre essa panda de descarados? Uma perda de tempo e papel, em minha opinio.
   Irish sorriu.
   -Deduzo que no lhe caem bem Jackson Crow e seu clube de jovens milionrios.
   -Que me caiam bem ou no  o de menos. Simplesmente opino que deveriam sentar a cabea e casar-se em lugar de andar por a pilotando helicpteros ou jogando golfe. 
E Jackson mais que nenhum.
   Irish soltou uma risinho de cumplicidade. 
   -Sabe? Penso fazer o possvel para tirar da circulao a algum deles. O que lhe parece? 
   Pete franziu o cenho.
   -A um desses? Acreditava que voc gostava de Kyle. 
   -Seu neto  um homem muito valioso, Pete, mas meus planos no trocaram. Kyle e eu s somos amigos -Irish voltou a lhe posar um beijo na frente-. Espero que v 
bem na entrevista com o mdico. Virei a visit-lo dentro de um par de dias.
   Enquanto baixava as escadas do armazm, Irish notou um n na garganta. Os olhos lhe encheram de inesperadas lgrimas.
   No se deteve na oficina para falar com o Kyle. Dizendo-se a si mesmo que no queria interromp-lo enquanto trabalhava, correu para a cabana com a inteno de 
vestir-se e fazer as malas. Justo ao agarrar o pomo da porta ouviu o som de um disparo a suas costas.
   
   Captulo Seis
   
   Nesta ocasio a grade estava aberta. Irish enfiou o estreito caminho que conduzia ao Ninho do Crow.
   O edifcio principal tinha vrias novelo e estava construdo de pedra, madeira e cristal. Era enorme, pois se estendia pelo contorno da colina e chegava a entrar 
no bosque, onde se mesclava, em perfeita harmonia, com o conjunto de pinheiros e demais rvores de folha caduca.
   Enquanto detinha o carro em frente do clube, Irish viu outras casas mais pequenas disseminadas entre as rvores e conectadas entre si por sinuosos atalhos de 
pedra. Frente ao edifcio principal se achavam os imaculados campos verdes de um circuito de golfe, e  esquerda havia uma pista de helicpteros.
   Conforme lhe tinha contado Kim, o clube tambm tinha pistas de tnis, piscina e estbulos.
   Aquilo sim que era vida.
   Vestida com seu traje novo e suas botas de salto alto, Irish desembarcou do Mercedes e transpassou com passo decidido a enorme porta principal. A estadia de dois 
novelo tinha um estilo rstico e suntuoso ao mesmo tempo. Uma barra americana ocupava boa parte de um dos lados, e no extremo oposto havia uma espcie de restaurante. 
Ambos estavam decorados com uma grande variedade de novelo e esculturas, entre as que se incluam, conforme observou Irish, vrios animais de madeira similares aos 
que havia no armazm do Pete.
   Irish se dirigiu para o mostrador situado ao fundo.
   Uma moa loira, que no contaria mais de dezoito anos, dirigiu-lhe um radiante sorriso ao v-la chegar.
   -bom dia. No que posso lhe servir? -uma placa dourada colocada sobre seu generoso peito indicava que se chamava Tami.
   -Sou Irish Ellison. Estava agendada com o Jackson Crow na sexta-feira passada, mas cheguei tarde e no consegui v-lo. Est no clube?
   -Sim, naturalmente que sim. Voc deve ser a jornalista do Esprit, verdade? eu adoro a revista. No estou acostumado a me perder nem um s nmero -olhou ao Irish 
com olhos entreabridos-. Sua cara me soa. Seguro que vi alguma sua fotografia na revista. Jackson lamentou muito no hav-la recebido na sexta-feira, mas os moos 
estavam ansiosos por ir-se a Dallas e no teve mais remedeio que partir. Nestes momentos est falando por telefone com sua primo, mas lhe direi que chegou voc. 
Sinta-se, por favor. Gosta de uma taa de caf?
   -No, obrigado.
   Irish se sentia muito nervosa para sentar-se. apoiou-se no respaldo de uma cadeira e respirou fundo vrias vezes, tentando relaxar-se. O momento tinha chegado. 
Queria causar boa impresso ao Jackson Crow, pois disso dependia seu futuro.
   Ouviu uma risinho feminina detrs dela, e logo o sussurro de uma voz masculina. voltou-se rapidamente e viu um homem alto, com o cabelo negro, que tinha ao Tami 
o brao jogado ao redor do pescoo. Sussurrou-lhe algo ao ouvido, e a garota voltou a soltar uma risinho tola.
   Quando o homem viu o Irish, esboou um largo sorriso e murmuro algo ao Tami, quem voltou pressurosa ao mostrador. Ele, uma autntica pedaas vestida com calas 
jeans e botas negras, aproximou-se do Irish, sorrindo e calibrando-a com o olhar como se fora uma gua oferecida em um leilo. Tinha posta uma camisa engomada a 
raias rosas e brancas, com as mangas subidas e o pescoo aberto. O tom bolo de sua roupa no fazia a no ser potencializar sua masculinidade. Na boneca levava uma 
pulseira de ouro que devia pesar meio quilograma, pelo menos. "Cus, que pedao de homem", disse-se Irish. -Ah, senhorita Ellison. Mereceria que me cortasse voc 
a... cabea por lhe haver ocasionado tantas molstias -olhando-a diretamente aos olhos, tomou a mo e a beijou- Sou Jackson Crow, o desalmado que a deixou plantada 
na sexta-feira. Poderia lhe oferecer centenas de desculpas, mas nenhuma delas justificaria meu lamentvel comportamento. No obstante, peo-lhe perdo e lhe asseguro 
que procurarei compens-la na medida de minhas possibilidades. Dou-lhe permisso para que me aoite com um ltego   de   nove   caudas.   Se   no   o   fizer   
voc, provavelmente o far minha irm. Irish se ps-se a rir.
   -No creio que seja necessrio lhe aoitar em pblico, senhor Crow. Ao fim e ao cabo, a culpa foi minha. Cheguei tarde e voc tinha convidados aos que atender. 
Por isso a mim respeita, o assunto no teve a maior importncia.
   -Rogo-te que nos tuteemos, Irish -disse Jackson tomando-a cortesmente do brao-. Bem-vinda ao Ninho do Crow. Reservei-te a melhor sute do clube. Espero que lhe 
d o visto bom. Tami, cu, avisa ao Buddy e lhe diga que leve a bagagem da senhorita Ellison a 300.
   Jackson seguiu lhe dedicando palavras amveis enquanto tomavam o elevador para subir  terceiro andar. Era um homem afvel, engenhoso e incrivelmente bonito. 
Quase to bonito como Kyle, mas em outro estilo.
   E, o mais importante, estava podre de dinheiro. Tinha milhes de dlares para dar e dar de presente.
   Alto, moreno, bonito e rico. Que mais podia pedir uma mulher?
   Possivelmente bebesse mais da conta, como lhe havia dito Kyle, mas naquele momento parecia achar-se totalmente sbrio. Ao Irish preocupava mais o comportamento 
do Jackson com o Tami. mostrou-se muito carinhoso com a espantosa loira. Se gostava das mulheres jovens e nubiles, Irish o deixaria bastante difcil. Era uns nove 
ou dez anos maior que Tami. E estava bastante pior dotada no que a peito se referia.
   Quando Jackson abriu a porta da sute 300, Irish conteve o flego ao ver o interior.
   A habitao, que dispunha de uma chamin de pedra e quadros de deliciosa fatura, era ao mesmo tempo rstica e opulenta. E a vista que se divisava das enormes 
janelas era impressionante. O campo de golfe se estendia pelas verdes colinas, flanqueado de rvores e dois pequenos lagos.
   Disseminados no meio da paisagem boscoso havia pequenos claros nos que uma espcie de mquinas parecidas com gafanhoto gigantes trabalhavam sem descanso.
   -O que so essas mquinas? -perguntou Irish assinalando a mais prxima ao campo de golfe. -So unidades de extrao de petrleo. Ela ficou boquiaberta.
   -Tuas?
   Jackson se encolheu de ombros. 
   -Da famlia. Ah, Buddy, deixa a bagagem da senhorita no dormitrio.
   Um jovem alto e magro, da idade aproximada do Tami, assentiu obedientemente com a cabea, e levou as malas  habitao contiga.
   -Parece-te bem a sute? -perguntou Jackson. -eu adoro.  perfeita.
   -Estupendo. Bom, deixo-te para que te instale a gosto. Se necessitar algo, no tem mais que me avisar. O almoo se servir dentro de uma hora. Quando baixar apresentarei 
a outros membros do clube. Seguro que estar desejando te pr mos  obra.
   -Mos  obra?
   -Quero dizer que querer reunir informao para o artigo o antes possvel.
   -Ah, o artigo. Sim,  obvio. 
   -Quer fixar uma hora precisa para fazer as entrevistas, ou prefere seguir um procedimento mais informal?
   -Prefiro o, n, segundo.
   Jackson sorriu.
   -Muito bem. Verei-te abaixo dentro de uma hora.
   Assim que Jackson se partiu, Irish comprovou as fechaduras. sentiu-se aliviada ao ver que, alm da fechadura normal, a porta contava com uma formidvel cadeia 
de segurana e um slido ferrolho. A seguir jogou uma olhada a -s janelas. Sabia que era uma estupidez, dado que a sute estava no terceiro andar, mas no se sentiu 
satisfeita at que se certificou de que as janelas estavam bem fechadas.
   As portas do balco expor mais dificuldades, mas Irish resolveu o problema colocando diante delas um sof.
   Talvez se estivesse comportando de forma paranica, mas sua psicloga lhe havia, assegurado que sua obsesso era perfeitamente normal dadas as circunstncias, 
e que iria diminuindo conforme passasse o tempo.
   
   Kyle tomou o auricular no mesmo momento em que o telefone comeou a soar.
   -Parece que estava sentado ao lado do telefone, primo -disse Jackson ao outro lado da linha-. Impaciente, n?
   -Deixa de tolices, Jackson. E Irish? 
   -J est comodamente instalada em sua sute.  uma mulher muito belo. No me importaria nada ter uma aventura com ela.
   -Nem a toques, amigo, ou no viver para cont-lo. 
   Jackson soltou uma gargalhada. 
   - a primeira vez que te vejo to coado por uma mulher. Logo que posso acredit-lo.
   -Pois acredita-o. Irish  muito especial para mim. No lhe haver dito que somos primos nem que Pete  seu av, verdade?
   -No, no falamos que isso. Quer me dizer a que vem to secreto? Devo me haver perdido algo. de repente, no quer que se saiba que somos parentes. Gesso que ultimamente 
no tenho feito nada que manche o nome da famlia.
   -No que eu saiba. Ao menos, durante o ltimo par de horas.
   Kyle deixou escapar uma risinho sardnica e logo contou ao Jackson todo o concernente ao Irish.
   -Ajudar-me a levar a cabo meu plano?
   -Se quiser... Mas a mim toda esta confuso parece absurdo. Poderia te economizar um monto de molstias lhe dizendo a verdade diretamente. Os dois seriam felizes 
e comeriam perdizes.
   -Isto  muito importante para mim, Jackson. Ajudar-me ou no?
   -J te tenho dito que sim. Darei ordens ao pessoal para que mantenham a boca fechada. Matt est em caminho. Pensa passar-se a visitar av antes de vir. Poder 
p-lo  corrente de tudo quando chegar.
   -J chegou. Falei-lhe do tema, mas no confio muito de seu irmo. Manten vigiado, quer?
   -Muito bem. Como est o av? 
   -muito melhor. Esta tarde a primeira hora o levarei a ortopedista. Alm disso, contratei a uma enfermeira para que o cuide durante nos prximos dias. Alma Jane 
e Jenny se ocuparo da loja. -Perfeito. No esquea que contamos contigo para o torneio de golfe que comea amanh.
   -No o esqueci. Embora me temo que, depois de ter levado seis meses sem tocar um pau de golfe, no vou luzir me precisamente.
   -A outro co com esse osso, primo. No me trago isso. Voc e seu irmo Smith poderiam ganhar no Matt e a mim com os olhos fechados.
   Kyle recordou todas as ocasies em que os dois casais de irmos se enfrentaram em competies de golfe e soltou uma risinho zombadora.
   - certo -admitiu-. Verei-te no Ninho do Crow esta noite.
   
   depois de desfazer a bagagem e contemplar as vistas durante uns minutos, Irish comeou a intranqilizar-se. No estava ali para admirar a paisagem. Estava ali 
para caar a um milionrio. E para isso tinha que fazer um pouco de investigao. retocou-se a maquiagem, agarrou uma caderneta e baixou ao vestbulo para ver se 
podia tirar alguma informao ao Tami.
   Resultou-lhe mais difcil do que tinha esperado em um princpio. A loira podia parecer uma miolos de mosquito, mas Irish no demorou para descobrir que depois 
da fachada frvola e superficial da moa se ocultava uma pessoa verdadeiramente inteligente e decidida a proteger a privacidade dos membros do clube.
   Irish s pde averiguar que naqueles momentos os nicos convidados que se hospedavam no clube eram doze milionrios procedentes do Texas. Todos tinham menos de 
quarenta anos e estavam solteiros. No obstante, conforme tinha comentado Tami, alguns deles estavam comprometidos ou tinham noivas formais.
   -Temo-me que  quo nico posso lhe dizer sobre nossos convidados -desculpou-se Tami-. Isso sim, posso lhe assegurar que todos so excelentes pessoas -acrescentou 
com uma risinho-. s vezes podem parecer um pouco amalucados, mas  compreensvel se se tiver em conta que vm aqui a relaxar-se com os amigos. Se quer conhecer 
algum dado pessoal sobre algum deles, ter que lhe perguntar ao Jackson ou ao prprio interessado, compreende-me? -inclinou-se para frente e adicionou em voz baixa-: 
Sei que  voc de confiar, mas se vou da lngua estarei automaticamente de patinhas na rua, por muito que Jackson seja uma das pessoas mais amveis que conheci nunca. 
E lhe asseguro que este trabalho eu adoro. Alm disso, Jimmy, Paulie e eu necessitamos o dinheiro.
   -Jimmy e Paulie?
   -Meu marido e meu filho. Ensinarei-lhe uma foto deles -Tami lhe aconteceu uma foto instantnea em branco e negro-. Jimmy vai  Universidade e pelas tardes trabalha 
nos estbulos do clube. Minha me fica com o pequeno durante o dia. Paulie tinha seis meses quando se tomou essa foto. J cumpriu nove, e quase comeou a andar.
   Irish deixou o mostrador sem logo que ter tirado nada em claro sobre o grupo de jovens milionrios.
   Enquanto caminhava, a imagem do Kyle lhe foi  mente. Fez um esforo por no pensar nele. Devia esquecer-se do Kyle e pensar no Jackson Crow.
   Jackson era endiabladamente bonito.
   E nadava na opulncia.
   Era, em definitiva, o homem perfeito. O homem que ela estava procurando.
   S lhe encontrava uma pega, e to insignificante que nem sequer merecia se ter em conta: Jackson no tinha despertado nela um desejo sexual imediato. Mas Irish 
estava convencida de que, se chegava a ter uma relao com ele, esse detalhe acabaria corrigindo-se. Ao fim e ao cabo, Jackson era um homem encantador e viril. Seguro 
que conseguiria excit-la com apenas lhe dar um beijo.
   Iene o caso improvvel de que no fora assim..., enfim, havia outros muitos milionrios entre os quais escolher. De fato, Irish tinha planejado estudar ao grupo 
com o maior parada possvel. A aquelas alturas, no descartava nenhuma possibilidade.
   Foi passeando por um atalho de pedra at chegar a uma pequena ponte situada sobre um pacfico regato. deteve-se e se apoiou no corrimo para contemplar a clara 
correnteza que discorria pelo estreito leito.
   Que tranqilidade se respirava ali. Irish se sentiu segura e a salvo em meio dos altos pinheiros que sussurravam balanados pelo vento. Era como estar em outro 
mundo.
   Fechou os olhos e, escutando os suaves sons que produziam os pssaros, aspirou fundo. Ao saborear o aroma do bosque pensou que sua vida anterior ficava muito 
longe no tempo.
   -Ol, preciosa -disse a suas costas uma voz masculina-. Levo toda a vida te buscando.
   Irish se deu meia volta, sobressaltada.
   
   Captulo Sete
   
   Ao princpio, Irish acreditou que era Jackson Crow quem lhe tinha falado, mas ao olh-lo-se deu conta de que aquele era um homem mais jovem. Era alto, com o cabelo 
e os olhos to negros como os do Jackson, mas tinha uns rasgos faciais mais suaves e uma marcado covinha no queixo. Tambm ia vestido com calas jeans e botas, mas 
levava uma camiseta de rugby em lugar de camisa. 
   -OH, ol -saudou-o Irish-. Sobressaltou-me. No acreditava que houvesse ningum por aqui.
   -Acabo de deixar a bagagem naquela cabana dali. Espero que sejamos vizinhos. 
   -Vizinhos?
   -aloja-se voc em alguma das cabanas? 
   -No -respondeu Irish-. Tenho uma habitao no edifcio principal.
   -V Por Deus! Esperava poder lhe pedir emprestada um pouco de acar ou alguma outra costure esta noite -dirigiu-lhe um sorriso arrebatador-. Sou Matt Crow. Quer 
um caramelo? -acrescentou ao tempo que lhe aproximava uma pequena bolsa amarela.
   -Meu nome  Irish Ellison. Obrigado, eu adoro os caramelos -tomou um da bolsa e o meteu na boca-. Mmmm, absolutamente delicioso. 
   Matt voltou a lhe oferecer a bolsa.
   -Os melhores caramelos do mundo, no lhe parece?
   -Os mais deliciosos que provei, sim. Mas no me atrevo a tomar outro. Se comear, acabarei com a bolsa inteira.
   Matt se ps-se a rir.
   -Cai-me voc muito bem, Irish Ellison. Deve ser a escritora, se no me equivocar.
   -No, no se equivoca. E voc deve ser irmo do Jackson.
   -Temo-me que sim. Vou ao clube a almoar. Acompanha-me? -ao ver que ela duvidava, fechou a bolsa de caramelos e a entregou-. Considere-o uma espcie de suborno 
-brincou.
   -Por favor, no posso aceit-los.
   -Tenho muitos mais na cabana -seu sorriso de menino inocente resultava encantadora-. E, se por acaso isso fora pouco, a fbrica  minha propriedade.
   -Possui voc uma fbrica de caramelos?
   -Sim, senhorita -ofereceu-lhe o brao e ela tomou pensar-lhe duas vezes.
   Enquanto caminhavam, Irish descobriu que Matt, quem tinha comeado sua caminhada profissional como advogado, tinha aes em vrias fbricas de madeira e no Crow 
Airlines, uma companhia area com apie em Dallas.
   -No viajou alguma vez em algum de nossos avies?
   -Creio que no.
   -Se tivesse pirado conosco o recordaria. Nossos pilotos vo vestidos conosco cubra e chapus de cowboy, e os azafatos levam calas jeans com peitilho. Lavramo-nos 
uma grande reputao. E nunca sofremos nenhum acidente.
   -Alguma vez? -perguntou Irish enquanto subiam pela escada principal do clube.
   -Nunca. Que nossos avies sejam baratos no significa que sejam inseguros. Contamos com o melhor pessoal e a melhor tecnologia do mercado.
   -Est voc orgulhoso de sua empresa, verdade?
   -Sim, senhorita. Muito orgulhoso -abriu-lhe a porta para que passasse.
   No interior do vestbulo havia dois homens. A gente era alto e enxuto. O outro era ligeiramente mais baixo e levava culos.
   -Ter que ver o bem que te d encontrar mulheres bonitas, Matt -comentou o baixo. 
   Matt fez uma careta zombadora. 
   -Uns temos sorte na vida, Harve, e outros devem lhes conformar sonhando. Irish, apresento ao Harve Dudley e ao Bob Willis. Irish vai escrever um artigo sobre 
ns para... Como se chamava a revista, Irish?
   -Esprit -estreitou-lhes a mo aos dois homens. Bob, que era bastante calado e tmido, dedicava-se ao negcio da terra e o gado. Harve, por sua parte, possua 
vrios concessionrios de automveis. -Se alguma vez necessitar um Cadillac novo, preciosa, eu sou seu homem.
   -No te entusiasme, muchachote -disse Matt-, ou Esther Ann te cortar as orelhas em menos que canta um galo -Harve se limitou a rir enquanto Matt explicava ao 
Irish que Esther Ann era sua noiva formal desde fazia oito anos-. A garota diz que o nico motivo pelo que Harve no quer casar-se  porque teria que deixar o clube.
   Durante o almoo, Irish conheceu vrios milionrios mais: dois chamados Jim, Carlton, Aaron, Noah, Mitch e Vernon, ao que todos chamavam Spud. Aquilo era o paraso 
para qualquer mulher que se proposto caar a um homem rico.
   Alguns, naturalmente, resultaram-lhe mais interessantes que outros. Irish no deixou de tomar notas e apontamentos sobre todos e cada um deles.
   -Falta um de nossos membros -explicou-lhe Matt-. Minha primo Smith se dedica  cria de gado e ao cultivo de vinhedos em Rio Grande. Por desgraa, no pde vir. 
Mas, em seu lugar, convencemos A...
   -Maldita seja, Matt! -exclamou Jackson ao tempo que dirigia a seu irmo um olhar de recriminao.
   -Tenho dito algo mau? -perguntou Matt sentido saudades.
   -Est monopolizando todo o momento a ateno desta bela senhorita. por que no procura o Harve? Creio que quer organizar uma partida de poquer -Jackson tomou 
ao Irish do brao e lhe dirigiu um sorriso quilomtrico-. Me acompanhe. Eu gostaria de lhe ensinar a piscina e os estbulos. Monta voc a cavalo?
   
   Irish deveu ter mentido. Deveu haver dito ao Jackson que no entendia para nada de cavalos. Mas cometeu o engano de lhe dizer que tinha cavalgado alguma que outra 
vez e que estava ansiosa por aprender a montar com uma cadeira das que se utilizavam no Oeste.
   assim, Jackson tinha passado horas tratando de lhe ensinar.
   Montar a cavalo era um martrio.
   Irish acabou com a cara interna das coxas irritada e com o traseiro feito p. Enquanto se dirigiam de volta para o clube, teve que apertar os dentes para no 
gritar e fazer desonestos esforos para no perder o sorriso.
   -Seguro que se encontra voc bem? -perguntou-lhe Jackson.
   -Sim, perfeitamente.
   -Nesse caso, que lhe parece se tomamos uma taa no bar?
   -Talvez mais tarde -apressou-se a responder Irish. O nico que gostava de era tomar um banho de gua quente. Caminhou muito erguida para o elevador, temerosa 
de que as pernas lhe falhassem em qualquer momento. Uma vez dentro, pulsou o boto do terceiro andar, fechou os olhos e tratou de resistir com integridade as ferroadas 
que lhe transmitiam suas terminaes nervosas.
   -V, que casualidade te encontrar aqui -disse uma voz masculina.
   Irish abriu rapidamente os olhos. 
   -Kyle!
   -O mesmo que viu e meia -respondeu ele com uma careta zombadora.
   -O que est fazendo aqui?
   -Estou subindo no elevador contigo.
   -Isso j o vejo. Referia a que faz no Ninho do Crow.
   -Ho-me convidado.
   -Que lhe ho convidado? Quem?
   A porta do elevador se abriu antes de que Kyle respondesse.
   -Jackson Crow. Somos velhos conhecidos. Criamo-nos juntos, virtualmente.
   -Mas s vieram os membros do clube de jovens milionrios.
   Kyle a convidou com um gesto a que sasse primeiro.
   -Sei. Resulta que um dos membros no pde vir e necessitam a algum que o substitua no torneio de golfe. Jackson sabe que sou muito bom jogador, assim decidiu 
me convidar no ltimo minuto. Alm disso, pensei que possivelmente necessitaria minha ajuda.
   -Sua ajuda?
   -Exato. J que est to decidida a caar a um marido rico, eu poderia te assessorar. por que coxeia, carinho? Tem-te cansado ou algo? Essas botas de salto alto 
so muito bonitas, mas no servem para caminhar por estes terrenos.
   Irish apertou os dentes enquanto introduzia a chave na fechadura.
   -No, no me tenho cansado. Eis estado montando a cavalo e tenho o corpo um pouco dolorido. Recuperarei-me assim que me meta na banheira e tome uns trs dedos 
de genebra. Ah, por certo, no necessito nenhum assessor, obrigado.
   -Parece que iriam de prolas os servios de um massagista.
   -Sim, de prolas -admitiu Irish com uma careta-. H algum no clube?
   -Consultarei-o. Toma um banho enquanto isso.
   - um cu, Kyle. Obrigado.
   -No as merece. Ao fim e ao cabo, para que esto os amigos?
   Irish notava cada vez mais dor nas coxas e as ndegas. Com cuidado, despojou-se da jaqueta e se dirigiu por volta do quarto de banho quase mancando. Depois de 
abrir do todo o grifo da banheira, sentou-se para tir-las botas e instantaneamente chiou de dor. Teria que provar outra ttica.
   Kyle bateu na porta nesse preciso momento.
   -Encontra-te bem, Irish?
   -No.
   -Posso te ajudar em algo?
   Sentiu o impulso de lhe dizer que se largasse e a deixasse em paz. Assim, ao menos, salvaria seu orgulho. Mas o certo era que necessitava sua ajuda desesperadamente. 
No podia meter-se na banheira com as calas jeans e as botas. E era incapaz de tirar-lhe sozinha.
   -Irish?
   -O que? -perguntou ela com tom cortante.
   -Necessita ajuda, carinho?
   -No me chame "carinho". E sim, necessito ajuda.
   -Posso entrar? -perguntou Kyle depois de uma larga pausa.
   Irish deixou escapar um suspiro de resignao.
   -Que remdio. Adiante, passa -quando Kyle abriu a porta, ela o olhou com olhos ferozes e lhe disse-: No te atreva a rir.
   -No me estou rendo. O que  o que te ocorre?
   -As quatro horas que passei em cima desse maldito cavalo foram uma autntica tortura.
   -Quatro horas! E era a primeira vez que montava?
   Irish negou com a cabea.
   -Embora deva confessar que no sou nenhuma perita.
   -E a que estpido lhe ocorreu levar a uma novata a cavalgar durante quatro horas seguidas?
   -Ao Jackson. Mas no foi culpa dela. Disse-lhe que os cavalos me davam bastante bem. Embora certamente suspeitou que tinha exagerado um pouco quando me ca a 
segunda vez.
   -A segunda vez?
   -Sim. A primeira vez senti muita vergonha, mas Jackson comentou que era algo que podia lhe ocorrer a qualquer. O cavalo colocou a pezua em um buraco e tropeou. 
No sei a que se deveu a segunda queda, mas Jackson disse que seria melhor que o deixssemos por hoje. Senti-me muito aliviada. No me explico como a gente desfruta 
cavalgando nessas bestas.
   Kyle amaldioou em voz baixa e fechou o grifo da banheira.
   -O que posso fazer por ti?
   -No sou capaz de me tirar as botas. Por favor, no te ria.
   -No me riria de ti por nada do mundo -ajoelhou-se diante dela e lhe tirou as botas com supremo cuidado.
   -Ah, que alvio -disse Irish.
   -lhe poder arrumar isso s com as calas?
   -Creio que sim.
   -Vejamo-lo.
   Irish, que estava acostumada a vestir-se e despir-se diante de outros devido a seu trabalho, voltou-se tmida de repente.
   -te volte.
   Kyle ps os olhos em branco, mas obedeceu.
   Irish se desabotoou a cremalheira das calas e comeou a baixar-lhe quando, de repente, sentiu uma pontada de dor. Para ouvi-la queixar-se, Kyle amaldioou de 
novo e se voltou para lhe dar uma mo.
   -Kyle!
   -Deixa de pudores. Se no fazermos algo, e logo, amanh pela manh no poder te levantar da cama. te faa a idia de que sou mdico.
   Irish no tinha mais remedeio que seguir o conselho. Deixou que lhe tirasse as calas e, sem dizer uma s palavra, colocou-se uma toalha ao redor da cintura para 
que Kyle pudesse despoj-la tambm das mdias.
   -Obrigado -disse lacnicamente-. O resto poderei faz-lo eu.
   -Est segura?
   -Absolutamente. Obrigado.
   -Poder te colocar na banheira sem ajuda?
   -Sim, arrumarei-me isso -esperava que Kyle partisse, mas no o fez. Em vez de ir-se, comeou a rebuscar pelo armrio do quarto de banho-. Que buscas?
   -Sai, mas parece que no h. Seguro que Jack-so ter algum frasco em sua sute. irei perguntar lhe.
   -Nem te ocorra lhe dizer para que as quer, Kyle Rutledge. Pensar que sou uma parva. Kyle lhe deu um beijo no nariz.
   -Tranqila, carinho. Manterei a boca bem fechada.
   -Deixa de me dizer "carinho"! S somos amigos, no o esquea.
   -Como voc diga, senhorita -teve a audcia de lhe dedicar uma sorrisinho cnica.
   Irish esperou a que partisse para acabar de despir-se e meter-se na banheira. Entre lamentos e gemidos conseguiu inundar-se na gua quente. reclinou-se e saboreou 
a maravilhosa sensao que experimentaram seus membros doloridos. 
   -Ahhhhhh.
   -Sente-se melhor? -disse uma voz ao cabo de vrios minutos, tirando-a repentinamente de seu agradvel estupor.
   Irish deu um coice e se cobriu o peito com os braos.
   -Kyle! Que demnios faz aqui?
   -Trago as sai. So muito boas para reduzir a inflamao. Ah, e no tenho dito nenhuma s palavra sobre ti.
   -Obrigado. E agora, tem a bondade de partir ?Quero desfrutar de do banho a ss.
   -Em seguida. Mas antes porei as sai na gua. Como j te tenho dito, imagine que sou seu mdico.
   Mas isso no resultava to fcil. Kyle levava uma camisa azul celeste que ressaltava a cor de seus preciosos olhos, umas calas jeans que acentuavam sua virilidade, 
e exibia um sorriso enviesado tremendamente sexy.
   -Me... resulta-me difcil -confessou ela.
   -Pois nesse caso -disse ele pestanejando-, pensa que sou um bom amigo. Porque somos amigos, no?
   -Sim.
   -Vamos l -Kyle abriu o frasco de sai e as verteu na gua. de repente, bateram na porta-. Tranqila, eu irei ver quem .
   -Mas, Kyle, no devem te encontrar aqui...
   -No se preocupe. Ser o botes, que traz as bebidas.
   -O que bebidas? -perguntou Irish. Mas ele j tinha sado do quarto de banho.
   Ao cabo de um par de minutos retornou com uma bandeja.
   -No disse que iria bem um gole de genebra?
   -Sim,  claro que sim.
   Kyle encheu duas taas e as colocou no bordo da banheira.
   -beba-lhe isso enquanto eu o preparo tudo para a massagem.
   Irish tomou um sorvo. A genebra estava geada, forte, perfeita.
   -Ah, que maravilha. Assim pudeste localizar a um massagista?
   -Tudo est solucionado, cari..., Irish. te relaxe e deixa-o em minhas mos.
   Irish ficou uma toalha ao redor do talhe e apareceu a cabea pela porta do quarto de banho. Kyle estava sentado em uma cadeira de balano, lendo uma revista. 
Mas na habitao no havia ningum mais.
   -Est lista para a massagem? -perguntou ele ao tempo que deixava a um lado a revista e ficava em p.
   Irish saiu e passeou a vista pelo quarto.
   -Onde est o massagista?
   -Tem-no diante. J est tudo preparado -Kyle se aproximou da cama, cujas colchas tinha retirado previamente. Em cima da mesinha de noite havia um monto de toalhas 
e botes de azeites e loes corporais.
   -Ah, no. Nem pensar-disse ela retirando-se quando viu que Kyle se aproximava.
   -Mas, carinho, me do Estupendamente as massagens. Seriamente.
   Irish notou que a boca lhe secava ao pensar na possibilidade de que Kyle lhe desse uma massagem. O corao comeou a lhe pulsar com fora.
   -No... no creio que... estivesse bem -disse titubeando.
   -por que no? Se formos amigos.
   -Sim, amigos. Mas uma massagem  algo muito ntimo. J te tenho dito que minha inteno  me casar com um milionrio, Y...
   -No compreendo onde est o problema.
   -Se no o compreende  que  idiota. J sabe como nos...
   -Como nos atramos? -perguntou Kyle. Uma dos comissuras da boca lhe curvou ligeiramente para cima.
   Irish se ateu ainda mais a toalha. 
   -No refiro a isso! Tenho-te dito milhares de vezes que s podemos ser amigos. Tem que lhe colocar isso na cabea.
   -No faz falta que grite, carinho. Capto perfeitamente a mensagem. Para ti no serei nunca mais que um amigo porque no tenho dinheiro. E teme que te d uma massagem 
porque poderia te excitar e isso complicaria as coisas. Estou ou no estou no certo?
   -Sim! No! Isso  o que voc gostaria, amigo. me d de uma vez essa maldita massagem -foi para a cama com passo decidido e se tombou de barriga para baixo-. Imaginarei 
que  meu mdico de cabeceira. E no volte a me chamar "carinho". 
   -Como quer, tesouro.
   Kyle lhe retirou a toalha das costas e ela soltou um gemido. antes de que Irish pudesse protestar, colocou-lhe uma toallita quente nas ndegas.
   -Comearei pelos ps -disse ao tempo que lhe levantava uma perna e lhe aplicava um pouco de loo.
   No passava nada porque lhe massageasse os ps. Poderia suport-lo.
   Mas Irish demorou muito pouco em trocar de opinio. Jamais tinha pensado que os ps fossem uma zona to ergena.
   Quando Kyle ascendeu e comeou a lhe massagear as pantorrilhas, ela teve que apertar os dentes para no exalar um gemido de prazer. Com cada movimento daquelas 
mos mgicas e maravilhosas, um sem-fim de imagens iam a sua mente. Imagens desenfreadas e erticas. Kyle foi subindo cada vez mais. Estendeu-lhe um pouco de loo 
pela parte superior da perna e Irish esteve a ponto de cair da cama. Deus bendito, quanto tempo poderia seguir suportando aquilo?
   Quando comeou a lhe acariciar a cara interior das coxas, ela se ps-se a tremer. Notou que o sexo lhe umedecia. 
   -te relaxe -disse Kyle. 
   -J estou relaxada! 
   Ele soltou uma risinho rouca.
   Maldita fora aquele sorriso. E malditos aqueles dedos. Finalmente, Irish comeou a sentir-se relaxada. A tenso pareceu esfumar-se de seus membros intumescidos.
   Mas, de repente, Kyle subiu  cama e se colocou de joelhos em cima dela. 
   -Mas que demnios faz? 
   -Chist. Assim me ser mais fcil. 
   Sim, claro. Mais fcil. Irish se disse que teria que jog-lo a patadas do quarto. Mas a loo e o contato suave de seus dedos nas costas lhe produziam um prazer 
muito grande.
    medida que os msculos se foram relaxando, Kyle comeou a diminuir a intensidade da massagem, lhe acariciando a pele com movimentos lentos e sensuais. Ela se 
sentiu como se flutuasse em um imenso mar de esponjas.
   Finalmente, quando lhe tirou a toalha das ndegas e comeou a lhe tocar zonas mais ntimas, Irish se achava muito extasiada para protestar.
   
   Captulo Oito
   
   Kyle seguiu massageando brandamente ao Irish at que notou que os msculos lhe relaxavam. Desfrutou de do contato da suavidade sedosa de sua pele nos dedos, e 
se recreou especialmente em uma zona prxima ao ombro onde Irish tinha trs preciosos lunares.
   Mas a simples explorao tateante no lhe satisfazia o suficiente. Sentiu um desejo quase doloroso de posar os lbios sobre aquela pele semelhante  porcelana, 
de sabore-la com a lngua. Mas no se atreveu. Ao fim e ao cabo, Irish confiava nele.
   -Irish -sussurrou-lhe.
   Ela no se moveu. ficou-se profundamente dormida. Kyle deixou de toc-la e contemplou atentamente seu rosto. Sem maquiagem, as cicatrizes que tinha na bochecha 
esquerda era perfeitamente visveis. Pensar na dor fsica e emocional que Irish teria sofrido o encheu de uma clera repentina. O que degenerado demente podia lhe 
haver infligido semelhante agonia?
   Um sentimento entristecedor de ternura invadiu seu peito e lhe atendeu a garganta. No podia suportar a idia de que algum voltasse a fazer machuco ao Irish. 
Inclusive se sentiu furioso com o Jackson por hav-la levado a cavalgar aquele dia. Em seu interior se desatou um profundo instinto protetor, to capitalista que 
quase se podia apalpar. Kyle se imaginou a si mesmo como um campeo armado com um escudo e uma espada, disposto a matar a qualquer drago que ameaasse a sua dama.
   Pensou em como reagiria ela se lhe falasse daqueles sentimentos, e sorriu. Provavelmente ao Irish daria um ataque. No obstante, ditos sentimentos estavam a 
e no podiam ser ignorados.
   Talvez Kyle Rutledge se apaixonou pela primeira vez em sua vida. No conseguia explicar-se por que tinha acontecido precisamente agora, mas lhe resultava impossvel 
negar as intensas emoes que buliam em seu peito.
   inclinou-se com supremo cuidado e lhe posou um suave beijo no ombro. Logo se desceu da cama e a agasalhou com o lenol. Irish precisava descansar. Mais tarde 
voltaria para comprovar se se encontrava bem.
   depois de jogar as persianas, Kyle recolheu suas botas e saiu silenciosamente da sute.
   Justo quando acabava de sair pela porta, notou que algum lhe punha uma mo no ombro.
   -V, pilhei-te com as botas na mo -disse Jackson com uma risinho maliciosa-. Lhe estiveste acontecendo isso bem com essa senhorita to encantadora?
   Kyle se sentiu sacudido por uma repentina exploso de clera.
   -Bastardo! -exclamou, e quase sem dar-se conta soltou a sua primo um murro na cara.
   Jackson se cambaleou e teve que apoiar-se na parede para no cair.
   -A que demnios veio isso? -perguntou desconcertado.
   -Tem uma mente e uma boca muito sujas. Alm disso, quase matas ao Irish com esse condenado cavalo. Logo que pode andar.
   -N, tio, vamos. Sinto o que tenho dito. Era uma brincadeira, nada mais.
   Kyle fez uma careta.
   -Pois no me tem feito nenhuma graa. Como diabos te ocorre ter a uma novata cavalgando durante quatro horas seguidas? Deveu te haver dado conta em seguida de 
que no sabia montar.
   -Dava-me conta, Kyle. Mas todos os tios do clube a estavam rondando. Includo Matt. Tratei de mant-la afastada deles o mximo tempo possvel. Seriamente est 
muito machucada?
   -Sim. Inclusive lhe custa trabalho caminhar.
   -Talvez deveria avisar a um mdico.
   -Eu sou mdico, Jackson.
   -Cirurgio plstico.
   -No faz falta ser traumatlogo para tratar um traseiro machucado. Por inteligente que seja, s vezes parece mais parvo que o que vendeu o carro para comprar 
gasolina.
   Jackson esboou um sorriso.
   -Est louco por essa mulher, verdade?
   Kyle aspirou fundo e logo foi soltando o ar lentamente. colocou-se as mos nos quadris e agachou a cabea.
   -Sim. Louco perdido. Mas est empenhada em casar-se com um milionrio. E com tanto ricachn como h por aqui me parece que o deixo bastante cru.
   -por que no lhe confessa que est podre de dinheiro? -disse Jackson-. Assim resolveria o problema de uma vez por todas.
   -J lhe expliquei isso. No quero que se inteire ainda, assim mais vale que mantenha a boca bem fechada. Por certo, Irish no deseja que ningum saiba que se 
machucou montando a cavalo. No lhe diga nada que possa humilh-la.
   -Muito bem. Alguma outra ordem, doutor? Kyle se ps-se a rir.
   -No, de momento basta com o que te tenho dito. Obrigado, Jackson. E lamento seriamente te haver golpeado. Quer que ponha uma compressa de gelo?
   -Tranqilo, sobreviverei.
   -Qual  minha habitao?
   -Reservei-te a sute contiga a do Irish -fez um gesto com o polegar em direo  porta-. Buddy acaba de deixar sua bagagem. por que no baixamos? Esto jogando 
uma partida de poquer e pressinto que hoje  meu dia de sorte.
   
   Irish no soube com segurana o que foi o que despertou. Talvez foi a fome, ou o aroma das rosas que subia do jardim, ou possivelmente o calor provocado pelo 
sonho ertico que acabava de ter. Jogou uma olhada ao relgio e descobriu consternada que eram quase as oito. Com razo o estmago lhe estava dando a lata. Devia 
dar-se pressa ou no chegaria a tempo para jantar com outros.
   Ao retirar o lenol viu que estava completamente nua. Recordou o motivo e se lamentou em voz alta. Como tinha permitido que Kyle lhe desse uma massagem, pelo 
amor de Deus?
   Acaso havia se tornado louca? No era de sentir saudades que tivesse tido um sonho ertico to intenso. Temendo mover-se, consultou de novo o relgio. Foi ento 
quando reparou no buqu amarelas que havia em cima da mesinha de noite. Estavam acompanhadas de uma nota do Kyle, na qual lhe dizia que a veria na hora do jantar.
   Que doce.
   Apesar de seus titnicos esforos por permanecer impassvel, Irish no pde evitar esboar um sorriso quando imaginou ao Kyle recolhendo aquelas flores para ela.
   "No! te esquea do Kyle. Pensa no Jackson. Ou no Jim, ou no Aaron, ou inclusive no Spud. Eles so os que tm as contas correntes substanciosas. Pensa em uma 
manso em Dallas, Houston ou Santo Antonio. Pensa de carros luxuosos. No pense no Kyle e suas flores..."
   sentou-se lentamente na cama. Seguia tendo os membros rgidos e doloridos, mas comeava a sentir-se melhor. Ao dirigir-se ao quarto de banho em busca da bata, 
comprovou aliviada que podia caminhar normalmente.
   Kyle fazia milagres com sua massagem. Mas jamais lhe permitiria que voltasse a tocar a daquela forma to ntima.
   Depois de maquiar-se cuidadosamente, ficou umas mdias de seda e um prendedor de cor verde plida. Assim que teve acabado de vestir-se, saiu a toda pressa do 
dormitrio... e ficou geada. A sala de estar da sute estava enche flores. Eram, em sua maioria, rosas vermelhas, mas tambm havia um par do Ramos de rosas amarelas. 
Irish leu os cartes e comprovou que um dos Ramos amarelos era do Jackson, quem lhe dava a bem-vinda ao Ninho do Crow. O outro o tinha enviado Mitch Harris, o ex-jogador 
de futebol profissional que na atualidade se dedicava  cria de cavalos. Na nota lhe pedia cortesmente que o acompanhasse no jantar.
   Os Ramos de rosas vermelhas eram do Jim, Aaron, Carlton e Spud. Todos eles lhe faziam o mesmo convite.
   Em cima da mesinha de caf havia uma enorme caixa envolta em papel dourado. Levava anexa uma breve nota assinada pelo Matt Crow. Irish se ps-se a rir. No precisava 
abrir o pacote para saber que estava cheio de caramelos.
   A seguir viu outra caixa mais pequena envolta na mesma classe de papel. Estava colocada ao lado de uma garrafa de Dom Prignon, nada menos. Irish abriu a caixa 
e em seu interior encontrou um diamante com uma preciosa cadenita de ouro. Tinha-o enviado Noah Birchfield, quem dava a bem-vinda ao Texas e lhe pedia que compartilhasse 
com ele o champanha depois do jantar.
   Que sutil.
   Lstima que Noah se estivesse ficando calvo.
   Mas, no fundo, o cabelo no era imprescindvel em um homem. Irish tinha ouvido comentar que os calvos eram verdadeiros peritos na cama. Decidiu incluir o Noah 
em sua lista de possveis candidatos.
   Enquanto ficava a cadenita, descartou mentalmente aos membros do clube que j estavam comprometidos. Todos lhe tinham enviado flores  exceo do Harve, Bob e 
MAC. No estava nada mal, no senhor. Jackson seguia sendo o candidato mais idneo. Mas se lhe falhava, poderia escolher entre outros sete milionrios do Texas que 
se mostraram interessados nela.
   Irish esboou um amplo sorriso de satisfao. Qualquer mulher se haveria sentido adulada naquelas circunstncias.
   Quando se dispunha a sair ouviu rudos na fechadura da porta. Algum tinha introduzido uma chave. Irish ficou paralisada pelo medo. Tinha esquecido jogar a cadeia 
de segurana!
   A porta se abriu lentamente e ela gritou sem poder evit-lo.
   A intrusa, uma mulher loira de mdia idade, levou-se a mo ao peito e retrocedeu um passo.
   -meu deus, sinto-o muito. Pensei que seguiria voc dormida. Deu-me um susto de morte! Sou Pat, uma empregada do clube. Passei-me as ltimas horas entrando na 
sute todas essas flores com o maior sigilo possvel para no despert-la. O cavalheiro chamado Kyle disse que me esfolaria se despertava -soltou uma risinho nervosa 
e totalmente sincera.
   Irish sorriu.
   -Duvido muito que fora capaz de cumprir sua ameaa, Pat.
   -Sim, eu tambm. Mesmo assim, no queria despert-la. Kyle disse que no se encontrava voc muito bem. Mas os moos insistiram em lhe enviar todos esses presentes 
e flores. Menos mal que ficava papel de envolver das passados natais -ficou olhando o pacote que levava nas mos-. J no fica papel dourado, mas MAC insistiu em 
que lhe trouxesse este pacote em seguida. Imagino que no querer que outros lhe adiantem. Tenha -disse lhe entregando o pacote.
   -Obrigado. foi muito amvel por sua parte tomar-se tantas molstias.
   -No foi nenhuma molstia. O eis feito encantada. Demorar muito em baixar para jantar? Os moos no querem comear at que voc chegue, e precisam comer algo 
para seguir em p depois da quantidade de usque que estiveram bebendo.
   Irish se ps-se a rir. 
   -Baixarei dentro de um par de minutos. 
   Quando Pat se partiu, Irish abriu o pacote. Em seu interior encontrou um livro escrito pelo MAC onde se explicava como encontrar o tesouro de um galen pirata 
fundo. Do mesmo modo, confessava que Irish lhe parecia mais valiosa que o mais rico dos tesouros. Entre as pginas do livro havia um reluzente dobro de ouro.
   Irish sorriu, lanou a moeda ao ar e a recolheu em pleno vo. assim, eram oito os milionrios interessados. Depois de introduzir o dobro no prendedor para que 
lhe desse sorte, saiu da sute cantarolando "Os diamantes so os melhores amigos de uma garota".
   
   Kyle soube que Irish tinha entrado no comilo porque Spud se deteve de repente, deixando pela metade a piada subida de tom que estava contando. Noah, Aaron, MAC 
e Carlton olharam para a porta de entrada e instantaneamente ficaram em p, gesto que em seguida emularam outros.
   Ao cabo de uns segundos, todos os homens que havia na sala,  exceo do Jackson e o prprio Kyle, correram junto ao Irish, disputando-se a base de empurres 
e cotoveladas um lugar preferencial ao lado da recm chegada. Kyle nunca tinha visto nada igual. Eram homens adultos com cargos importantes, e pareciam quinceaeros 
que brigassem pelas entradas de um concerto de rock.
   Meneou a cabea e olhou ao Jackson, quem permanecia sentado com um sorriso zombador desenhado no rosto.
   -Que mosca lhes ter picado? Qualquer diria que  a primeira vez que vem uma mulher bonita.
   -Bom, ter que reconhecer que Irish  algo mais que uma mulher bonita -respondeu Jackson-. Alm disso, os moos esto habituados a competir entre si. Reconheo 
que me sinto tentado de me unir  aposta.
   -Aposta? Que aposta?
   -apostaram para ver quem consegue convid-la para jantar. O bote  de dez mil dlares.
   Kyle fez um gesto de desagrado.
   -Acabaro curvando-a e no jantar com nenhum. Vamos, me ajude a lhe tirar de cima a esses imbecis. Ao fim e ao cabo, so teus colegas.
   Jackson se levantou, aproximou-se do grupo de homens e disse em tom tranqilizador:
   -Vamos, cavalheiros, lhe demos uma pausa  senhorita.
   -lhes aparte, maldita seja -grunhiu Kyle ao tempo que tentava abrir acontecer com cotoveladas e trancos-. No a curvem.
   Irish se alegrou muito quando viu o Kyle e ao Jackson tratando de abrir acontecer com travs do grupo de homens que se formavam redemoinhos a seu redor. sentiu-se 
adulada ao receber tantas cuidados, como se fora Escarlate Ou'Hara em uma de suas tpicas e fastuosas festas. No obstante, tambm comeou a sentir certo medo ante 
tanto homem junto.
   -Obrigado -disse a seus rescatadores-. Estou um pouco esmagada.
   Os homens se queixaram, mas finalmente retrocederam em deferncia a seu anfitrio.
   -Demnios, Jackson -protestou Spud-. Devemos imaginar que tentaria algo assim. Mas recorda que  nem sequer quiseste  participar da aposta.
   Kyle sorriu ao Irish e lhe apertou a mo em um gesto de cumplicidade.
   -Todos estes cavalheiros desejam desfrutar de sua companhia no jantar. por que no lhes economiza mais apuros e escolhe a um?
   Irish olhou um a um os rostos espectadores que a rodeavam. Sentiu o impulso de escolher ao Jackson, mas outros tambm se mostraram muito amveis e cavalheirescos, 
de modo que no queria lhe fazer um feio a nenhum deles. 
   -Resulta-me muito difcil escolher, a verdade. 
   -Proponho algo -atravessou Jackson ao tempo que desprendia de um dos cabides um chapu Stetson-. por que no metem no chapu seus cartes? Sugiro que Irish tire 
trs. O primeiro eleito jantar com ela, o segundo a acompanhar  durante  a  sobremesa  e o   terceiro  poder convid-la a uma taa depois do jantar. 
   -E qual se leva o bote? -quis saber MAC. 
   -que saia eleito primeiro -respondeu Jackson-. Porei dinheiro por mim e pelo Kyle.
   -De que bote falam? -perguntou- Irish ao Kyle em voz baixa.
   -Fizeram uma pequena aposta para ver quem  o primeiro que consegue te convidar para jantar.
   produziram-se umas quantas protestos, mas finalmente todos aceitaram a proposta do Jackson e introduziram no chapu seus cartes. Kyle jogou mo de sua carteira 
para tirar a sua, mas se deteve. No podia utilizar seu carto porque nela figurava sua profisso, alm de seu nome. assim, tomou uma do Jackson, arranhou o nome 
e escreveu o seu no reverso.
   -por que introduz seu carto no chapu? -perguntou-lhe Irish.
   Kyle pestanejou uns instantes e disse:
   -Em caso de ganhar, vir-me bem o dinheiro.
   -V, muito obrigado -respondeu ela em tom sarcstico-. Sinto-me como se fora um dos prmios que revistam oferecer-se nos pacotes de bolachas.
   -No tem por que sentir-se assim, senhorita -disse Spud-. A aposta  um simples divertimento inocente. Embora perca esta noite, sentiria-me muito honrado se aceitasse 
jantar comigo manh.
   -E um corno -atravessou Aaron-. Tinha planejado lhe pedir que jantasse comigo.
   -Igual a eu -apressou-se a dizer Mitch Harris.
   -Vamos, vamos, moos -interrompeu-os Jackson-. J resolveremos essa questo mais tarde. O primeiro  o primeiro -revolveu os cartes e aproximou o chapu ao Irish-. 
Possivelmente at convenamos  senhorita para que obsequie com um beijo ao ganhador -adicionou lhe piscando os olhos o olho.
   -Disso nem pensar -murmurou Kyle olhando a sua primo com cara de poucos amigos.
   Irritada pela atitude do Kyle, Irish esboou um radiante sorriso e disse:
   -Faria-o com muitssimo gosto.
   Os integrantes do grupo sorriram imediatamente.
   -Pois vete preparando, preciosa -disse Carlton Gramercy ao tempo que se esfregava as mos-. Hoje me sinto afortunado.
   Finalmente, Irish introduziu a mo no chapu e removeu por ltima vez os cartes. A seguir fechou os olhos, pensando que talvez seu futuro dependesse do nome 
que estava a ponto de extrair, e respirou fundo.
   Escolheu um carto. No, eram dois, mas pareciam estar pegas. Depois das separar, deixou uma no fundo do Stetson. Os dedos lhe tremeram conforme tirava o carto 
do ganhador. "Por favor, que seja Jackson", repetiu mentalmente uma e outra vez.
   -Vamos, carinho, que nos tem em velo -disse Spud-. nos diga quem foi o afortunado.
   Irish deu o carto ao Jackson.
   -Prefiro que s voc.
   Ao ler o nome que figurava no carto, Jackson arqueou as sobrancelhas e sorriu de brinca a orelha.
   -V, v, v -limitou-se a dizer.
   Captulo Nove
   
   Irish abriu os olhos de par em par.
   -Kyle Rutledge? Mas... mas...
   -No podemos lutar contra o destino, querida -disse Kyle soltando uma risinho.
   -Mas... mas...
   -Que sorte tem! -disse Carlton lhe dando ao Kyle uns tapinhas nas costas-. N, Jackson, deixa esse chapu a. A senhorita ainda tem que tirar dois cartes mais.
   -Est bem. Irish, escolhe acompanhante para a sobremesa e o caf.
   Irish colocou de novo a mo no chapu e tirou outro carto. Esta vez olhou o nome.
   -Vernon Hall.
   -Demnios, esse sou eu!
   -E agora escolhe para as taas de depois do jantar.
   Irish extraiu um terceiro carto.
   -Noah Birchfield.
   -Ento meu presente foi o apropriado -disse ele sorrindo e inclinando-se ligeiramente.
   -Isso parece -disse Irish-. Embora ter que p-lo em gelo.
   -Direi ao Pat que o vigie -disse Noah.
   -No sei que  o que lhes trazem entre mos, mas sonha a algo pecaminoso -disse Harve sorrindo-. N, Jackson, e o que passa com outros? Quando nos toca ?
   -te ande com cuidado -disse MAC-, ou terei que chamar o Esther Ann para lhe dizer que no te est levando como  devido.
   -Nem te ocorra. A senhorita simplesmente deseja fazer umas quantas averiguaes para seu artigo. No  assim, senhorita Ellison?
   -Assim , senhor Dudley -disse Irish renda-se. 
   -Direi-lhes o que vamos fazer -atravessou Jackson-. Confeccionamos uma lista, sorteamos as papeletas e amanh depois do caf da manh pomos os resultados no tabln 
de anncios.
   -Mas, quem a leva a tomar o caf da manh? -perguntou Aaron.
   -Eu mesmo -disse Jackson. 
   -N, tio, nem sequer o sorteaste. 
   -Pois me denuncie -respondeu Jackson com uma careta zombadora.
   -Vamos jantar de uma vez? -perguntou- Kyle ao Irish lhe oferecendo o brao. Ela entreabriu os olhos e suspirou. 
   -Me d vontade de te estrangular -murmurou enquanto se dirigiam a uma das mesas-. por que demnios teve que pr seu carto no chapu?
   -J te disse que me viria bem o dinheiro. Alm disso, desfruto estando contigo.
   -Mas j sabe que procuro um milionrio. Deixei-o bastante claro.
   -No h dvida disso, e no o vou esquecer. Faremos uma coisa. Eu serei seu assessor e te darei informao sobre todos estes tipos. Seguro que querer te desembaraar 
de algum deles. 
   -Ah, sim?
   -Seguro. Por exemplo, arrumado a que MAC no vai contar te que esteve no crcere. -No crcere?
   -Sim. E se est interessada em perder de vista a algum destes tipos, vais necessitar minha ajuda.
   -Est seguro de que Jackson bebe muito? Eu no o notei.
   -Confia em mim. Parece um autntico bbado. Prefere carne ou pescado?
   -Pescado. A propsito, quanto dinheiro ganhaste?
   -Doze mil.                                                  
   -Doze mil dlares?
   -Sim. O que prefere com o pescado, arroz ou batatas?
   -Arroz. Quer dizer que todos puseram mil dlares?
   -Sim. Salada?
   -Sim. E de onde tirou voc os mil dlares?
   -De nenhum stio. Jackson os ps por mim.
   -Isso vale?
   - obvio que vale. Ganhei, no? Jackson me disse que pagaria todos meus gastos se acessava a jogar golfe com eles. Veio?
   -Sim, obrigado. Ainda no o vejo muito claro. Se o dinheiro era do Jackson, ele deveria ter ganho a aposta.
   -Disso nem pensar. Tirou meu carto. Assim ganhei eu. Essas eram as regras. No pense mais nisso, Irish. No merece a pena. Jackson est forrado.
   O garom lhes serve uns pozinhos quentes e Kyle lhe pediu o jantar.
   -Crie que Matt, seu prprio irmo, houvesse- devolvido o dinheiro ao Jackson se ele tivesse ganho? Claro que no. Pois eu tampouco. Alm disso, vou necessitar 
o para jogar poquer.
   -Ao poquer? Te vais jogar poquer essa quantidade de dinheiro? No posso acredit-lo. 
   -Voc molesta que o faa?
   -Se lhe pudesse permitir isso no. Todos estes homens so milionrios, Kyle. Para eles cem dlares no so nada. Creio que deveria colocar esse dinheiro no banco. 
Possivelmente Noah pudesse te aconselhar como investi-lo. Conhece o mundo dos bancos e parece um homem muito agradvel.
   -No creio que o seja tanto. Me olhe de uma maneira muito estranha. Apostaria a que  um estelionatrio. 
   -Vamos, Kyle, no diga tolices. 
   -No me surpreenderia. Investigarei por a. E voc tome cuidado com o Spud Hall. Eis ouvido dizer que os negcios no vo muito bem.
   -Quer dizer que est arruinado? 
   -Quase. Ouvi como lhes pedia um emprstimo a dois do grupo.
   -Que lstima. Mas, Kyle, se Spud estiver to necessitado de dinheiro deveria lhe devolver seus mil dlares.
   -De maneira nenhuma.  um homem muito orgulhoso, e, neste momento, para ele mil dlares so como uma gota em um cubo de gua. Tem milhes. Por certo, se rumorea 
que Carlton Gramercy anda tambm em terreno movedio. Faz tempo que as companhias que fabricam materiais para as jazidas petrolferas esto passando por dificuldades 
graves.
   -Ah, sim?
   -Sim. Esses dois tero que renunciar a seu carto de scios o dia menos pensado. E Mitch Harris...
   -O que acontece Mitch?
   -dio ter que falar disso. S so rumores. Ah, j chega o vinho.
   Kyle trocou de tema e se mostrou como um acompanhante encantador, entretido e atento.
   Era um homem to atrativo e to... sexy que incitava ao pecado. Possua o dom especial de faz-la sentir como se fora a mulher mais bela e fascinante do mundo. 
Mas...
   Irish emitiu um suspiro.
   Kyle tinha tudo o que ela procurava salvo uma coisa. Dinheiro.
   Em definitiva, no lhe convinha como marido.
   Dirigiu-lhe um brilhante sorriso, retirou a cadeira e se levantou.
   -O jantar estava delicioso. Agora, se me desculpar, reunirei-me com o Vernon para tomar a sobremesa e o caf.
   -Mas se ainda no terminamos o primeiro prato.
   Irish olhou a salada que se deixou ao meio comer.
   -OH -exclamou surpreendida e voltou a ocupar a cadeira, sentindo-se como uma completa estpida.
   -Acaso est nervosa? -perguntou Kyle.
   -um pouco, possivelmente. Todos estes milionrios so um pouco desalentadores.
   -te tranqilize -disse ele lhe apertando brandamente a mo-. Esses tipos ficam as calas colocando primeiro uma perna e logo outra, como qualquer pessoa. Embora, 
certamente, eu no gostaria de me encontrar a ss com nenhum deles.
   -por que no? -perguntou Irish ao tempo que retirava a mo.
   Kyle arqueou as sobrancelhas e se encolheu de ombros.
   -Recorda que adoram competir entre si.
   No me surpreenderia que tivessem entre mos outra aposta, Y... -encolheu-se de ombros novamente.
   -Quer dizer que esto apostando em ver quem liga antes comigo?
   -Bom, tampouco tenho dito isso, nenm.
   -Mas o insinuaste.
   -Esquece que o mencionei. Estou seguro de que no tem nada que temer. Nunca ouvi que no clube se fizesse nada parecido. Ah, j chega o pescado.
   Irish no pde esquec-lo. Tinha tal n no estmago que logo que pde provar bocado.
   A sobremesa com o Spud foi bastante tranqilo. Felizmente, no tentou lev-la a sua habitao nem coloc-la em nenhum dos armrios onde se guardavam os trastes 
da limpeza. Mais que nada, falou da ponte que estava construindo e dos jeans de Dallas. Era um homem agradvel, mas muito rude para ela, mesmo que no tivesse problemas 
financeiros.
   Noah Birchfield, um dos poucos membros do clube que no dava a impresso de levar botas de vaqueiro todo o tempo, era farinha de outro costal. O banqueiro, de 
maneiras suaves e corteses, levou-a a uma mesa apartada situada em um alpendre contigo. Irish viu uma garrafa de champanha esfriando-se em uma cubetera de prata. 
Em cima da imaculada toalha de linho havia vrios pratos de queijo e morangos cheios de chocolate.
   - maravilhoso -disse Irish enquanto Noah lhe aproximava uma cadeira.
   -Nem a metade de maravilhoso que voc, querida. Irish sentiu como lhe subiram as cores quando ele se inclinou e lhe agarrou a mo em um elegante gesto de cortesia.
   A luz das velas iluminou o couro cabeludo do Noah enquanto lhe roava os dedos com os lbios. Enfim, disse-se Irish com resignao. Que importncia tinha uma 
pequena calva quando a gente podia suprir a falta de cabelo com imensas quantidades de dinheiro? Alm disso, na atualidade os transplantes capilares obravam milagres.
   -Mas que demnios faz?
   Kyle se sobressaltou para ouvir a voz do Jackson.
   -Levam j trs taas de champanha e se esto pondo morados de morangos.
   -Esse Noah  um muito suave. No deixa que a erva cresa sob seus ps. No sei o que  o que tem, mas creio que as mulheres se voltam loucas com ele. Parece bastante 
entusiasmado com a senhorita Ellison.
   -E um corno! Irish  minha!
   -Possivelmente deveria dizer-lhe a ela. Parece encontrar-se muito a gosto com o Noah. A propsito, deve-me doze mil dlares e um beijo.
   -De que falas? No te devo nada. E no penso te beijar, certamente.
   -Enfim, tampouco me vou morrer por isso -disse Jackson com uma sorrisinho-. Qual  o homem mais afortunado que conhece?
   Kyle no teve que pensar-lhe muito. Era Jackson. Sempre o tinha sido. Inclusive quando o av Pete deu a cada um de seus netos um milho de dlares como presente 
de graduao, prometendo multiplicar a quantidade por dez se o receptor dobrava o milho em dois anos, Jackson tinha tido um golpe de sorte. Em lugar de investir 
o dinheiro ou montar um negcio, como fizeram outros, Jackson comprou loteria.
   E v se ganhou. Onze milhes de dlares.
   -O que tem que ver sua sorte com que eu te d um beijo?
   -Para falar a verdade, estou mais interessado em seu dinheiro. Entretanto, no me importaria que me desse nosso beijo querida senhorita Ellison.
   -Que nome crie que tirou Irish desse chapu?
   -No foi o meu?
   -No. Fiz armadilha quando ela me pediu que o lesse. No te interessa saber aonde vo? -perguntou Jackson estirando o pescoo para olhar pela janela.
   -me deixe ver -disse Kyle apartando a sua primo para poder ver melhor-. aonde foram?
   -Ao lago.
   -Como a toque, rompo-lhe as pernas.
   -E voc  mdico? O que me diz de seu juramento hipocrtico?
   -Esse tipo no  meu paciente. Romperei-lhe as pernas.
   
   Irish compreendeu muito tarde que dar um passeio com o Noah para contemplar os peixes no tinha sido, nem muito menos, uma boa idia. No s estava muito escuro 
para poder distinguir os peixes, mas tambm, alm disso, fez-se bvio que Noah tinha bebido muito. Obviamente teria tomado algumas monopoliza antes de reunir-se 
com ela. Seu comportamento tinha deixado de ser to corts como ao princpio.
   Aquele homem estava completamente bbado.
   Quando lhe deslizou a mo pela cintura para lhe agarrar as ndegas, ela se separou dele rapidamente.
   -OH, OH. Nada disso, senhor Birchfield. 
   -Noah, preciosa. me chame Noah -disse equilibrando-se sobre ela-. Eis estado desejando provar o sabor desses deliciosos lbios desde a primeira vez que te vi. 
Vamos, me d um beijo.
   Ela tratou de esquiv-lo, mas lhe plantou um mido beijo na bochecha e comeou a lhe acariciar o pescoo com os lbios. O pnico comeou a apoderar-se do Irish. 
"te tranqilize, te tranqilize", disse-se. Podia dirigir a situao sem problemas. Aquele homem estava bbado, simplesmente. Irish j tinha sado adiante em situaes 
como aquela.
   Irish se secou a bochecha e o separou de si. 
   -Senhor Birchfield, por favor. 
   -Noah.
   -Noah, por favor, me deixe. bebeu muito e no sabe o que faz.
   -Sei muito bem. Fao o que os dois quisemos fazer desde que te dava o primeiro morango.   .
   Que estpida tinha sido ao flertar com ele! Noah a abraou com fora e procurou de novo sua boca.
   Ela sacudiu desesperadamente a cabea de um lado a outro, tratando de evitar o contato de seus lbios.
   -me deixe, por favor, me deixe. Noah lhe colocou o joelho entre as pernas e lhe introduziu a mo debaixo da blusa. O tecido se rompeu e uma corrente de lembranas 
horrveis foram  memria do Irish. Lanou um grito que rasgou o Silncio da noite.
   - um porco! -gritou algum detrs dela. De repente, Irish estava livre, mas no podia deixar de gritar.
   ouviu-se um murro e algum caiu ao lago.
   Logo, outros braos a rodearam. Um aroma masculino familiar a envolveu e a confortou. -Kyle?
   -Sim, carinho, sou eu. te acalme. J aconteceu tudo.
   -Kyle, eu... ele...
   -Chist. No diga nada.
   -O que passou? -perguntou Jackson, que nesses momentos se aproximava correndo.
   Kyle seguiu abraando ao Irish e lhe dando tapinhas tranqilizadores nas costas.
   -Ser melhor que tire o Birchfeld do lago antes de que se afogue. Mas te asseguro que se voltar a ver esse filho de cadela sou capaz de mat-lo.
   -Ao inferno com o Birchfield -respondeu Jackson-. Irish est bem?
   -Fisicamente, creio que sim. Mas emocionalmente est afundada.
   -Chamo um mdico?
   -Por Deus, Jackson!
   -Ah, sim. Esqueci-o. Escuta, por que no a leva a essa cabana at que se acalme um pouco? Ningum a ocupa e no est fechada com chave. Eu me encarregarei do 
Noah.
   Kyle balanou ao Irish em seus braos e a conduziu  cabana. Ela lhe pendurou do pescoo como se fora uma menina e recostou a cabea em seu peito. O corpo inteiro 
lhe tremia como se lhe estivesse congelando.
   Kyle a levou dentro, acendeu a luz e se sentou no sof com ela no regao. Os dentes lhe tocaram castanholas quando tentou falar.
   -Chist. J passou tudo, carinho. Tem frio?
   Irish assentiu energicamente.
   -Acendo o fogo?
   Irish assentiu de novo com a cabea. Quando ele tentou deix-la a um lado e levantar-se, ela lhe agarrou ao pescoo.
   -Carinho, no posso te sustentar e acender o fogo de uma vez.
   -te esquea do fogo. me aperte muito forte e no me deixe sozinha. Tinha medo, muito medo. Noah me trouxe lembranas horrveis do homem... do homem de Nova Iorque. 
Entrou em meu apartamento e tentou... tentou me violar. Eu resisti e ele me fez um corte na cara. Gritei e gritei sem parar. me abrace, Kyle. me abrace e no deixe 
que me faam mal.
   -Chist. No permitirei que lhe faam mal. Nem te deixarei sozinha.
   Durante um bom momento permaneceram abraados, sem falar, sem mover-se. O nico que se ouvia na habitao era o som da respirao de ambos e o tictac de um relgio 
que havia em cima da chamin. Ao cabo de um momento, Irish deixou finalmente de tremer.
   -No me violou. Fugiu e nunca o encontraram. Um cirurgio plstico me arrumou a cara, e um psiclogo me ajudou a super-lo. Agora estou bem.
   - obvio que o est.
   -Sim, realmente me encontro bem.
   -Quase.
   Kyle a abraou com mais fora. Pouco a pouco a tenso que Irish tinha sentido em todo o corpo se foi dissipando. Ele notou como ela se relaxava entre seus braos.
   -Deus, sinto-me como uma estpida -disse Irish suspirando profundamente.
   -Pois no tem aspecto de estpida.
   -Que aspecto tenho?
   -Tem o aspecto de uma bela mulher a que um nscio insensvel deu um bom susto.
   -Comeou sendo muito amvel, mas estava bbado.
   -No h desculpas que valham. -No soube controlar a situao. Creio que exagerei. Comearam a me vir lembranas muito desagradveis e tive medo.
   -Mesmo assim, ouvi como dizia ao Birchfield que te soltasse, mas ele no o fez. No trate de desculp-lo. Nada do que ocorreu  tua culpa. Eu gostaria de castrar 
a esse porco com umas tesouras de podar. Eu gostaria...
   -Vamos, Kyle, quem est exagerando agora? Kyle tentou seguir falando, mas as palavras lhe engasgaram. Seus olhares se encontraram e uma fasca de luz resplandeceu 
entre os dois. Ele morria por beij-la, mas sabia que Irish estava muito vulnervel e de maneira nenhuma satisfaria seu desejo a costa dela.
   Alm disso, tal e como ele se sentia, um beijo no seria suficiente. No, teria que deix-lo para mais adiante.
   -No que estas pensando? -murmurou ela. 
   -Em nada.
   - um mentiroso.
   Irish elevou a cabea e situou os lbios  altura da boca do Kyle.
   -Devo-te um beijo -sussurrou.
   -Ah, sim?
   -Sim, por ter ganho.
   Suas bocas se atraam como se fossem ms.
   -Irish, penso que no  boa IDE...
   -No pense em nada. S me beije.
   
   
   Captulo Dez
   
   Kyle no necessitou que o dissesse duas vezes. Aproximou sua boca a do Irish e ela sentiu profundamente a intensa paixo que envolvia seus corpos. No deveria 
estar fazendo aquilo, disse-se a si mesmo enquanto se apertava contra ele, mas se sentia como no muito mesmo cu.
   -Irish, carinho, no est bem que faamos isto depois do que acaba de passar -disse Kyle enquanto lhe beijava o pescoo.
   -Tranqilo, no passa nada -disse ela jogando a cabea para trs para lhe facilitar o passo-. E, por favor, no te vs fazer uma idia equivocada. Isto no significa 
nada.
   -J sei, carinho -murmurou Kyle sem deixar de beij-la.
   -S necessito que me consolem.
   -Sei, cu -respondeu ele ao tempo que lhe tirava a cadeia de ouro do pescoo e a deixava em cima da mesinha.
   Exalando um intenso suspiro, Irish afundou os dedos no espesso e maravilhoso cabelo do Kyle e o convidou a seguir para baixo. Ele foi desabotoando todos os botes 
que encontrava a seu passo. Faria tudo o que fora necessrio para prolongar o prazer.
   -Kyle, por favor.
   -O que, meu amor?
   -Tome. faa-me isso com a boca.
   O lhe desabotoou o prendedor e o deixou a um lado.
   -Aqui? -perguntou Kyle lhe tocando os mamilos com a ponta da lngua.
   -OH, sim, a.
   -Voc gosta?
   -Muitssimo. Segue um pouco mais.
   O seguiu, tal como lhe pedia. Ao cabo de uns minutos, ambos se encontravam nus. No havia zona no corpo do Irish que ele no tocasse. E a pele dela se voltou 
mil vezes mais sensvel ao sentir o contato de seus dedos, de seus lbios, de sua lngua.
   -Kyle, OH, Kyle -sussurrou Irish embargada pelo desejo.
   -O que quer, nenm?
   -Quero te ter dentro de mim. Agora.
   -Est segura de que o deseja, Irish?
   -claro que sim!
   -J te recuperaste que os machucados que sofreu montando a cavalo?
   -Que cavalo?
   -O cavalo do Jackson.
   -Encontro-me perfeitamente.
   Kyle comeou a abrir-se passo entre as pernas do Irish. No obstante, quando estava a ponto de penetr-la, deteve-se.
   -O que passa agora?
   -Necessitamos amparo.
   -No tem nada?
   -Espero que sim.
   Kyle agarrou as calas do cho e comeou a rebuscar nos bolsos.
   -No estar tomando a pildora, por acaso?
   -No, nem levo preservativos. No acreditei que fora a necessit-los.
   -me espere aqui. No te mova.
   -aonde vai?
   -Ao banho. Espero que esta cabana esteja equipada com todo o necessrio.
   Estava-o. Coma de que Irish se desse conta do que ia acontecer, Kyle se encontrava de novo a seu lado, beijando-a, lhe murmurando palavras de amor, envolvendo-a 
em um louco frenesi.
   Quando a penetrou, Irish se sentiu como se tivesse estado esperando aquele momento durante toda sua vida. aferrou-se fortemente a ele e juntos comearam a mover-se 
em perfeita sincronizao.
   No existia outro lugar, nem outro momento. Cada segundo durava uma eternidade. Seus frenticos movimentos os levaram a cho, mas a paixo seguiu crescendo entre 
suas lnguas, que se buscavam, entre suas mos, que se acariciavam com desespero.  medida que se foram aproximando do clmax, lhe repetia uma e outra vez palavras 
de amor provocadoras, e os gritos e os movimentos dela aumentaram de forma incontrolvel.
   -Sim! -exclamou Irish soluando ao notar que uma onda de prazer estalava em seu interior.
   Kyle gritou seu nome e se uniu a ela no ardente mar do prazer.
   Durante um comprido momento permaneceram assim, abraados, saboreando a sensao de bem-estar mais profunda que jamais tivessem podido imaginar.
   Quando voltaram para a realidade, ela se deu conta de que estava em cima de um sapato e de que um pouco afiado lhe estava cravando nas ndegas. O corpo do Kyle 
se voltou de repente tremendamente pesado. Irish tentou mover-se.
   Ele levantou a cabea e lhe beijou os peitos.
   -Como acabamos no cho? -perguntou.
   -No tenho nem idia.
   As mos do Kyle comearam a explorar as zonas mais delicadas do corpo do Irish.
   -Kyle!
   -Voc no gosta?
   -Sim, mas...
   Acariciou-lhe os mamilos com os lbios e ela emitiu um profundo suspiro.
   -E isto? Voc gosta? -voltou a perguntar ele.
   -Claro que eu gosto, mas...
   -Sente-se consolada?
   -Consolada?
   -J vejo que terei que me esforar um pouco mas.
   Tomou entre seus braos, levou-a a habitao e passou toda a noite consolando-a.
   
   Um pequeno raio de luz penetrou atravs das cortinas. Irish despertou sobressaltada. Sentiu o peso do brao do Kyle lhe rodeando a cintura e o sopro de sua respirao 
sobre os ombros.
   De repente, uma grande ansiedade se apoderou dela. Deus bendito, haviam... haviam...
   Sim. Tinham-no feito vrias vezes.
   E tinha sido fantstico.
   tornou-se louca? Procurava um marido rico, e no um apaixonado queda com um tio bom que no tinha nem um duro.
   Deixou escapar um suspiro. em que pese a tudo, tinha sido uma experincia intensa e maravilhosa.
   Mas Kyle Rutledge no era o homem adequado para ela. Absolutamente.
   Recordou vagamente que Kyle lhe havia dito que a queria. O teria sonhado? No, tinha-o ouvido dizer aquelas palavras vrias vezes ao longo da noite. Haveria-lhe 
dito ela o mesmo?
   No. Seguro que no.
   Ela no podia amar ao Kyle. No entrava dentro de seus planos. Mas tinha a sensao de haver dito mais de uma tolice enquanto estavam fazendo o amor.
   Kyle despertou. Levantou a cabea, sorriu e a atraiu para si.
   -bom dia, carinho. Espero que no lhe aduela nada -disse-lhe beijando-a com doura.
   -Estou perfeitamente -respondeu Irish levantando-se da cama e envolvendo-se com um lenol-. Tenho que ir. Tenho de tomar o caf da manh com o Jackson.
   -Poderamos tomar o caf da manh na cama. 
   -Ah, no. No vais dissuadir me de meus planos. Sabe muito bem por que estou aqui. Admito que foi uma noite muito agradvel... 
   -Agradvel?
   -Sim, muito agradvel. Mas isso no significa nada. No rosto do Kyle se desenhou um amplo sorriso.
   -Felpa essa risinho de sua cara, Kyle Rutledge. Asseguro-te que no significou nada. Encontrava-me mau e voc me consolou. Agradeo-lhe isso, de verdade, mas 
isso foi tudo. E se em algum momento disse algo que te pudesse fazer acreditar o contrrio, foi s palavrrio. 
   -Palavrrio?
   -Sim, coisas que se dizem no calor da noite, mas que  manh seguinte no significam nada.
   Entende?
   -Eu sentia realmente tudo o que pinjente, carinho.
   -Bom, pois eu no. Quero dizer que no recordo exatamente o que pinjente, mas te estou muito agradecida, Kyle. Sentia-me muito mal, embora Noah no chegasse a 
me fazer nada. Ponho-me assim algumas vezes, especialmente de noite. Meu terapeuta diz que me porei bem quando me sentir a salvo e segura.
   -Entendo. E crie que uns quantos milhes lhe ajudaro?
   -Exato. Com esses quantos milhes que voc despreza se pode obter segurana. Grades, alarmes, ces guardies... Tudo o que seja necessrio. Mas, sobre tudo, esse 
dinheiro far que me sinta segura por dentro -adicionou destacando o peito.
   Ele assentiu de novo.
   por que no se tampava um pouco com os lenis? Ali estava ela, tentando lhe explicar por que no podiam estar juntos, e ele jogado na cama, totalmente nu e excitando-se 
de novo.
   -Necessita algo mais de consolo? -disse lhe fazendo um gesto muito significativo.
   - obvio que no!  que no tem vergonha?
   -Nem pingo -respondeu ele tornando-se a rir. Irish se foi para o banho.
   Abriu a ducha e se meteu na banheira. Acabava de comear a esfregar-se com o sabo quando se abriu a porta e entrou Kyle.
   -O que est fazendo aqui? -perguntou ela. 
   -Quero tomar banho  -respondeu ele ao tempo que agarrava o sabo e esfregava o corpo do Irish. 
   -Kyle? 
   -Mmm? 
   -No deveria fazer isso.
   -No?
   -No, e quero que pares agora mesmo -disse Irish suspirando sem poder evit-lo.
   -Sim, carinho. Agora mesmo.
   -Kyle, isto no significa... nada. Pode que tenhamos tido uma excitante aventura sexual, mas eu vou A... um pouco mais acima... ahhh... fantstico... vou casar 
me com um milionrio. Estou decidida.
   -Sei, carinho. Sei.
   
   Irish as arrumou para chegar at sua habitao sem que a visse ningum. Rapidamente se trocou de roupa, ficou um pouco de maquiagem e baixou para tomar o caf 
da manh com o Jackson.
   Chegou quinze minutos tarde, mas ele tinha tido a amabilidade de esper-la e ficou de p assim que a viu aproximar-se. Retirou-lhe a cadeira e fez um sinal ao 
garom para que trouxesse caf e suco.
   -Sinto chegar tarde.
   -No se preocupe. Para falar a verdade, no me teria surpreso que no te tivesse apresentado. Lamento o que aconteceu Noah. Parece ser que bebeu muito. Em qualquer 
caso, os moos me ajudaram a coloc-lo em um carro e um de nossos empregados o levou a Dallas. Assim no te incomodar de novo.
   -Eu tambm o sinto. Creio que minha presena lhes causou problemas.
   -De maneira nenhuma. Nem te ocorra pensar isso. No quero que cria que todos os homens do Texas nos comportamos igual. Gosta de comer algo?
   Jackson no pde ter sido mais amvel. alm de corts e educado, era bonito, alto e moreno. Mas enquanto comiam e conversavam, Irish no deixou de pensar que 
seria muito mais atrativo se tivesse o cabelo loiro e os olhos azuis.
   Jackson representava tudo o que uma mulher podia desejar, mas entre eles no existia essa qumica especial, essa sensualidade que estava acostumado a eletrificar 
o ambiente quando duas pessoas se atraam.
   No obstante, aquilo poderia chegar com o tempo, disse-se Irish. uns quantos beijos daquela boca to sexy fariam, certamente, que se sentisse transportada pelos 
ares.
   Enquanto o observava cortar uma fatia de presunto, fixou-se em suas grandes mos e em seus dedos largos e perfeitos.
   -No crie? -perguntou Jackson. 
   -Perdoa, como diz?
   -Dizia que depois de sua m experincia com o Noah, talvez deveramos esquecer a idia de que reparta seu tempo com o resto do grupo.
   -OH, no. Absolutamente. Encontro-me bem. Isso sim, no voltarei a me colocar com ningum por atalhos escuros.
   -Irish, asseguro-te que no ter mais problemas no clube. Todos sabem o ocorrido com o Noah e esto bastante desgostados. No queremos que te leve uma m impresso 
dos homens do Texas por culpa de um canalha corno Noah.
   -Tranqilo, no devem lhes preocupar por isso.
   Recordando que, ocorresse o que ocorresse, tinha um compromisso com a revista Esprit, Irish tirou o bloco de papel de notas da bolsa e fez ao Jackson umas quantas 
perguntas.
   Quando tiveram terminado a entrevista e o caf da manh, Jackson tomou o chapu com os cartes e juntos programaram os almoos, coquetis e jantares. depois dos 
jantares estaria livre, coisa que a tranqilizou. Poderia unir-se ao grupo ou passar o resto da velada com o Jackson ou com quem gostasse.
   -Joga golfe? -perguntou-lhe Jackson.
   -No tenho nem a mais remota idia de como se joga.
   Jackson sorriu.
   -vamos jogar um momento esta manh. Se quiser, pode nos acompanhar ou ficar na piscina at a hora de comer.
   Irish decidiu ficar na piscina.
   
   No se deu conta de que se ficou dormida na tumbona at que uma mo lhe tocou o ombro e a sacudiu brandamente. despertou sobressaltada, como estava acostumado 
a faz-lo sempre.
   Carlton Gramercy, vestido ainda com a roupa de golfe, estava de p junto a ela.
   -Sinto te incomodar -disse Carlton sorrindo-, mas creio que me toca almoar contigo. Voc gostaria de comer aqui, junto  piscina?
   -Estupendo.
   -Queria me refrescar um pouco. vou trocar me e ordenarei que nos tragam aqui o almoo. Gosta de algo em especial?
   -Conformo-me com algo, obrigado.
   Assim que Carlton se partiu, Irish agarrou sua bolsa e comeou a arrumar a maquiagem rapidamente. Carlton no era to bonito como Jackson, mas sem dvida era 
um homem muito interessante. E embora Kyle tinha comentado que os negcios no foram muito bem, nunca se sabia. Sim, podia ser um bom candidato.
   Quando logo que tinha comeado a empoeir-la cara, ouviu que algum se mergulhava na piscina.
   Girou rapidamente a cabea e viu uma forma masculina que se aproximava mergulhando para onde ela estava. V, Carlton era verdadeiramente rpido. Uma cabea loira 
surgiu da gua. No era Carlton, a no ser Kyle.
   -Ol. Ele gua est estupenda. Vamos, te coloque. 
   -No, obrigado. Carlton e eu nos dispomos a almoar e no quero me molhar o cabelo.
   -Vi-te com o cabelo molhado, e creio que est muito sexy.
   -Kyle! Vamos, vete.
   -Creio que ficarei nadando um momento. Fazia muito calor no campo de golfe. Tenho-te dito que lancei um setenta e oito? ganhei outros dois mil e duzentos dlares.
   -Isso est muito bem. E agora, vete, por favor. Carlton est a ponto de retornar.
   -Se eu fosse voc, esqueceria-me dele. depois de tudo, no s tem um negcio que se vai a rivalidade, mas tambm tambm dois meninos e uma amante no Lubbock.
   -te largue, Kyle. No creio nem meia palavra do que diz.
   -Crie que te mentiria? -disse Kyle sorrindo-. Se mal no recordar, adverti-te que Noah Birchfield no era de confiar.
   -OH, est bem. E agora, quer partir, por favor?
   -Seus desejos so ordens para mim -disse Kyle. E se afastou nadando.
   Carlton retornou, e a comida chegou poucos minutos depois. Com o cabelo negro, veteado de cinza nas tmporas, Carlton no estava nada mal em traje de banho. Alm 
disso, era quase to encantador e cavalheiresco como Jackson.
   Enquanto estiveram conversando no comentou nada a respeito dos dois meninos dos que tinha falado Kyle, nem disse que seus negcios fossem mau. Irish lhe fez 
umas quantas perguntas para seu artigo, embora no conseguiu concentrar de tudo. Cada vez que levantava a vista via o Kyle movendo a cabea e lhe fazendo sinais.
   O jantar com o MAC foi to desastrosa como o almoo. No por culpa do MAC, mas sim do Kyle. Quando ela e MAC, um homem de pele curtida e de cabelo avermelhado, 
sentaram-se no reservado depois de jantar, Kyle se aproximou deles e, fazendo ornamento de uma desfaratez tremenda, disse:
   -Creio que este tango  nosso.
   antes de que Irish tivesse ocasio de reagir, levantou-a da cadeira e a agarrou entre seus braos.
   -Dana o tango, verdade?
   - obvio que o dano, mas...
   -Estava seguro de que o faria. nasceste para danar o tango.
   Apertou sua bochecha contra a dela e se deslizou pela pequena pista de baile. Cada vez que ela tentava separar-se, ele a sujeitava como se fora um ioi e se deslizava 
para o outro lado da pista.
   -Por Deus, Kyle...
   -Que sexy te pe quando dana.
   -Kyle Rutledge...
   -eu adoro a maneira em que pronuncia meu nome.
   A cano terminou por fim. Mas quando Irish tentou retornar com o MAC, Kyle a agarrou e lhe disse:
   -Espera. Escuta.  uma SAMBA. Dana a SAMBA?
   -Sim, eu... No. No a dano.
   -Muito tarde, j te tenho.
   Irish tentou escapar dele.
   -Escuta, Desi Arnez, se quer danar a SAMBA, faz-o voc sozinho. Estou acompanhada, recorda-o?
   -Ah, sim. Com o presidirio. Falou-te que quando esteve no crcere?
   Irish retornou junto ao MAC. Este se levantou quando a viu aproximar-se da mesa.
   -Sinto muito -disse Irish enquanto sustentava a cadeira.
   -Eu tambm o sinto -acrescentou Kyle ao tempo que agarrava outra cadeira-. Morro por falar contigo um pouco mais, MAC, e te fazer algumas pergunta sobre esse 
galen que encontrou na costa de Porto Rico faz dois anos.
   Ao Irish entraram vontades de estrangul-lo. Apesar de suas indiretas, Kyle permaneceu pego a eles como um ignorante na quilha de um navio velho.
   Quando Irish se deu finalmente por vencida e se despediu do MAC, Kyle se levantou sorrindo.
   -Acompanho-te at sua habitao, Irish -fez- uma piscada ao MAC e lhe disse-: Somos vizinhos, sabe?
   Enquanto subiam no elevador, Irish teve que conter-se para no lhe gritar. Se Kyle pensava que ia passar a noite com ela, estava muito equivocado.
   
   
   Captulo Onze
   
   Irish abriu lentamente um olho, viu a cabea que havia no travesseiro junto a ela e deixou escapar um grunhido. Como tinha podido deixar que ocorresse de novo?
   A culpa a tinha tido o beijo.
   "Um pequeno beijo de boa noite", havia-lhe dito Kyle. "No passar nada."
   E ela tinha picado como uma estpida.
   Mas no voltaria a acontecer.
   -te levante, Kyle -disse lhe dando um tapinha nas ndegas-. Tem que voltar para sua habitao antes de que algum descubra que est aqui. E foi a ltima vez que 
te coloca comigo na cama. Nem sequer devi te deixar entrar. meu deus, devo estar mal da cabea. No  meu tipo, compreende? No  meu tipo absolutamente.
   -Porque no estou podre de massa? -reps Kyle-. Esse detalhe no pareceu te importar ontem  noite -acrescentou com um sorriso-. Se mal no recordar, disse-me 
que...
   -No deve tomar a srio o que pinjente.
   -Pois me pareceu que o dizia de corao. "OH, Kyle, meu carinho -ps voz de falsete-.  o nico homem de minha vida. Nunca poderei amar a outro..."
   Irish lhe sacudiu com o travesseiro.
   -te cale. No me interessa o que tenha que dizer. Por certo, a partida de golfe no comea dentro de vinte minutos?
   -Que horas so? -Kyle se levantou de um salto e consultou o relgio-. V, tem razo. Jackson me cortar a cabea se chegar tarde -deu-lhe um beijo e saiu rapidamente 
da cama. depois de ficar a toda pressa as calas, recolheu o resto da roupa e se dirigiu para a porta-. Verei-te logo, carinho.
   -No se posso evit-lo. Mais vale que te mantenha afastado de mim hoje -disse-lhe em voz alta-. me vais danificar isso tudo.
   Irish se deixou cair de novo na cama e se cobriu a cabea com os lenis. Como tinha cometido o engano de passar a noite com ele?
   Estpida, mais que estpida.
   Jamais tinha tido problemas para lhe dar a um homem uma negativa. No estava acostumado a praticar o sexo espordico e, por esse motivo, tinha tido que rechaar 
a mais de um mosca azul. Mas Kyle tinha algo que a desconcertava. disse-se que teria que pr mais fora de vontade, simplesmente. Ao fim e ao cabo, como ia caar 
a algum daqueles milionrios nos cubra se Kyle no a deixava nem a sol nem a sombra?
   Acaso deitar-se com ele era uma experincia pela que merecesse a pena renunciar  oportunidade de sua vida?
   Ao evocar certos momentos vividos a noite anterior, Irish suspirou e sorriu satisfeita. Kyle era o melhor amante do mundo. Tinha uma forma de...
   No! No devia permitir que aquele homem arruinasse seus planos. Tinha ido ao Texas a encontrar um marido rico, e isso pensava fazer.
   Apartou os lenis e se aproximou do penteadeira para consultar sua lista. Tinha que almoar com o Aaron Golden. Aaron possua uma cadeia de lojas de moda masculina, 
e levava um anel de diamantes que provavelmente custaria o que ela ganhava em dois anos.
   Irish abriu o armrio e inspecionou seu vesturio. Dispunha de toda a manh para arrumar-se, e se tinha proposto deslumbrar ao bom do Aaron. Mas resultou que 
o bom do Aaron era um chato quase insuportvel. Irish reprimiu um bocejo ao tempo que brincava com as ervilhas de seu prato, aborrecida como uma ostra. Onde estava 
Kyle quando o necessitava?
   O coquetel com o Jim Welborn tampouco foi nenhum xito. Por muito que o tentava, Irish no encontrava nenhum interesse em temas como o cultivo do arroz ou o armazenamento 
do trigo. Jim era um homem muito amvel, mas tambm muito inspido. Extremamente inspido.
   Mitch Harris era farinha de outro costal. Tinha ganho uma fortuna jogando futebol profissional e logo, depois de retirar-se, tinha-a investido em diversos negcios, 
entre eles a cria de cavalos. Era um homem muito atrativo, dotado de uns ombros muito largos e um sorriso deliciosamente infantil. Tinha o cabelo escuro e encaracolado, 
to comprido que o recolhia em um precioso acrscimo.
   Durante o jantar se mostrou brilhante, educado e entretido.
   -No sei por que, mas no consigo me levar bem com os cavalos -disse-lhe Irish-. A outra tarde sa a cavalgar com o Jackson e me ca duas vezes. Mitch fez uma 
careta.
   -Sim, sofri vrias quedas e me consta que no  agradvel. Mas estou seguro de que sou melhor instrutor que Jackson. Nada me agradaria mais que lhe dar umas quantas 
lies. S tem que passar-se por meu rancho.
   -Onde est?
   -Perto de um pueblecito chamado Brenham. Possuo vrias centenas de acres de terreno. Asseguro-lhe que  precioso, sobre tudo na primavera. eu adoraria que o visitasse, 
de verdade. E quanto antes o faa, melhor.
   -Parece-me fantstico -respondeu Irish esboando seu melhor sorriso.
   De repente, Kyle se aproximou da mesa.
   -Como vai isso, meninos? Lamento te interromper, Mitch, mas lhe chamam por telefone. Pode atender a chamada no mostrador.
   Depois de desculpar-se oportunamente, Mitch se foi a toda pressa e Kyle aproveitou para ocupar sua cadeira. Jogou uma olhada ao redor e logo, inclinando-se ligeiramente, 
sussurrou ao Irish:
   -Preferiria no te dizer isto, mas creio que deve sab-lo para que no te faa falsas esperanas.
   -Do que est falando?
   Kyle voltou a olhar a um e outro lado do bar.
   -Mitch  gay.
   -Me tirares o sarro!
   -Absolutamente.  um tipo estupendo, mas  decididamente gay.
   -Lhe est inventando isso, Kyle Rutledge. No te creio. Mas se tiver sido jogador de futebol, pelo amor de Deus.
   Ele se encolheu de ombros.
   -Isso no tem nada que ver. H muitos jogadores de futebol que so homossexuais. Se no me crie, lhe pergunte ao Jackson -levantou-se da cadeira e se afastou 
com passo tranqilo.
   Mitch retornou e seguiu mostrando-se to galante como antes, mas Irish no conseguia tirar-se da cabea a questo de suas preferncias sexuais. Aquele hombretn 
de aparncia to viril no podia ser homossexual, nem pensar. Seguro que Kyle tinha mentido como um velhaco. No obstante, as tinha arrumado para lhe danificar a 
velada. Irish retornou a sua habitao cedo. Depois de fechar a porta e assegur-la com uma cadeira, meteu-se na cama. Sozinha.
   
   Ao dia seguinte, depois de tomar o caf da manh, os homens partiram em turba para o campo de golfe. Irish lhes disse adeus com a mo e tomou uma segunda taa 
de caf. Logo se aproximou do mostrador e passou uns minutos conversando com o Tami. Tinha trs horas e meia livres antes de seu almoo com o Bob Willis.
   No gostava de ir nadar, nem ficar na habitao lendo ou vendo a televiso. E, certamente, no tinha nenhuma vontades de montar a cavalo.
   O velho Pete.
   Irish sorriu. Claro. adoraria lhe fazer uma visita ao ancio para ver como estava.
   -V, que me crucifiquem -exclamou Pete meia hora mais tarde quando viu entrar no Irish pela porta de sua habitao-. Olhe quem veio. Pode te retirar, querida 
-disse  enfermeira que o atendia-. Quero conversar tranqilamente com esta bela senhorita. Irish era modelo, como Claudia e Cindy, embora avantaje s duas em beleza, 
segundo minha humilde opinio.
   Irish se ps-se a rir.
   -Mas que encantado  voc, Pete. O que est lendo? -perguntou-lhe ao tempo que jogava uma olhada ao livro que havia na mesinha de noite-. Uma novela romntica?
   -Assim . J te disse que me interessa ler todo tipo de livros. Embora minha enfermeira no  to boa leitora como voc. Alm disso, parece-me que lhe d vergonha 
ler em voz alta alguns pargrafos -Pete deu um tapinha na cama-. Quer te sentar?
   -Claro. Gosta que lhe leia um momento? eu adoro as novelas romnticas.
   - obvio.
   Irish leu durante uma hora, aproximadamente. A histria romntica tinha despertado o lado sentimental do Pete, de modo que ficou a falar de sua esposa.
   -De jovem era um autntico golfo -explicou-. Mas assim que conheci meu Molly soube que ela era a mulher de minha vida. Nunca voltei a olhar a outra.
   Irish arqueou as sobrancelhas.
   -Alguma vez?
   -Bom,  uma forma de falar.  obvio que de vez em quando me eis recreado olhando a alguma mulher formosa, mas nada mais. Apaixonei-me perdidamente de minha esposa 
e s a desejei a ela. Suponho que assim se sentiro meus netos quando encontrarem  mulher de sua vida. Por certo, que tal vai ao Kyle e a ti?
   Irish sorriu.
   -Ainda est empenhado em fazer de casamenteiro?
   -Sim. Kyle me esfolaria se se inteirasse de que tenho voltado a te fazer outra oferta, mas te aconselho que te pense bem o dos dois milhes -seus olhos negros 
brilharam intensamente-. Eu gostaria de te ter na famlia.
   - voc muito amvel, mas no creio que Kyle seja o homem adequado para mim.
   -Est segura? Posso elevar minha oferta a dez milhes.
   Irish se levantou rendo e lhe deu um beijo na bochecha.
   - voc incorrigvel, Pete. Vou ao armazm a procurar um pacote de barras de chocolate. Quer compartilh-lo comigo?
   -Claro. E o que me diz do Jackson? Voc gosta?  um bom moo. um pouco rebelde, mas...
   Nesse momento, uma mulher corpulenta entrou na habitao e disse:
   - a hora de sua terapia, senhor Beamon. 
   -V-se, mulher -respondeu o ancio-. No me traz voc mais que tortura. Alm disso, no v que tenho visita? Estamos falando de negcios srios. 
   -Deixe de bobagens -respondeu a fisioterapeuta-. Isto  por seu prprio bem e voc sabe.
   - uma negreira -disse Pete ao Irish-. Poderia dar lies ao Simn Legree.
   -Seguro que voc tambm -respondeu ela-. Enfim, ser melhor que v. Voltarei a lhe visitar logo.
   Irish baixou ao armazm e esteve uns minutos conversando com o Jenny e Alma Jane. antes de partir comprou um pacote de barras de chocolate. Quando tirou o dinheiro 
para pag-lo, deu-se conta do pouco que ficava. Teria que caar a um daqueles milionrios sem perda de tempo, ou se veria em um apuro srio. Nem sequer tinha dinheiro 
suficiente para encher de gasolina o carro alugado.
   Em caso de apuro, sempre ficava o remdio de lhe pedir dinheiro emprestado ao Kyle para voltar para casa, mas procuraria que as coisas no chegassem a esse ponto. 
Estava decidida a levar a cabo seu plano. Quo nico tinha que fazer era escolher a algum rico do clube.
   Jackson Crow seguia lhe parecendo o melhor candidato. Tinha-o observado e no tinha visto que abusasse da bebida mais do habitual.
   Mitch Harris tampouco estava nada mal. Certamente, Irish no tinha chegado a acreditar-se nem por um instante o conto de que era homossexual.
   E no devia esquecer-se do Matt Crow. Matt era uma autntica macacada, e essa noite devia jantar com ele. Talvez se compenetrassem perfeitamente como casal. Essas 
coisas nunca se sabiam.
   
   Irish se refrescou um pouco e foi reunir se com o Bob para almoar. Quando a porta do elevador se abriu, deu-se de bruces com o Kyle. Estava esperando-a apoiado 
tranqilamente na parede do vestbulo.
   -Ol, cu -disse esboando um deslumbrante sorriso-. Lista para almoar?
   -Sim, e faz o favor de no me chamar "cu". Se me desculpar, tenho uma entrevista com o Bob Willis.
   -N, isto... parece-me que no.
   -claro que sim. Tenho-o pontudo.
   -Temo-me que houve uma pequena mudana de planos.
   -Como?
   -Sim. Hoje almoar comigo -ofereceu-lhe o brao.
   Irish o ignorou.
   -E isso por que?
   -ganhei sua companhia.
   -Que ganhaste minha companhia?
   -Sim. Jogando golfe.
   -A ver se o entendo. Bob Willis e voc tm feito uma aposta...
   -Sim,  fossa quatorze.  dificilsimo.
   -Assim Bob esteve disposto a ceder sua entrevista comigo. E o que apostou voc?
   -Cinco mil dlares.
   Irish abriu os olhos de par em par.
   -Apostou cinco mil dlares? Mas acaso est louco?
   -Sim, por ti -deu-lhe um beijo na bochecha-. Tenho uma fome de lobo. Nos vamos almoar de uma vez? -ofereceu-lhe o brao de novo.
   Irish no deixou de resmungar enquanto se dirigiam  mesa. Cinco mil dlares? Custava-lhe trabalho acreditar que Kyle tivesse cometido semelhante insensatez. 
Quantas mais voltas lhe dava ao assunto, mais irritada se sentia.
   Kyle a olhou enquanto consultava a carta e lhe perguntou:
   -O que te passa, amor?
   -Nada. Tomarei salmo e sopa.
   -Veio?
   -Ch.
   -Se no te passar nada, por que est to sria?
   -No estou sria.
   Permaneceu calada enquanto Kyle pedia o almoo. Logo, quando o garom se retirou e de novo ficaram sozinhos, lhe disse:
   -Quer me dizer o que te ocorre?
   -Para te ser franco, sinto-me um pouco ferida em meu orgulho. Bob apostou seu almoo comigo sem pensar-lhe duas vezes.
   -Vamos, carinho -tomou a mo com ternura e a aproximou dos lbios para beij-la-. No se sinta mau. Tive que lhe cravar muitas vezes para que acessasse. lhe pergunte 
ao Carlton ou ao Harve. Alm disso, Bob no te interessa. casa-se dentro de duas semanas com uma divorciada -Kyle se inclinou para frente e, em tom quase confidencial, 
adicionou-: Me acredite, no lhe teria acontecido isso bem com ele. Tem um mau flego insuportvel.
   Irish soltou uma gargalhada sem poder evit-lo. -Kyle Rutledge,  to incorrigvel como seu av. fui a v-lo esta manh. Parece que se vai recuperando, embora 
no parece muito contente com seu fisioterapeuta.
   -Isso parece. Ontem estive falando com ele. Mas a terapia lhe sinta de maravilha. Demorar uma ou duas semanas em recuperar a mobilidade. Logo, o mais difcil 
ser evitar que se esforce muito.
   - um encanto. Estive-lhe lendo uma novela romntica e chegou a me oferecer dez milhes de dlares se me casava contigo.
   Kyle esteve a ponto de derrubar o copo de gua. 
   -Espero que no tome a srio ao av -disse enquanto se secava a mo com um guardanapo.
   -Claro que no. Disse-lhe que no foi meu tipo. Creio que agora quer me convencer de que Jackson  o candidato ideal. E talvez tenha razo. 
   Esta vez o copo se derrubou de tudo. 
   -Maldio! -exclamou Kyle levantando-se da cadeira. Tinha toda a cala empapada de gua.
   O garom acudiu correndo para secar a mesa enquanto Kyle se secava as calas com um guardanapo. Jackson, que se achava na outra ponta do comilo, aproximou-se 
tranqilamente e, ao ver a mancha de gua que se estendia pela braguilha do Kyle, disse em tom zombador:
   -V, eis ouvido dizer que as duchas frite revistam sortir bom efeito.
   -Maldita seja, Jackson -vociferou Kyle. Irish, por sua parte, tentava conter a risada-. No tem graa.
   -Para mim sim a tem -reps Jackson piscando os olhos o olho ao Irish-. por que no vai e te troca de calas? Eu entreterei  senhorita enquanto isso.
   Kyle lhe lanou um olhar assassino. 
   -No penso deix-la s contigo. 
   -Mas, homem, que mosca te picou? Note, estamos rodeados de gente. Asseguro-te que Irish no corre nenhum perigo comigo. Anda, v trocar te.
   -Est bem. Volto em um minuto -Kyle deixou o guardanapo empapado na mesa e saiu pressuroso do comilo.
   -Que demnios lhe passar? -disse Jackson-. Nunca o tinha visto comportar-se desse modo. Deve ser por ti -acrescentou com um sorriso de cumplicidade-. Vo a srio?
   -OH, no -apressou-se a responder Irish-. Absolutamente. Kyle  um homem adorvel, mas no  meu tipo.
   -Ah, no? -Jackson sorriu-. E qual  seu tipo? De repente, Irish sentiu um grande acanhamento. No obstante, fez um esforo e se animou mentalmente a si mesmo. 
"Adiante, nenm. te atreva. Pode que esta seja a oportunidade de sua vida." passou-se a lngua pelos lbios e se inclinou ligeiramente para frente, lhe dedicando 
um sorriso explosivo.
   -Eu gosto dos homens morenos, altos e bonitos -acariciou-lhe uma perna com os dedos dos ps-. Como voc.
   Ao Jackson lhe caiu o copo de gua que sustentava na mo. Tentou agarr-lo em pleno ar, mas s conseguiu derrubar tambm o do Irish. Esta vez foi ela a que acabou 
empapada de gua.
   -Maldio! -lamentou-se Jackson, ficando rapidamente em p para lhe secar a saia com um guardanapo.
   -Que diabos est fazendo? -vociferou Kyle correndo para eles da outra ponta do comilo.
   Jackson se deteve em seco. olhou-se a mo e logo ao Kyle.
   -No lhe acreditaria isso embora lhe dissesse isso -logo, dirigindo-se ao Irish, acrescentou-: Sinto-o muito. Creio que esta vez nos toca nos trocar de roupa 
-ofereceu-lhe o brao-. Se te parecer, Irish, creio que direi ao Curtis que nos sirva o almoo na piscina.
   -Ningum te deu vela neste enterro, Jackson -disse Kyle em tom cortante-. Irish e eu pediremos o almoo ao servio de habitaes.
   Lhe deu uma cotovelada dissimulada e disse:
   -Vamos, Kyle, no seja desmancha-prazeres. Podemos comer os trs na piscina -obsequiou ao Jackson Crow com outro sorriso arrebatador.
   E Jackson no pde por menos que lhe corresponder.
   
   
   Captulo Doze
   
   Kyle e Jackson permaneceram no corredor, esperando junto  porta do Irish enquanto ela acabava de trocar-se.
   Kyle olhou a sua primo e fez uma careta.
   -Tem um aspecto ridculo, Jackson. A quem trficos de impressionar com esse traje?
   Jackson, que tinha posto um chapu negro de cowboy, um traje de banho negro, botas negras e culos de aviador, olhou-se e disse:
   -Ridculo por que? Voc no gosta dos jeans?
   -Sabe muito bem a que me refiro. Com o chapu, as botas e essas pernas peludas ao descoberto parece que vs fazer um numerito em um desses locais de striptease 
masculino.
   -V, nunca me tinha ocorrido -Jackson sorriu zombador-. O chapu  para me proteger a cabea do sol. E estas so as botas que estou acostumado a me pr para ir 
 piscina. V? Tm revestem de borracha -levantou uma bota para mostrar-lhe Quanto a minhas pernas peludas, o que quer, que me as cosmtico?
   Kyle se ps-se a rir e sacudiu a cabea.
   -Nunca vais maturar, primo.
   -Espero que no, e menos se maturar implica usar sapatos de yuppie. Kyle, colega, passaste muito tempo em Califrnia te acotovelando com desenhistas metidos. 
Sempre foi um tipo muito bem plantado, e agora... Enfim, perdoa que lhe diga isso, mas parece que sua garota se sente mais atrada por mim que por ti.
   -E um corno. Deslumbrou-a sua conta bancria, simplesmente. Mas acabar abrindo os olhos. por que no te larga e nos deixa um momento a ss?
   -Nem pensar. Irish me h convidado, e sempre eu gosto de agradar a minhas hspedes.  um garota encantadora. Cai-me muito bem, sabe?
   antes de que Kyle tivesse ocasio de responder, a porta da habitao se abriu e Irish saiu com expresso apurada. Estava muito belo, com um biquni verde e uma 
blusa a jogo.
   -Lamento ter demorado tanto -desculpou-se-, mas como faz vento decidi me recolher o cabelo em uma trana.
   -Uma trana preciosa, se me permitir o galanteio -disse Jackson tirando o chapu e fazendo uma reverncia.
   -Muito obrigado -Irish se fixou nas botas do Jackson e logo olhou ao Kyle, sentida saudades.
   -So suas botas de piscina -explicou-lhe Kyle. Irish os tirou do brao.
   -Vamos? -perguntaram os dois ao mesmo tempo.
   
   Durante um momento, Irish se sentiu encantada de contar com as cuidados d dois homens to atrativos e viris. Mas ao cabo de uma hora, mais ou menos, comeou 
a sentir-se como se fora uma vaca solitria e eles dois um par de touros bravos que a estivessem disputando no topo de uma colina.
   Teve a sensao de que Jackson no se tomava aquela situao to a srio como Kyle, embora, certamente, resultava duvidoso que algum que ficasse umas botas com 
o traje de banho se tomasse algo a srio.
   -Creio que j teramos feito a digesto -disse Jackson ao Irish ficando em p-. Gosta de te dar um mergulho de cabea?
   -Prefiro esperar uns minutos mais -respondeu ela. O certo era que estava acostumado a banhar-se poucas vezes. A causa da maquiagem... e das cicatrizes.
   -No te vais tirar as botas? -perguntou Kyle.
   -claro que sim, homem -tirou-se trabalhosamente as botas e logo pendurou o chapu no respaldo da cadeira. Irish no pde deixar de olh-lo enquanto se tirava 
a camiseta. Jackson tinha um torso sensacional, bronzeado e ligeiramente talher de um rastro de plo que se perdia no interior do traje de banho.
   -Quer que ponha j a msica de fundo? -brincou Kyle.
   Jackson lhe sorriu e logo se dirigiu para o trampolim. Subiu pela escalerilla e, depois de piscar os olhos o olho ao Irish, fez um salto digno de um campeo.
   -Magnfico! -exclamou ela aplaudindo quando Jackson saiu  superfcie.
   -Diabos! -Kyle se levantou de um salto, tirou-se a camiseta azul que levava e foi com passo decidido para o trampolim.
   No que a fsico respeitava, Kyle tampouco tinha desperdcio. Seu peito, terso e musculoso, era to atrativo e excitante como o Jackson. Talvez mais.
   Jackson voltou a subir ao trampolim e fez um salto mais complicado. Kyle o igualou. Jackson se atirou de costas. Kyle fez o mesmo.
   MAC se aproximou aonde estava Irish e, ao contemplar a cena, perguntou-lhe:
   -O que acontece? Esto treinando para as Olimpadas?
   -O que vai. picaram-se, simplesmente.
   MAC soltou uma risinho.
   -Compreendo. Tenho que ir ao Tyler para assinar autgrafos em uma livraria. Gosta de me acompanhar? S sero um par de horas. Ah, e quando acabarmos te comprarei 
um sorvete.
   -Se for de pltano, aceito.
   -Como voc diga, senhorita -respondeu MAC com um sorriso.
   -Concede-me dez minutos para que me troque de roupa?
   -V. Esperava que viesse com esse biquni verde. Assim poderia lhe dizer s pessoas que  uma sereia que me encontrei na praia.
   Irish se ps-se a rir. Logo se levantou e se dirigiu com o MAC ao vestbulo do clube.
   
   Esgotado, Kyle se agarrou ao bordo da piscina e se secou o rosto com a mo. Jackson o seguiu, sacudindo a cabea empapada como um perrito.
   -Primo, creio que estamos muito majores para fazer estas coisas -disse.
   -Sim, j no somos nenhum adolescentes -Kyle olhou por cima do ombro para a mesa onde se sentavam.
   Irish no estava.
   Jogou uma olhada rpida pelo recinto da piscina, mas s viu o Matt Crow e ao Spud, quem conversava tranqilamente debaixo de uma sombrinha.
   -Onde estar?
   Jackson se encolheu de ombros.
   -No tenho nem idia.
   -Viu ao Irish? -perguntou ao Matt em voz alta.
   -Sim, foi com o MAC faz uns minutos.
   -Maldio!
   -No deve preocupar-se -disse Jackson-. MAC  um bom tipo.
   -Isso  precisamente o que mais me assusta. Tenho que encontr-la -agarrou a camiseta e se foi correndo para o vestbulo do clube. Nada mais chegar  sada viu 
como MAC e Irish se afastavam em um BMW branco.
   -Maldita seja! -Kyle arrojou a camiseta ao cho e ficou olhando o carro at que se perdeu de vista.
   Jackson se aproximou dele. De novo tinha posto seu chapu, e tinha um puro sem acender na boca. Rodeou a sua primo com o brao e lhe disse:
   -Venha, tio. vamos tomar nos um par de cervejas. E no se preocupe. Voltar.
   -No sei o que vou fazer, Jackson. Jamais tenho sentido nada parecido por uma mulher. Creio que vou voltar me louco.
   -Creio que te apaixonaste, primo. Isso  tudo. S pode fazer duas coisas: ou te pegar um tiro ou te casar com ela.
   -No me atrevo a lhe pedir que se case comigo. Estou seguro de que me rechaaria. J te tenho dito que quer casar-se com um milionrio.
   -Pois lhe diga a verdade de uma vez, maldita seja. Sou maior que voc e tenho mais experincia. me faa caso. 
   -Diabos, Jackson, se s nos levarmos trs meses e meio. No me venha com sermes. Em qualquer caso, estou convencido de que Irish me ama. Mas quero que o reconhea 
antes de saber que estou to podre de dinheiro como voc.
   -Bom, to podre no creio. Quanto tem agora, Kyle?
   -Isso no te incumbe. Mas tenho o bastante, sim. Vendi a consulta e a casa que tinha em Califrnia por uma boa soma.
   -Que no se inteire Spud, ou querer te arrolar em sua prxima aventura empresarial. Parece que tem encurralado a meu irmozinho pequeno. Melhor ser que demos 
uma mo ao Matt.
   -Tem Spud apuros econmicos?
   -O que vai. Est mais forrado que voc e eu juntos. Mas no gosta de arriscar seu dinheiro.
   -E como vai ao Carlton Gramercy?
   -Fenomenal. Acaba de assinar um contrato rabes que lhe reportar uns quantos milhes.
   -Caramba, espero que Irish no se inteire.
   -por que?
   -Disse-lhe que Carlton no tinha onde cair morto em realidade.
   Jackson soltou uma risinho e sacudiu a cabea.
   -Vejo que te estiveste inventado alguma que outra histria. Que mais lhe contaste?
   Kyle sorriu zombador.
   -Que Mitch Harris  gay.
   -Gay? Mitch? -Jackson jogou a cabea para trs e prorrompeu em sonoras gargalhadas.
   
   Irish o passou Estupendamente em companhia do MAC. depois de sair da livraria, foram tomar o sorvete de pltano que lhe tinha prometido.
   -Fazia anos que no tomava um sorvete -disse MAC.
   -E eu. Antes vivia to aterrada pela possibilidade de engordar, que me privava de certos pecadillos. 
   -por que se preocupava tanto o peso? Foi modelo ou um pouco parecido?
   -Sim. Trabalhava em Nova Iorque, mas decidi me retirar faz um par de anos.
   MAC ficou olhando-a fixamente. 
   -E por que te retirou? Segue sendo uma mulher impressionante. 
   -Obrigado.
   Irish pensou em lhe contar uma das desculpas superficiais que estava acostumado a utilizar sempre que lhe perguntavam pelo tema, mas olhou diretamente ao MAC. 
Tinha os olhos mais amveis e bondosos que tinha visto em muitssimo tempo. De algum modo, convidavam-na a que se justificasse, a que abrisse sua alma.
   Agachou a cabea e revolveu o sorvete com a colher. Logo lhe contou o episdio do ataque que sofreu e a agonia dos meses que seguiram.
   Demorou mais de uma hora em contar-lhe mas no se deixou atrs nenhum detalhe.
   -Aconteceste-o muito mal, verdade? -disse ele tomando as mos com ternura. 
   Ela se encolheu de ombros. 
   -H quem o aconteceu pior. Ganhei bastante dinheiro e inclusive cheguei a reunir umas economias, mas o tratamento mdico me deixou quase na runa. Meus pais me 
ajudariam se soubessem qual  minha situao, mas no quero preocup-los. 
   MAC lhe apertou a mo com suavidade. 
   -At a risco de parecer machista, creio que uma mulher formosa como voc deveria buscar um marido rico e viver sem preocupaes. No te interessa ningum do grupo 
do Jackson? 
   Irish deixou escapar um suspiro. 
   -Me... interessa uma pessoa. Mas surgiram complicaes.
   -Quer que te ajude? Tenho muito mais dinheiro de que posso gastar...
   -No, MAC.  muito amvel, de verdade, mas no poderia aceitar dinheiro de ti.
   -Seguro que ao final ir bem com essa pessoa que tanto te interessa.  uma pessoa bela e sincera, Irish. Qualquer homem que te tivesse como esposa poderia chamar-se 
ditoso. Inclusive eu, se pudesse, estaria contente de te ter a meu lado. 
   -Est casado? 
   MAC sorriu.
   -No. Ver, jamais o tenho dito a nenhum membro do clube, mas sou... gay.
   -Gay? Igual a Mitch Harris? 
   -Mitch Harris? -MAC se ps-se a rir-. No, Mitch no  gay.
   -Est seguro?
   -Muito seguro.
   Irish cerrou os olhos.
   -Esse canalha! Me d vontade de mat-lo!
   
   Enquanto retornavam ao Ninho do Crow, Irish tentou idear algum modo de vingar-se do Kyle, mas no lhe ocorreu nada apropriado. Finalmente, deixou estacionada 
a questo e subiu  sute para arrumar-se um pouco. Estava agendada para tomar uma taa com o Harve Dudley, o vendedor do Cadillacs. Dado que estava prometido, no 
era um candidato vivel, mas era um tipo pitoresco e quadraria bem no artigo.
   Quando baixou ao vestbulo para reunir-se com o Harve, encontrou ao Kyle no lugar de costume. Irish elevou o queixo e tentou passar de comprimento, mas ele a 
agarrou por brao.
   -A que tanta pressa?
   -Estou agendada com o Harve, embora isso no  teu assunto.
   Kyle esboou uma careta zombadora.
   -Temo-me que j no est agendada com ele.
   -O que quer dizer?
   -Que o vou substituir.
   -Outra vez tornaste a ganhar uma entrevista comigo jogando golfe? -reps ela furiosa.
   -Pois no. Esta vez ganhei a entrevista jogando poquer.
   -Surpreende-me que no o tenha desafiado a um concurso de salto de trampolim.
   -Est zangada por isso, carinho? Sinto muito. Jackson e eu sempre competamos de meninos.
   -Traz-me sem cuidado o que faam Jackson e voc. -Vamos, cu, no te zangue. Suei tinta para ganhar a aposta ao Harve. me acompanhe a tomar uma taa.
   de repente, ao Irish lhe ocorreu uma idia perversa. voltou-se para o Kyle e lhe sorriu.
   -De acordo. Faz uma noite preciosa. Vamos ao alpendre -acariciou-lhe o pescoo da camisa-. Tomarei, um daiquiri de morango. por que no vais procurar as bebidas? 
Esperarei-te fora.
   Kyle se inclinou e a beijou na bochecha.
   -No demorarei nem um momento.
   Quando saiu com as bebidas, uns quantos minutos mais tarde, Irish o estava esperando junto ao corrimo do alpendre.
   -Estou aqui -disse-lhe quando viu que a buscava com o olhar.
   Kyle lhe deu o daiquiri.
   -Sinta-te de maravilha a luz da lua.
   -Obrigado, mas isso j me ho isso dito antes.
   Ele se inclinou para lhe beijar o pescoo, mas ela se retirou devagar.
   -Kyle?
   -Sim, carinho?
   -Creio que Mitch Harris  um homem encantador. Sabe que convidou a seu rancho?
   -Seriamente?
   -Sim -percorreu-lhe com as gemas dos dedos o pescoo e o peitilho da camisa-. Est absolutamente seguro de que  gay?
   -Sim, absolutamente seguro. Nem te ocorra visitar seu rancho. No faria mais que perder o tempo.
   Irish lhe esvaziou o daiquiri em cima das calas.
   -Embusteiro! -arrojou a taa ao cho, deu-se meia volta e se foi.
   
   Kyle recolheu a taa, mas pouco pde fazer para limpar a cala. Enfim, as coisas podiam ter sido piores. Ao menos, ningum tinha presenciado a escenita. Deus 
ainda fazia pequenos milagres.
   Ouviu umas risinhos sufocadas no alpendre e compreendeu que tinha dada graas ao cu com excessiva antecipao. Eram Jackson e Matt.
   Os irmos se aproximaram dele e o olharam de marco em marco.
   -Arrumado a que essa mistura est fria -disse Matt. 
   -Mas que classe de problema tm suas calas com os lquidos? -perguntou Jackson em tom zombador.
   -No digam nenhuma palavra mais, advirto-lhes isso -disse Kyle furioso.
   -J te adverti que tanta mentira acabaria te prejudicando  larga -reps Jackson-. Ser melhor que diga a verdade de uma vez por todas, ou acabar perdendo-a.
   Kyle agachou a cabea.
   -Suponho que tem razo. O direi esta mesma noite.
   -Se  que est disposta a te escutar.
   -Escutar-me. Matt, deixa-me que v jantar com ela em seu lugar?
   -Ah, no, nem pensar.
   -Maldita seja, Matt! me pea o que seja em troca!
   
   
   Captulo Treze
   
   Irish no podia ter pedido um acompanhante mais agradvel que Matt Crow. Com seu cabelo e seus olhos negros, era to bonito como seu irmo maior... ou talvez 
inclusive mais se se tinha em conta a atrativa covinha que possua no queixo. O ar que o rodeava parecia emitir fascas devido a sua exuberncia.
   -Mais vinho? -perguntou ao tempo que elevava a garrafa.
   -No, obrigado. Mas, por favor, te sirva outra taa se gostar.
   -Uma taa est acostumada ser meu limite. Ou dois como mximo. No estou acostumado a beber muito.
   Irish emprestou especial ateno a aquele comentrio. De modo que Matt no tinha problemas com a bebida como seu irmo Jackson. Que interessante. de repente, 
a situao se tornou bastante prometedora. Irish se disse que talvez no tinha emprestado ao Matt Crow a ateno que realmente merecia. Alto, moreno, bonito, rico... 
Possivelmente tinha encontrado por fim ao candidato idneo.
   Inclinando-se ligeiramente, recostou o queixo no dorso das mos e lhe dirigiu um sorriso deslumbrante.
   -me fale da fbrica de caramelos. Onde est situada?
   Falaram de caramelos, do Texas, de suas primeiras experincias no mundo trabalhista... Irish contou anedotas divertidas que lhe tinham ocorrido enquanto vivia 
em Nova Iorque, e Matt lhe falou do tempo que esteve vivendo em Dallas. Fazia tempo que Irish no ria tanto. Em conjunto, o jantar foi um xito absoluto.
   Salvo por um detalhe.
   Kyle permaneceu todo o momento sentado no outro extremo do comilo, olhando ao Matt com cara de poucos amigos.
   Irish tratou de no lhe emprestar ateno, mas ao final se sentiu to incmoda que sugeriu sair ao alpendre para tomar o caf.
   Fazia uma noite realmente preciosa. A lua resplandecia no alto, e o ar os fazia chegar a suave fragrncia dos pinheiros e as rosas recm florescidas. Depois de 
tomar uns quantos sorvos de caf, Irish deixou a taa no corrimo do alpendre e se recostou em um dos bancos. A pesar do caos emocional que tinha experiente aqueles 
dias, naquele momento se sentiu Estupendamente bem.
   -Creio que eu gosto de Texas -disse.
   -E os nos cubra? -perguntou Matt soltando tambm sua taa.
   Ela sorriu.
   -E os nos cubra. Passei-o muito bem esta noite. Eu gosto, Matt Crow.
   -Diabos, voc a mim tambm -Matt no mostrou o menor espiono de acanhamento.
   -V -disse ela com uma risinho-. Parece um bom elemento..., no bom sentido da expresso, claro.
   -E voc  uma mulher extraordinria.
   Irish notou que o corao lhe acelerava. Era possvel que por fim tivesse encontrado ao homem perfeito? Cruzou os dedos e desejou com toda sua alma que assim 
fora. Logo se passou a ponta da lngua pelos lbios e disse com voz aveludada:
   -Matt, quer me dar um beijo?
   O permaneceu calado um momento, como se o tivesse pilhado despreparado.
   -Naturalmente -disse ao fim, e lhe posou um doce beijo na frente.
   -No, assim no -Irish jogou os braos ao pescoo, atraiu-o para si e o beijou apaixonadamente na boca.
   Tinha esperado ouvir som de sinos e de foguetes.
   Mas no sentiu absolutamente nada.
   Intensificou a presso de seus lbios e se apertou ao Matt com mais fora.
   Seguiu sem sentir nada.
   Nem o mais leve comicho.
   -Sinto muito, Matt -disse de repente, apartando-se dele-. Sinto-o seriamente -ps-se a correr em direo ao vestbulo.
   Kyle a chamou em voz alta ao v-la passar, mas ela no se deteve. Entrou no elevador antes de que ele pudesse alcan-la, desejosa de refugiar-se em sua habitao.
   Entrou na sute e fechou a porta atropeladamente. Ao cabo de uns instantes Kyle estava fora, chamando-a. Mas Irish no queria v-lo. No queria falar com ele. 
O tinha quebrado tudo.
   Correu para o dormitrio e fechou a porta. Logo se apoiou nela e se deixou cair at que esteve sentada no cho.
   Maldio! Kyle o tinha quebrado tudo!
   Em vez de sentir-se cativada por algum daqueles ricachones, apaixonou-se perdidamente do Kyle Rutledge. Do Kyle Rutledge! Um pobre escultor que se dedicava a 
esculpir figuras de madeira com uma serra mecnica.
   Como tinha podido ser to estpida? Depois de tir-la roupa, meteu-se na cama e tentou conciliar o sonho.
   Mas no conseguiu pegar olho. Esteve ao redor de uma hora lhe dando voltas  cabea, tratando de decidir o que fazer. S havia uma resposta.
   Ter uma manso em Dallas, um anel de diamantes e um carro de luxo no era, ao fim e ao cabo, to importante para obter a felicidade. Estava apaixonada pelo Kyle 
Rutledge. E se se viam obrigados a viver por um tempo em uma das cabanas do Pete, poderia suport-lo. Tinha suportado coisas muito piores.
   Saiu da cama rapidamente, agarrou uma bata e correu para a porta, decidida a lhe confessar ao Kyle o que sentia por ele. Amava-o, maldita fora! Amava-o e no 
podia seguir negando-o!
   Abriu a porta e saiu ao corredor. Kyle estava sentado no cho, com a cabea recostada na parede. Parecia vencido, esgotado.
   -Kyle?
   Ele a olhou.
   -Vem a cama -disse Irish lhe tendendo a mo.
   O sorriso de felicidade que se desenhou no rosto do Kyle no podia descrever-se com palavras. ficou em p de um salto e tomou entre seus braos.
   -OH, meu carinho, quero-te tanto...
   -Eu tambm te quero.
   Kyle se retirou um pouco e a olhou fixamente.
   -Diga-o outra vez.
   -Quero-te.
   Abraou-a com tanta fora que ela soltou um grito.
   -Sinto muito, carinho, mas no sabe quanto eis desejado te ouvir dizer isso. Fora da cama, claro.
   - a primeira vez que lhe digo isso! Na cama ou em qualquer stio!
   Kyle se ps-se a rir.
   -Se voc o disser -tomando-a em braos, entrou na habitao e fechou a porta com o p. Comeou a beij-la antes de chegar ao dormitrio.
   Esta vez, Irish sim sentiu som de sinos e de foguetes. O ar que os rodeava pareceu carregar-se de eletricidade enquanto faziam o amor.
   Foi uma noite que jamais esqueceriam.
   
   A luz matinal despertou ao Irish. Estava arremesso em cima de Kyle, nua e coberta por uma confuso de lenis. Roou-lhe o mamilo com a ponta da lngua e ele 
abriu os olhos.
   -bom dia.
   -bom dia -respondeu Kyle com um sorriso de satisfao-. Diga-me isso outra vez.
   Ela se ps-se a rir.
   -Mas se j lhe haverei isso dito umas cem vezes. Ser melhor que te levante. Hoje acaba o torneio de golfe.
   -Ao inferno o torneio de golfe. diga-me isso outra vez.
   -Quero-te.
   Kyle a abraou.
   -meu deus, eu adoro ouvir lhe dizer isso. Acreditei que te perderia, que acabaria indo com algum dos tipos do clube. Quando vi que beijava ao Matt deu vontade 
de morrer.
   -Foi   ento   quando   compreendi   que   te amava. Beijei-o e no senti absolutamente nada. 
   -Matt tem muito dinheiro. 
   Irish deixou escapar um suspiro. 
   -Sei. Enfim, suponho que no  meu destino me casar com um milionrio.
   Kyle lhe deu um beijo no nariz. 
   -Parece-me que te equivoca. 
   -O que quer dizer? -perguntou ela, temendo de repente que Kyle no queria casar-se com ela.
   -Carinho, tenho que te confessar algumas costure. Mas antes quero que me prometa que no vais zangar te, de acordo?
   -Como vou prometer te semelhante coisa? -sentou-se na cama dando um coice-. Meu deus, Kyle, no estar casado, verdade?
   -No, no se trata disso.  s que... no fui totalmente sincero contigo. 
   -De que falas? Kyle respirou fundo.
   -Ver, Jackson e Matt so minhas primos. 
   -E?
   -Meu av Pete no necessita o armazm para ganh-la vida.  rico. Nem sequer sei quantos milhes de dlares possui.
   Irish ficou estupefata. 
   -Pete? Pete ... ...?
   -Milionrio, sim. Jackson e Matt so ricos porque o av lhes entregou um milho de dlares a cada um e prometeu lhes dar dez mais se dobravam dito milho em um 
ano. E o conseguiram. 
   -V. J tambm te deu dinheiro? 
   Kyle pigarreou para esclarec-la garganta. 
   -Sim, a mim e ao Smith, meu irmo. O av me deu o primeiro milho quando acabei a carreira.
   -O primeiro milho? A carreira? Que carreira?
   -Estudei cirurgia plstica.
   Irish notou que uma onda de fria a invadia de repente. Saltou da cama e se cobriu com um lenol.
   -Mentiu-me. Fez-me acreditar que foi um escultor sem dinheiro, quando em realidade foi... foi...
   -Rico -disse Kyle por ela-. Me perdoe, carinho. Mas agora pode cumprir seu sonho de te casar com um milionrio. Estou podre de dinheiro -acrescentou com um sorriso.
   -E quem mais estava a par de toda esta farsa? Jackson? Matt?
   -Carinho...
   -Assim que lhe ajudaram a tomar o cabelo! meu deus, que humilhante -sentiu-se to envergonhada que desejou que a terra a tragasse-. Sal agora mesmo de minha habitao, 
descarado. No quero voltar a verte nunca mais -teve que apertar os dentes para no romper a chorar.
   -Mas, carinho, eu te quero.
   -Que me quer? Voc no sabe o que  o amor, Kyle Rutledge. Vete agora mesmo!
   -De acordo, de acordo. Irei. Deixarei-te sozinha um momento para que te tranqilize. Sei que coloquei a pata, e o sinto...
   -Fora daqui!
   -Est bem -Kyle recolheu suas coisas e partiu.
   Irish rompeu a chorar desconsoladamente. sentia-se como uma autntica estpida.
   S ficava a opo de partir quanto antes. No poderia voltar a olhar  cara ao Jackson ou ao Matt...
   ficou rapidamente em p e comeou a tirar sua roupa do armrio.
   
   Justo quando Irish acabava de fechar a portinhola do Mercedes, MAC se aproximou do carro e lhe disse:
   -sa a dar um passeio. No irs partir te, verdade?
   Ela se soou o nariz e tratou de sorrir.
   -Sim, j vai sendo hora de que v.
   -O que te passa, Irish? estiveste chorando?
   -OH, no, o que vai. Tenho descoberto que sou alrgica aos pinheiros. Que tolice, verdade?
   -Perdoa, mas no te creio. Parece desgostada. Posso fazer algo para te ajudar?
   -No... -de repente, lembrou-se de que no tinha dinheiro nem para jogar gasolina-. Bom, dio lhe pedir isso mas, empresta-me vinte dlares? Devolverei-lhe isso 
assim que possa.
   MAC se tirou uma carteira do bolso.
   -Toma cem dlares. E no faz falta que me devolva isso. Necessita algo mais?
   Irish o abraou e lhe deu um beijo na bochecha.
   -No. foste muito amvel comigo. Oxal tivssemos tido tempo para conversar mais devagar.
   Lhe entregou seu carto.
   -me chame quando tiver um oco.
   Irish se despediu do MAC e se dirigiu para a auto-estrada. Conduziu a Dallas de um puxo, detendo-se s para repor gasolina. No sabia de onde ia tirar o dinheiro 
para comprar o bilhete de avio para Washington. Podia haver o pedido ao MAC, mas no o tinha feito por questo de orgulho.
   -Olivia -disse Irish no interior da cabine-, agora no lhe posso contar isso com detalhe. Por favor, empenha os candelabros de prata de minha tia Kate na loja 
do senhor Getz e ingressa o dinheiro em minha conta. Necessito-o para comprar o bilhete de avio.
   depois de pendurar, Irish se sentou no terminal do aeroporto. Demoraria um bom momento em poder tirar da caixa automtica o dinheiro que Olivia devia ingressar 
em sua conta, assim decidiu armar-se de pacincia.
   No tinha tomado o caf da manh. Fez um clculo rpido e decidiu que podia gastar-se uns quantos dlares em comida, de modo que entrou no restaurante mais prximo.
   Quando estava a metade do caf da manh, elevou a vista casualmente e notou que lhe arrepiava o plo da nuca.
   Kyle acabava de entrar no restaurante e se dirigia para ela dando grandes pernadas. Irish olhou a seu redor, procurando uma possvel sada, mas no viu nenhuma. 
assim, decidiu ignor-lo. Agarrou a faca e o garfo e cortou uma parte de bolo.
   -Irish, carinho, quase me tenho voltado louco te buscando.
   Ela se limitou a tomar um sorvo de caf, sem olh-lo em nenhum momento. Kyle se sentou em uma cadeira e tentou lhe falar, mas ela seguiu sem lhe fazer o menor 
caso.
   -Maldita seja, Irish, me escute. Quero-te!
   A gente que havia no restaurante ficou olhando.
   -Kyle, por favor, no Montes uma cena. Parte.
   -No, penso partir. E no me importa que todo mundo se inteire. Quero-te! -logo, olhando s pessoas, seguiu dizendo-: Quero-a. E desejo me casar com ela. Est 
zangada comigo porque sou milionrio. Senhores, lhes parece justo?
   -Cu -disse uma ruiva de mdia idade-, se ela no te quiser, lhe vejam comigo.
   -Marylin!
   -No me importaria nada me casar com esse tipo.  muito bonito. E rico, se por acaso isso fora pouco.
   -Kyle, vete, por favor -Irish se tampou o rosto com as mos e se concentrou em seu prato.
   Ele se levantou e se foi. Ao cabo de uns minutos, retornou carregado do Ramos de rosas e cravos. Depositou as flores no cho, aos ps do Irish.
   -Rogo-te que as aceite e que me perdoe -ficou de joelhos diante dela.
   Irish ps os olhos em branco e desejou que a terra a tragasse.
   -Kyle, por favor. Est dando um espetculo. Vete.
   -No at que diga que me perdoa. Irish, meu amor, quero-te com todo meu corao. Ningum te amar nunca como eu te amo. Meu av te adora. Minhas primos lhe adoram. 
Jamais na vida voltarei a te mentir. te case comigo, por favor.
   A gente comeou a anim-la e a lhe aconselhar que aceitasse.
   Irish olhou ao Kyle aos olhos. Neles viu a chama sincera do amor.
   -Perdoa-me?
   -Sim -respondeu ela brandamente.
   -H dito que sim? -perguntou algum.
   -Sim -repetiu Irish em voz alta.
   A gente comeou a aplaudir.
   -Quer te casar comigo? -perguntou-lhe Kyle.
   -Sim.
   Os aplausos encheram o restaurante. Qualquer houvesse dito, ao contemplar a cena, que os Cowboys acabavam de ganhar outra vez a Super Bowl.
   
   
   Epilogo
   
   Provavelmente era a primeira vez que a pequena capela alojava entre suas paredes a tantos milionrios juntos.
   Kyle se achava de p frente ao altar, esperando  noiva. A seu lado estava Flint Durham, o melhor amigo do Kyle. Smith no tinha podido ser o padrinho, pois se 
achava no Texas com as duas pernas partidas, assim dita honra tinha recado no Flint. Todos os membros do clube de jovens milionrios assistiam como convidados.
   Sentado junto aos pais do Kyle estava Pete, embelezado com um elegante smoking.
   Beverly, a me do Irish, sorria com os olhos cheios de lgrimas. Por sorte, os Crow, os Ellison e os Rutledge se levavam Estupendamente bem. Pete incluso lhe 
tinha sugerido a Ao Ellison que se retirasse e se transladasse com sua esposa ao Texas.
   Kyle esperava que os Ellison assim o fizessem. depois de medit-lo muito e de fal-lo com o Irish, decidiu voltar a exercer a medicina.
   A msica trocou de tom e todo mundo olhou espectador quando as damas de honra apareceram pelo corredor central da igreja. Kim e Olivia estavam muito bonitos vestidas 
com elegantes trajes de cor rosa. Cada uma levava um ramo de orqudeas.
   A seguir apareceu a noiva. Kyle pensou que o corao lhe ia sair do peito quando viu o Irish aproximar do brao de seu pai. Levava um traje delicioso, e seu rosto 
parecia transbordar de felicidade.
   Quando Ao deixou a sua filha ao lado do noivo, Kyle jurou para seu si mesmo faz-la feliz durante o resto de seus dias. Irish jamais voltaria a ter medo de ningum.
   Uma vez que o padre os teve declarado marido e mulher, beijaram-se tenra e apaixonadamente ao mesmo tempo.
   Saram da igreja seguidos do Eve, Flint, Olivia, Jackson, Matt e Kim.
   Enquanto caminhavam detrs dos noivos, Jackson se aproximou da Olivia e lhe disse ao ouvido:
   -Cu, o que te parece se nos saltamos o banquete e vamos jantar os dois ss a um stio tranqilo?
   Olivia olhou ao Jackson de reojo e respondeu:
   -Nem o sonhe, amigo. No me interessa nada do que tenha que me oferecer. E como volta a te insinuar, denunciarei-te sem me pensar isso duas vezes.
   
   FIM
   
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